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CRÔNICA
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Foz do Iguaçu – amada por muitos, odiada por alguns


(*)
Jovimari Balotin

De novo estamos na mídia. Mas agora a chamada não é muamba e nem “laranjas” que não são frutas; tampouco contrabando ou descaminho; nem filas ou supostos terrorismos. Agora é um jovem assassino, que na fuga de seu louco mundo e após matar cartunista famoso e seu filho, e ferir um agente federal, é preso na fronteira com o Paraguai.

Foz do Iguaçu, “terra querida que é famosa, onde quer se que vá”, cidade do interior do Paraná, aparentemente como tantas brasileiras. Sua população estimada em 320 mil habitantes e centenas de “passantes”, Aqui convivem inúmeras etnias, diferentes credos e diversos pensamentos. Possui quadro social composto de trabalhadores, desempregados, estudantes, que em suas classes, sobrevivem na democracia e buscam sonhos sociais e realizações pessoais.

Já ouvi em viagens, comentários irônicos quando disse de onde era: “Ah, lá onde só há gente boooa?!”, “Lá na fronteira sem fronteiras?!”. Então, minha indignação desenhou a resposta, talvez não tão educada, mas sentida. E ao “lá” eu respondi:

Não, lá não há só gente boooa! Lá vivem, passam e morrem pessoas de todo o mundo, com qualidades e defeitos;

Lá escondem-se, mascaram-se, perdem-se e são achadas pessoas de todos os tipos;

Lá nascem pessoas do bem e do mal, com alma, coração e impurezas;

Lá chegam desconhecidos, turistas, compristas, traficantes, assassinos, políticos, famosos, amigos, parentes, estrangeiros... e não se sabe o que trazem em si e nem o que seus corações suportam ou comportam. Mas lá, ao recebê-los, somos talvez ingênuos! Imaginamos que os que chegam, possuem o melhor do ser humano – caráter, ética, amor. E por isso nossos braços sempre abertos ao incógnito caminhante.

Sim, mas lá, como em todo lugar, há esperança, há a palavra dita e escrita, há seres que pensam, há lutas para desmistificar e mostrar que vamos além de vontades implícitas de destruição.

Lá muitos passam, mas os que permanecem, têm grandes e simples sonhos – de ver suas crianças educadas, seus idosos respeitados, seus doentes curados, sua cidade segura, seus jovens plenos de ideais, seus homens e mulheres na labuta saudável e digna.

Sim, a minha cidade se diferencia pela beleza não tão falada e nem ampliada em sons e imagens. Talvez porque o bem, o bom, o bonito não dão grandes ibopes; talvez porque os interesses suspeitos e ocultos tenham apenas mistérios.

Aqui há harmonia, e encontramos o belo no verbo ter conjugado:

Temos aqui os caudalosos e silenciosos rios Iguaçu e Paraná, unindo-nos em pontes à Argentina e Paraguai. Temos a imponência das Cataratas do Iguaçu a maravilhar o mundo inteiro. Temos ainda, a imensa e altiva Itaipu a liberar sua energia e iluminar, sem preconceitos. Temos os lagos artificiais em que embarcações deslizam com amadores, esportistas ou profissionais pescadores. Temos o Parque Nacional do Iguaçu, que com sua mata verde e sua pureza ajuda-nos nos momentos em que é preciso “respirar fundo” para encontrar respostas às ironias ouvidas. Temos também um hino tão bem escrito por Francisco que traz estrofe parecendo oração:

Sim, mil graças por tanta beleza,
Ó Senhor! Sempre mais progredir,
que um passado de heróica nobreza,
seja o aval de um fecundo porvir!

E eu, inclusa nesta “Natureza imponente e garrida que, no mundo, mais bela, não há”, encontro-me do lado dos que amam e acreditam nesta cidade. Esta que era ainda pequena quando recebeu uma menina, cheia de sonhos.

Não pensem que aqui não sofri, não chorei ou não me decepcionei. Mas saibam que é por viver, amar e confiar nesta gente que aqui está, e é por sentir e perceber injustiças, que não calo meu grito de ira e não sufoco minha aversão aos que odeiam, prejudicam e nada fazem para melhorar o mundo e nem tampouco seus mundos.

E é por respeito aos destemidos exploradores que dedico minhas palavras e transcrevo outra estrofe de Francisco:

Honra eterna aos ingentes pioneiros
deste solo, onde é grande o labor;
aqui estão corações brasileiros,
palpitando com idêntico amor!

 

(*) Jovimari Balotin é comerciante. Formada em Letras, tem 42 anos
e, desses, 33 foram vividos na cidade de Foz do Iguaçu, Pr.
Os versos citados pela autora no texto fazem parte do "Hino a Foz do Iguaçu",
cuja letra é de Francisco Pereira da Silva

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