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Morte e Vida Severina

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  – Poema que consagrou João Cabral de Melo Neto tem versão animada  –

Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.

Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor. Os 55 minutos em dura o filme, traduzem a poesia contundente que consagrou o poeta pernambucano.

 

 

 

O livro – 

“Morte e Vida Severina” é um livro de João Cabral de Melo Neto publicado em 1955, trata-se de um relato sobre a dura trajetória do retirante sertanejo em busca de uma vida melhor na capital pernambucana. A obra ganhou, ao longo de décadas, várias adaptações para o cinema e teatro. Fragmentos ganharam melodia de Chico Buarque.

Clique aqui e baixe a versão em quadrinhos de Miguel Falcão.

Clique aqui e acesse à adaptação para o cinema que o diretor Zelito Vianna produziu em 1977.

 

João Cabral de Melo Neto, um dos maiores poetas brasileiros do século XX (Foto: arquivo MinC)

O autor

João Cabral de Melo Neto, poeta e diplomata brasileiro, nasceu em Recife, no 9 de janeiro de 1920  e morreu no Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999.

Sua obra poética, que vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, porém caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes, inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil.

Foi agraciado com vários prêmios literários no Brasil. Entre eles o Prêmio da Poesia, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Jabuti da Academia Brasileira do Livro e o Prêmio da União Brasileira de Escritores. Internacionalmente, ganhou o o Prêmio Neustadt, tido como o “Nobel Americano”, sendo o único brasileiro galardoado com tal distinção. Quando morreu, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.

Irmão do historiador Evaldo Cabral de Mello e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre, João Cabral foi amigo do pintor Joan Miró e do poeta catalão Joan Brossa. Foi casado com Stella Maria Barbosa de Oliveira, com quem teve os filhos Rodrigo, Inez, Luiz, Isabel e João. Casou-se em segundas núpcias, em 1986, com a poetisa Marly de Oliveira.

O escritor foi membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras.

 

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Guatá / Wikipédia/ Farofafilosófica

 


“Martírio”

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  –  Documentário de Vincent Carelli, que trata da questão Guarani Kaiowá, está disponível via on line  –

 

A grande marcha de retomada dos territórios sagrados Guarani Kaiowá através das filmagens de Vincent Carelli, que registrou o nascedouro do movimento na década de 1980. Vinte anos mais tarde, tomado pelos relatos de sucessivos massacres, o diretor busca as origens desse genocídio, um conflito de forças desproporcionais: a insurgência pacífica e obstinada dos despossuídos Guarani Kaiowá diante do poderoso aparato do agronegócio.

A disponibilização on-line do documentário faz parte da mostra de filmes do Mekukradjá – Círculo de Saberes: Língua, Terra e Território, do Itaú Cultural. O evento contou também com programação presencial gratuita – debates, oficinas e exibição de filmes em São Paulo.

“Martírio” –  (Direção: Vincent Carelli, 2016, 162 min).
Classificação indicativa: 12 anos) – Cenas de violência
ATENÇÃO: disponível gratuitamente no site do instituto só até 8 de outubro de 2017 (domingo).
Para acessá-lo, clique aqui.

 


ATENÇÃO: Classificação indicativa para 12 anos

O filme Martírio (2016), dirigido por Vincent Carelli, em co-direção com Ernesto de Carvalho e Tita, tem classificação indicativa de 12 anos, determinada pelo Ministério da Justiça, por conter cenas de violência.
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Itaú Cultural

 

 

 


Chove sobre Santiago

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  –  Um filme sobre o golpe de Estado no Chile. O dia 11 de setembro de 1973 que entrou para a história política da América Latina  –

Cena de “Llueve sobre Santiago”, do chileno Helvio Soto.

Chove sobre Santiago, com direção e roteiro do chileno Helvio Soto (1930-2001), o Il pleut sur Santiago, foi o primeiro filme de grande distribuição a relatar o processo do golpe de Estado de 1973 no Chile. Rodado em 1975 em Paris e cidades da Bulgária, contou com a participação de grandes talentos, como o compositor argentino Astor Piazzola, responsável pela música original. Além dele, os atores fraceses Jean-Louis Trintignant e Annie Girardot.

