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CRÔNICA
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Dependências independentes

(*)
Jovimari Balotin

Para viver, bem ou mal, há que se aceitar que ser um ser independente é utopia. Sempre haverá algo de que precisamos. Óbvio? Sim, mas há dependências necessárias demais e imprescindíveis que, para alguns, apenas o passar dos anos mostrará que não se vive sem elas, ou seria "eles"?

Eu sou dependente de muitas coisas. Dependo de algumas pessoas, de alguns sentimentos, de algum remédio, de algum chazinho, de algumas vontades, de alguns caminhos, de algum trabalho, de algum dinheiro, de alguns incentivos, de alguma independência que paradoxalmente ela precisa depender de algo para existir.

Em meio a tantas dependências, há certas prioridades importantes. Um exemplo é que sou dependente de meu corpo são, que em conjunto com minha mente sã, me faz enxergar o mundo em que o meu mundo gira. Então, meus olhos me direcionam.

Novas dependências aparecem com o passar do tempo, como esta que se apoderou de mim há quase um ano. A princípio relutei para que esse espaço não fosse preenchido por ela. Mas não houve jeito, mesmo com minha mãe me alertando para que eu protelasse o quanto fosse possível. Tentei até o último momento. E eis que não vivo mais sem ele!

Chamo-a de “a ...”, mas essa dependência tem um nome masculino que, talvez por ser um pouco presunçoso seu objeto, se mostra mais no plural.

Para adquiri-lo, eu primeiro consultei um especialista, que após alguns testes, nivelou minha dependência no primeiro número cardinal. Ufa! Ainda bem! Mas me alertou que a cada ano o nível pode aumentar. E como sei que há certos males que são bons, aceitei o diagnóstico com o contentamento dos resignados. E saí com uma receita nas mãos. O próximo passo seria escolher o modelo que melhor se encaixaria na minha vida. E garanto que não foi nada tão fácil. Entre formatos, tamanhos, cores, peso; eu decidi pelo simples, básico, retangular, leve, com hastes de um dourado envelhecido e discreto, afinal, meu rosto não necessita de volume, apenas meus olhos de boa visão.

E qual não foi minha emoção pelo colorido definido das cores e tamanhos reais das letras? Que felicidade! Desde então, quando preciso “ver de perto”, meu companheiro inseparável nunca se ausenta. Ele não é um Ray Ban, não é de uma marca famosa, não teve alto preço, nem me traz nenhum status e ou erudição como ainda acreditam alguns. Mas ele, em seus anos seculares de existência, deixa meu presente como antigamente e posso dizer que me “traz uma sensação de liberdade, independência e audácia”. Ah, esses meus óculos!

(*) Jovimari Balotin é comerciante. Formada em Letras, tem 42 anos e, desses, 33 foram vividos na cidade de Foz do Iguaçu,

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