-
-
-
-
-
---
-
         
    
________________________________________________________________________________________________
 


Clique aqui
e leia outro texto publicado no Tirando de Letra

CRÔNICA
___________________________________________________

Para falar de amor

(*)
Célia Musilli

                        

Seguiremos encantados por mais tempo acreditando num caminho

Sempre chega alguém para falar de amor. Querem saber por que ou em que momento o encantamento inicial termina, ficando o companheirismo, a parceira na educação dos filhos, o hábito ou, até mesmo, nada. Como todo mundo, me encantei e desencantei muitas vezes e antes achava que meu encantamento estava mais relacionado às pessoas por quem me apaixonava do que a mim mesma – aquela história dos príncipes, sabe?

Um dia compreendi que a emoção, na medida em que a sentia, era coisa minha, íntima, perene, que se reciclava em “apaixonamentos” sucessivos – não em velocidade, mas em intensidade parecida ao dos primeiros. Aí, uma amiga me ajudou a construir uma frase que se tornou meu guia: "O amor é qualidade minha!!" Ou seja, as pessoas passam, mas a magia de sentir pertence ao meu coração. Bela saída, hein?

Há pessoas que acreditam que o amor não tem saída, que por mais encantador que seja, um dia termina. Há lógica neste pensamento, afinal, relações acabam todos os dias. Mas, em caso de amor, não sou partidária da descrença nem do niilismo. Se meditarmos muito sobre o “vazio do amor” não nos apaixonamos, nos desiludimos por antecipação.

Já faz um tempo, ando imaginando o amor não como um fogo que se consome, mas como um núcleo fogoso e imantado em torno do qual, para que não se consuma ou morra, podemos colocar "camadas geológicas", reinventando o amor à medida que o tempo passa com exercícios de criatividade nas relações. Será que assim, poderemos proteger o núcleo e inventar invólucros, chamas, fogueiras que ardam, proporcionando ao amor a proteção e a redondeza da Terra? Porque o amor deve ser redondo, as coisas importantes da vida são, como os ovos, as bolas e as barrigas grávidas. Pensando assim, o amor nunca seria...quadrado.

Acho que para conseguir duração no amor, é preciso fazer um pacto com nossos amados, porque não adianta um só alimentar e proteger o fogo. Mais que isso, devemos compreender que, de vez em quando, outras pessoas se aproximam, ocupando espaço nas nossas relações. São os eventuais flertes, casos, infidelidades. Nesta hora, o ciúme arde, mas o amor deve arder um pouco mais no seu núcleo do que na sua periferia e, se for amor mesmo, os "visitantes" naturalmente vão embora.

Às vezes também me perguntam se o encantamento do amor é um delírio. Pode ser, mas acho que se trata de um delírio real, porque no amor não cabe empirismos, apenas sentimentos, e eu acredito no que sinto. Pode ser também que a gente nunca consiga preservar o encantamento por inteiro, mas seguiremos encantados por mais tempo, acreditando num caminho, ainda que ele pareça uma fábula.




(*) Célia Musilli é jornalista e escritora em Americana, SP.

____________________________________________________

Índice de Tirando de Letra

Voltar à página principal

 

 

 

 

 

 

APOIO CULTURAL:


 

 
 
Copyright ©2006 - 2006 - 2009 guata.com.br - Todos os direitos são reservados.