Salvo Soto, diretor e roteirista, e a atriz Patricia Guzmán, a maior parte do elenco e dos técnicos eram europeus.O búlgaro Naicho Petrov interpreta Salvador Allende e o francês Henri Poirier interpreta Augusto Pinochet. Os figurantes na sua maioria são búlgaros.

É fato que o próprio Helvio Soto definiu Chove sobre Santiago como um “filme de propaganda”. O filme é de certa forma uma homenagem à frente política Unidade Popular, a Salvador Allende e ao jornalista chileno Augusto Olivares.

Ainda que pese uma discussão sobre a qualidade e os seus propósitos, este é o filme mais importante da filmografia de Soto. Exibido em mais de cinquenta países, foi um verdadeiro sucesso de bilheteria em países tão diferentes como Portugal e Japão.

 

Assista ao filme completo e legendado em português:

 

Leia o comentário publicado em Pipoca Comentada sobre “Chove sobre Santiago”:

“Um jornalista anda de carro pelas ruas de Santiago no dia 11 de setembro de 1973. Chove e ele observa a estranha movimentação nas ruas enquanto ouve notícias pelo rádio. O drama/documentário de Helvio Soto, de 1975, foi rodado na Bulgária (onde o diretor estava exilado na época) e vai aos poucos, mostrando os anos do governo da Unidade Popular no Chile (1970-1973) e o dia do golpe, com todos os detalhes violentos, incluindo o Estádio Nacional transformado em prisão dos ‘subversivos’ e a tomada do Palácio La Moneda.

É possível acompanhar como foi tramado o golpe pelas Forças Armadas e todas as sabotagens e boicotes que geraram desabastecimento e jogaram a classe média contra o governo de Salvador Allende.

Mesmo durante o governo socialista, o general Augusto Pinochet esteve à frente das Forças Armadas, assim como toda a estrutura burocrático-militar foi mantida intacta. O filme ainda traz o último discurso de Allende, transmitido pelo rádio de dentro do Palácio La Moneda, já completamente cercado pelos tanques e, também, o enterro do poeta chileno Pablo Neruda, talvez a única manifestação política pública depois do golpe. A trilha sonora é de Astor Piazzolla, que dispensa comentários ou apresentações.

Apesar de o filme fazer uma referência poética ao título, “Chove Sobre Santiago” foi o nome da operação arquitetada pelas forças reacionárias do Chile e apoiada pelos EUA através da CIA, que culminou com o golpe de Estado no dia 11 de setembro de 1973. A operação Chove Sobre Santiago colaborou ativamente com a Operação Condor, que trocava informações sobre ativistas de esquerda em todo o Cone Sul.

A ditadura chilena foi responsável por um dos maiores banhos de sangue entre as ditaduras sul-americanas, só perdendo para a Argentina. Oficialmente foram mais de três mil mortos, mas estima-se quase vinte mil mortos e desaparecidos.

Embora tenha muitos defeitos, desde montagem, fotografia e até mesmo a estranheza do diálogo em francês sobre uma história que se passa em um país sul-americano, é um filme muito especial. Principalmente para ativistas de esquerda. Eu o assisti pelo menos trinta vezes na adolescência e início da minha militância política, no final dos anos 80. E ainda emociona.” (NiaraOlivera/Pipoca Comentada)

Leia uma crítica chilena ao filme, clicando aqui.

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Guatá/com Pipoca

 

 


Um dia, um gato

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  –  A sugestão de Cena Aberta para a semana  –

 

Beleza e imaginação em uma fantástica poesia. Uma fábula para crianças e adultos assistirem. Assim é o filme que ganhou o prêmio do júri do Festival de Cannes de 63, além de ser indicado a Palma de Ouro, naquele mesmo ano. Com recursos técnicos limitados, com trucagens visuais feitas diretamente nas películas de filmagem, o diretor tcheco construiu  uma narrativa interessante, utilizando a fantasia para fazer cinema e sutilmente uma crítica social.

