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CRÔNICA
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Ponte das Nações

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Yassine Ahmad Hijazi


Um bolo, salgados e refrigerante. Esses são componentes para um aniversário humano. Mas quando o aniversário reúne humanidade quais os ingredientes? Optei em fazer a homenagem por meio de lembranças e de sentimentos que ela, a Ponte Internacional da Amizade, provocam todos os dias desde que a vi pela primeira vez em 1988. Eu chegava, era estrangeiro e, ela era uma jovem, com 23 anos de existência. Hoje aos 45, após 22 do primeiro encontro permanece firme, altiva como o sonho de seus criadores.

Como um humano a ponte também atravessa crises, enfrenta momentos de pouca estima e como se pensasse, reiventa-se a cada carro que passa a cada pegada deixada por sapatos das mais diferentes nacionalidades. Nasce com o sol, adormece vestida com a luz da lua. Banha-se com a chuva, brilha com o relâmpago e pulsa com o trovão.

Se abandono o campo poético, e observo com olhos de economista, vejo que o acesso soma para o desenvolvimento de dois países unidos por uma ponte. Ao fazer esta análise vejo sobre ela o primeiro carro da marca 1965, imortalizado pelas imagens da inauguração. Vejo a safra, as máquinas carregadas sobre máquinas. Vejo os tecidos, as confecções, os importados, os eletrônicos, alimentos, esse ir e vir econômico, fundado na cultura. Tudo, tudo que passa sobre ela.

Num delírio bem mais humano, se lançar flechas sobre o não fazer da ponte diria: ela é “o corredor do tráfico”, “o caminho da muamba”, o “acesso de carros roubados”, “descaminho”. Em um rompante pouco civilizado diria: então que se comemore com gás lacrimogêneo, botinas militares. Ao retomar a consciência tenho de reconhecer: não é a ponte, são os gestos humanos que fazem da ponte gentil carga para o desalento.

Se observo o rio que a observa de baixo, vejo que ele em algumas estações ruge cheio de água turbulenta. Nesse período ela se faz forte, porque é forte. Quando a água das chuvas deixa o leito, ela no silêncio mostra seus pés cheios de lama, resultado da força que fez contra a força que a fortalece.

Quando penso no som o primeiro é o de buzinas roucas, apressadas aflitas. De escapes pouco conservados, de humanos desenfreados em seus volantes. Se penso em música vê-me uma dúvida. A ponte tem um hino? Tem uma música?

Quando penso na história da ponte em seus 45 anos não posso deixar de ser exato de mencionar seus construtores, seus idealizadores: Brasil e Paraguai. Da pátria verde e amarela, o italiano Bruno Bianchi. Da bandeira vermelha, azul e branca seu Lírio Avalos. Os dois somam aos outros trabalhadores. Então digo: parabéns aos humanos e que a ponte-humanitária tenha o significado de sua importância seja no campo poético, econômico, político, arquitetônico, turístico, bilateral, internacional, de amizade...

 

(*) *Yassine Ahmad Hijazi é jornalista em Foz do Iguaçu, Pr. A crônica "Ponte das Nações" foi publicada originalmente no site Megafone. (Comentários: ecopress73@hotmail.com).

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