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CRÔNICA
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Cataratas na Argentina: espetáculo

(*) Giuliano De Luca

 
Fotos: Giuliano De Luca. Veja mais do passeio, clicando aqui.

Tem muita gente que mora perto, mas não conhece as Cataratas do Iguaçu. Esse número aumenta ainda mais quando se trata das Cataratas na Argentina, um refúgio da vida que encanta não somente pela quantidade exorbitante de água, mas pela riqueza da fauna e da flora. O passeio pelo Parque Nacional do Iguaçu, do lado argentino, é mesmo de tirar o fôlego. E foi para lá que fomos eu, Maikon Arruda e Lucinete de Oliveira neste domingo.

É preciso pelo menos seis ou sete horas para apreciar o que a reserva tem por lá. As imensas quedas, ao contrário do lado brasileiro, estão muito próximas aos turistas. As vezes parece até que dá para tocar. Quatis, tucanos, tartarugas, macacos e outras centenas de bichos se misturam a uma incomensurável quantidade de plantas e insetos. Tudo é muito bonito, lindo, mas nada se compara à sensação de estar em cima da Garganta do Diabo, o mais famoso, inigualável e impressionante salto das Cataratas.

Estive por lá neste domingo para rever o que havia visto em 2003. Pouca coisa mudou... ainda bem!

O passeio começa com a parte superior, em uma trilha de cerca de 650 metros, o chamado Sendero Verde. E é ali que nos deparamos com os primeiros bichos. Um tucano voava livremente e pousou sobre a cabeça dos boquiabertos turistas. Silêncio e fotos sem flashes para não espantar o bicho. Que nada! Os animais já se acostumaram com a presença humana. As gralhas comem nas mãos das crianças.

Saímos do Sendero e votamos para a Estação Central, pegamos o trem, que nos leva por cerca de 2,5 quilômetros. Dá para ir a pé, mas é melhor guardar as energias porque durante todo o tempo em que ficamos por lá percorremos mais de cinco quilômetros nas passarelas que se embrenham na mata. Brasileiros, argentinos, franceses, ingleses e americanos, entre tantas outras nacionalidades, lado a lado, ansiosos para ouvir o barulho das quedas, que logo começam a dar o ar da graça. Paramos e começam as visitas aos primeiros saltos.

Anda, sobe, desce, fotografa, filma, ri e até chora. Chegamos à Estação Cataratas várias horas depois e pegamos novamente o trem para a fenomenal Garganta do Diabo. Ah! Antes um lanche por que andávamos desde as 9 horas e já era quase meio-dia. O ponto ruim é que qualquer coisa lá dentro do parque custa 10 pesos, ou R$ 5,50. Suco, refrigerante, cerveja e até um pãozinho com presunto e queijo, bem chocho.

Mas não fomos para lá para apreciar a gastronomia. Queríamos mesmo é ver as quedas e entrar em contato com a natureza. E conseguimos.

Chegando próximo à Garganta, dá para escutar uma barulheira arrebatadora. As quedas são lindas em demasia e, por vezes, conseguimos enxergar pouco devido às gotículas de água que sobem após á água tocar o chão. Geralmente se fica ali por horas, mas ainda tínhamos um longo caminho pela frente. Era hora de fazer o passeio inferior. O cansaço já batia e, mesmo assim, até os mais velhos se empenhavam para não perder uma atração sequer.

Pegamos o trem, voltamos à Estação Cataratas e, pelos caminhos em meio aos saltos, chegamos lá em baixo, onde uma imensa cortina de água se formava atrás de nós. Não há como sair seco de lá. E todo mundo gosta da ideia. Há também a possibilidade de pegar um barco e ir até a ilha que fica entre os dois países. Mas como o rio estava muito cheio (e isso é bom, porque as quedas ficam ainda mais maravilhosas) o barco não estava funcionando. Sem problemas.

Olha, ri, chora, fotografa, pede benção, se arrepia, tenta entender o que sentem pessoas que você nunca viu e possivelmente nunca mais verá, canta, se emociona. É difícil descrever o que se sente no lado argentino de uma das sete maravilhas do mundo. É ir, ver e nunca mais esquecer. O passeio custa em média R$ 100 por pessoa, e vale cada centavo.

 

*) Giuliano De Luca é jornalista, aventureiro e amante da natureza. A crônica acima foi publicada originalmente no site de turismo H2Foz.


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