A história é simples. Os moradores de um vilarejo assistem ao espetáculo de um mágico e seu gato, que usa óculos. Quando o bichano tira as lentes, tem o poder de mudar a cor das pessoas à sua volta de acordo com o caráter delas. Para cada mesquinharia humana, uma cor.  O fato assusta os adultos do lugar, que vêem o animal como uma ameaça, mas, ao mesmo tempo, atrai todas as crianças da vila. No meio do filme, o gato desaparece. Começa então uma busca nem tão interessante assim para todos envolvidos na história.

Um dia, um gato (legendas em espanhol)

Gênero: Comédia dramática – Direção: Jotchek Jasny – Idioma original: tcheco –
Ano: 1963 – País: Tchecoslováquia – Classificação: livre – Duração: 95 minutos

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Guatá com adorocinema


Um Homem Com Uma Câmera

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  –  Uma resenha de Luiz Eduardo Luz  –

Em seus primórdios, o cinema sempre esteve conectado de alguma maneira com formas de arte mais antigas e consolidadas, como a literatura e o teatro. A própria linguagem cinematográfica também era limitada à época de seu surgimento. Com o tempo, o cinema foi evoluindo. Surgiram novas técnicas de edição, de fotografia, de efeitos especiais. Além disso, novos modos de se compreender esta arte tão jovem também começaram a aparecer nas inúmeras mentes empolgadas e inquietas de admiradores e profissionais. A sétima arte evoluiu de forma extremamente rápida, espalhando-se pelo mundo em questão de poucos anos. Muito disso se dava à universalidade dos filmes mudos. Porém, até o fato de o inter título ter que ser traduzido acabava por limitar o cinema.

Dentro de todo esse contexto histórico do processo de evolução do cinema, surgiu um filme que buscava contornar e acabar com todas essas limitações. Em 1929, o cineasta soviético Dziga Vertov, que trabalhava para o governo e era um dos preferidos de Lenin, realizou um dos filmes mais ambiciosos e influentes de toda a história do cinema. “Um Homem Com Uma Câmera” (Chelovek s kino-apparatom, 1929) tinha um objetivo claro (que, inclusive, é relatado por meio de texto logo no começo da projeção): ser o primeiro filme integralmente idealizado e realizado com abordagem puramente cinematográfica, se desvencilhando da literatura e do teatro de uma vez por todas e, enfim, criando o cinema puro. O filme não teria roteiro. Nem atores profissionais, pois não existem falas, o que torna o filme realmente universal.

 

CLIQUE AQUI PARA VER “UM HOMEM COM UMA CÂMERA”
E OUTRAS SUGESTÕES DE FILMES DA GUATÁ EM CENA ABERTA

 

A premissa é simples. Um homem, munido de sua câmera, sai pelas ruas de algumas cidades (Moscou, Kiev e Odessa) documentando a vida das pessoas, englobando diversos aspectos e particularidades da vida urbana e da modernidade. Durante 68 minutos, Vertov nos proporciona um verdadeiro espetáculo visual. Trens, relógios, pessoas, carros, ruas, máquinas, indústrias. Tudo isso é jogado na tela de forma sofisticada e organizada. A montagem do filme é brilhante. Contemporâneo de Eisenstein, Vertov entendia o poder que a edição das imagens proporciona para o resultado final. Pioneiro da superposição de quadros, o cineasta utilizou as mais variadas técnicas cinematográficas a sua disposição, incluindo também jump cuts e telas divididas.

A velocidade dos cortes, em determinados momentos, busca evidenciar o próprio aspecto temporal presente na sociedade contemporânea. Cortes rápidos entre operários e a atividade de trabalho que realizam mostram o ritmo alucinado que a vida das pessoas tomou. Ora, se o cinema é a arte do século XX, nada mais apropriado que relatasse e refletisse sobre as peculiaridades de seu próprio tempo.

E o que mais está presente no filme, que não apenas imagens? Música. A trilha sonora de Um Homem Com Uma Câmera é tão importante para a experiência quanto às imagens. As composições foram criadas e conduzidas pela Alloy Oschestra, e foram compostas a partir de instruções do próprio Vertov. A música é fundamental para a delimitação dos diversos momentos do filme. É tranquila em cenas que envolvem bebês, e é agitada nos momentos que retratam o trabalho dos operários, por exemplo. A cena final atinge um nível de emoção impressionante, se comparada com o que se via normalmente na época, e muito desse poder se dá pela potente combinação entre música e edição.

O filme de Vertov também é de suma importância para a história dos documentários. Seu uso de câmeras móveis e livres, além do fiel retrato da realidade, foi fundamental no desenvolvimento da concepção de documentários que reside na mente das pessoas até hoje. É importante destacar que, durante os anos 20, na União Soviética, o cinema era controlado pelo estado, e tinha a finalidade de reforçar e difundir os ideais da ideologia socialista. Porém, durante essa década, os jovens cineastas do país ainda gozavam de liberdade para criarem e inovarem.

Foi nesse período que gênios como Eisenstein e o próprio Vertov surgiram. Com o passar do tempo, a liberdade que os diretores tinham foi sendo perdida, até ser praticamente destruída com a chegada de Stalin ao poder. Contudo, a década de 20, na União Soviética, continua sendo uma das mais importantes da história do cinema, com legado de inúmeros avanços técnicos e intelectuais. Foi com a liberdade dessa época que Vertov conseguiu realizar seu ambicioso projeto. “Um Homem Com Uma Câmera” é melancólico em alguns momentos, psicodélico em mais alguns, radical em outros. É uma verdadeira sinfonia do cotidiano, repleta de imagens aparentemente ordinárias, mas que, colocadas sob a lente de Vertov, tornam-se verdadeiros poemas.

O filme é reverenciado e estudado até hoje, tendo sido eleito, em 2012, como o oitavo maior de todos os tempos, na conceituada eleição da revista britânica Sight & Sound.

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Luiz Eduardo Luz, publicitário, amante da sétima arte e colecionador de filmes, escreve sobre cinema. Texto reproduzido do site Canto Dos Clássicos.


Policarpo Quaresma, Herói do Brasil

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  –  Uma crítica de Pablo Villaça.
(Extraído de Cinema em Cena/Carta Capital)

 

Clique aqui para assistir a “POLICARPO QUARESMA”
e outras sugestões de filmes em “Cena Aberta”

 

O Brasil precisa de mais Policarpos Quaresma. Na verdade, se cada um de nós possuísse apenas um décimo do amor de Quaresma pelo Brasil, nosso país seria outro. É claro que o patriotismo do personagem é extremo, quase caricato: ele quer mudar a língua oficial para tupi-guarani e trabalha de cocar, entre outras excentricidades. Mas a mensagem é belíssima.

O filme, baseado no livro Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, é uma farsa repleta de momentos hilários (como a seqüência do batalhão de loucos) e, também, líricos (como a cena em que Policarpo `faz amor` com a terra, sob a chuva). O universo criado pelo diretor Paulo Thiago não é o nosso nem o de 100 anos atrás. Aqui os personagens se comportam de uma maneira tão atípica que o espectador chega a ter a impressão de estar assistindo a um tele-teatro. Esse distanciamento da realidade contribui ainda mais para o impacto da história.

Para quem ainda não teve a oportunidade de ler o livro, a sinopse é a seguinte: Policarpo Quaresma é um homem completamente alucinado pela idéia de fazer do Brasil um país grandioso. Para conseguir esse objetivo, ele bola estratégias amalucadas, prega o retorno do tupi-guarani e insiste em redigir documentos oficiais (ele é funcionário público) nesta língua. Finalmente, ele é enviado a um hospício, onde acaba convencendo o médico responsável de que ninguém ali é louco. `A média dos medíocres não deveria ser a lei.`, passa a argumentar o próprio Dr. Mendonça.

A partir daí, Quaresma resolve se dedicar à agricultura, cedendo, inclusive, boa parte de sua propriedade a um grupo de `Sem-Terra` que lhe pedira auxílio. O filme ainda conta a Revolta da Armada, quando Policarpo oferece seu apoio ao então Presidente Floriano Peixoto.

Paulo José está simplesmente fabuloso como o personagem-título. O ator transmite tamanha sinceridade e ingenuidade, que não há como a platéia não se render a Policarpo e torcer por ele. Seu patriotismo contagia. De um otimismo incurável, Quaresma chega a redigir um Memorial que, de acordo com ele, `resolverá todos os problemas do país.`.

No entanto, o filme tem alguns problemas graves, que comprometem o resultado final: a personagem Olga (Giulia Gam), por exemplo, não se encaixa no contexto da história, realmente. Suas cenas funcionam como uma espécie de anti-clímax durante toda a projeção. Seu drama, sua relação com o marido, seu amor por Quaresma são mostrados de maneira tão `pesada` que simplesmente parecem pertencer a outro filme. Há uma cena protagonizada por ela, já no final, que de tão dramática soa falsa, `deslocada`. Giulia Gam tem um bom desempenho, não há dúvidas quanto a isso. Porém, sua personagem não merecia – ou não deveria – ter tido tanto destaque.

Além disso, a produção preocupou-se tanto em se cercar de atores `globais` que chegou a fazer algumas escolhas inadequadas. O marido de Olga, vivido pelo ator Fernando Eiras, é um exemplo disso. A atuação de Eiras deixa a desejar e, dada a importância conferida pelo roteiro de Alcione Araújo ao conflito entre ele e a esposa, compromete bastante. É claro que nem todos estão `deslocados`: a presença de Chico Diaz é luminosa, bem como a de Jonas Bloch. Os demais estão apenas corretos. Uma pergunta: por que não dar chance a atores menos marcados? Até os personagens `sub-coadjuvantes` ganham intérpretes famosos. Um desperdício de talento e oportunidade, realmente (Aracy Balabanian quase não aparece no filme!).

Finalmente, o filme é um pouco longo demais. E o pior é que existem cenas, já próximas do final, totalmente dispensáveis, como aquela em que Olga conversa com seu pai sobre o destino de Policarpo e aquela em que Ricardo Coração dos Outros discute com Genelício. Se tivesse quinze minutos a menos, o filme sairia ganhando.

Apesar dessas pequenas `falhas`, Policarpo Quaresma, Herói do Brasil é um filme que deve ser visto e apreciado por suas qualidades, a saber: um personagem principal maravilhoso (com uma interpretação de Paulo José à altura; uma história farsesca e extremamente divertida; uma parte técnica bastante competente (destacando-se, aí, a Direção de Arte e os Figurinos) e, finalmente, uma direção correta que valoriza o potencial da história.

Policarpo Quaresma é, em suma, nosso D. Quixote. Aliás, esta comparação chega a ser literal no momento em que o personagem está exterminando as saúvas de seu milharal: usando uma máscara para se proteger do gás, Policarpo parece estar com um elmo na cabeça, deixando apenas seu cavanhaque e seus pontudos bigodes à mostra, numa reprodução fiel do herói de Cervantes. Além disso, é maravilhoso seu amor pelo nosso país e o que ele é capaz de fazer para conseguir alcançar seus objetivos.

`Nossa nação é mendiga de heróis.`, diz ele em certo momento. Já não é mais: Quaresma ocupa, magnífico, este posto.

21 de Maio de 1998
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Pablo Villaça, crítico cinematográfico brasileiro. É editor do site Cinema em Cena, que criou em 1997, o mais antigo site de cinema no Brasil.


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