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Nua

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  –  Um conto de Rafaela Martins  –

 

Assim tão de perto, o que parecida excitar sua visão era um universo inexplorado. Belo e plácido como tudo que ainda não sofreu. Frígido e sedimentado como tudo que ainda não sofreu. Primeiro uma mata densa e macia resplandecendo tons dourados, brancos, avermelhados e negros, fazendo com que fosse possível um aninhar-se. Tal emaranhado fazia cócegas e animava os sentidos táteis. Arrepios frios se misturavam ao calor, e o suor de tudo que havia de vivo dentro daquele bioma exalava perfumes de flores, frutos e da própria substância que constituía tal formação.

Logo pensou na dádiva da descoberta. Sua imaginação, tão sem limites, criava nós que grudavam na paisagem e ganhavam concretude. Sem ter com quem conversar, seus pensamentos voavam em direção a um futuro brilhante, cujas terras resplandecentes vigorariam com novos habitantes a dedicarem-se ao seu sucesso e prosperidade. Mas aquele planeta não parecia um lugar de expedição qualquer, tão pouco tinha talento para a mãe Terra recém abandonada, nem mesmo essa exploração se propunha a algo que se assemelhasse com os meandros de deuses e semi deuses implantadores de sementes, controladores e punitivos. O que ficara para trás, na história do mundo desmantelado, era dor e sofrimento, e não dignidade e benevolência. Logo percebeu que sua descoberta deveria ser mantida em segredo. Preservada em sua natureza e respeitada em seu fluxo plácido.

Embora o ambiente parecesse de um aconchego original, era preciso continuar a expedição. Novas paisagens, mais áridas, criavam uma superfície também macia de um cor de rosa bronze e contornos suaves. Daquele ponto as estrelas eram visíveis. Não três, mas apenas duas Marias, duas gigantes Marias que, para sua surpresa, acendiam e apagavam num movimento inconstante. Nada ali era simétrico, embora tudo gozasse de uma matemática perfeita. As estrelas, hora azuis, hora verdes, hora acinzentadas, hora âmbar, hora violáceas brincavam num exibicionismo de causar tremenda impressão. Tal constelação tinha tamanho poder de atração que um campo gravitacional forte, tenso e energético fazia com que a mente se expandisse em júbilo.

Sem deixar de lado o rigor científico, viu naquele lindo pisca-pisca o tímido espectro energético da natureza da bondade. Sentiu o bem dominar seu corpo. Flutuou. Mas o efeito alucinatório também o lembrou do peso da responsabilidade. Guardar tal segredo, usufruir de tal dádiva em silêncio. Proteger. A soberba já se apoderava de seu sangue. Por que essa dádiva predestinada a um só ser? Como chegara até ali? Qual era o sentido de tudo isso? Mas, se compartilhasse com alguém, logo viriam cem, dois mil, milhares. Sugariam os frutos, corromperiam os vales, disputariam as terras, seria preciso controlar, seria preciso usar de autoridade. Sucumbiriam todos. Se sentindo um grande guardião, um herói, seguiu.

Após a exaustão de um longo caminhar, um vale de hálito fresco garantiu a nutrição. Um sabor morango, uma textura gelatinosa, uma densidade média, uma temperatura quente. Foi preciso partir, embora mente e corpo a essa altura já se encontrassem inebriados por um apetite nunca antes experimentado. Grandes montanhas com picos rosados e durinhos permitiam um vislumbre parcial das terras a serem investigadas. Os perfumes, a cada hora, mostravam uma nova nota e levavam a um novo perceber. Tantos estímulos sensibilizavam de tal forma que gargalhadas se sobrepunham a choros convulsivos e as emoções se descontrolavam a ponto de a racionalidade falhar.

Após meses de caminhada, a boca seca, o desejo a escorrer por cada orifício, o desespero daquela busca desenfreada por aquilo que não se sabe o quê, o sentir-se tão dono de tudo aquilo, a intimidade do poder, a razão perdida, o pensamento embaralhado, os sentimentos confusos, o sexo pulsando, os sentidos alterados:  o olfato esgotado de tanto arrebatamento, a visão encoberta de tanto frenesi, o tato alérgico de tanta volúpia, o paladar dilatado de tanto apetite e a audição tumultuada com os silêncios prolongados quebrados esporadicamente pela vibração sensual. Seria essa expedição uma busca pela morte? Seria esse novo mundo um fim? Ou um segredo a ser guardado? Seria a sua natureza humana capaz de viver assim? Apenas fruindo naturalmente dos encantos do novo mundo, em silêncio, sem ter um semelhante com quem compartilhar? Uma solitude apoderou seu peito, sem por isso sentir solidão. Era preciso seguir.

Depois de muito procurar, finalmente encontrou o vale de ouro. A mata espessa e baixa a esconder uma fonte vital. Um rio de águas levemente adocicadas, com notas amargas e viscosidade alta. Um rio vermelho de fluxo contínuo e suave. Margens perfeitamente imperfeitas. Mergulhou. Encontrou uma gruta que escondia uma bela flor. Quis tocá-la. Nesse mesmo instante aquela terra toda começou a tremer, e o céu começou a trovoar com risos, gritos e gemidos. Esbaldava-se. Mesmo sabendo que abalos sísmicos são perigosos, não conseguia parar. Fez a terra tremer, mudou algumas de suas estruturas, criou novos leitos de rios, abriu passagens, gerou feridas, mas também enxertou vida e gozo. Acordar a bela musa tem seu preço.

Exausto e satisfeito, o belo universo, com sabedoria natural e destreza feminina, deixou com que a enxurrada o levasse para longe. Expulso, caminhou letárgico. Percebeu, finalmente, quem mandava ali. Descansou em formações calcárias. Conheceu extremidades mais frias, explorou regiões gélidas, porém tranquilas. Descansou pairando no ar cósmico. Sentiu o que é a paz. Soube o que era o amor. Se súbito, sofreu um tranco que o expulsou em direção ao cosmos.

Quanta soberba pensar que algo ali, por um instante que fosse, lhe pertencera. Depois de distanciar-se anos-luz de seu amado planeta fêmea recém descoberto, finalmente pôde contemplá-lo em sua magnitude e esplendor. Ela dançava plena, pairando no espaço, sem fugir de sua órbita em torno do sol. Aquele corpo amava, sorria e exalava o perfume das estrelas. Seguia seu compasso. Não mudara sua essência mesmo com a recente visita. As marcas por ele deixadas apenas compunham uma nova configuração daquilo que ela já era. O passar dos milênios faria com que a micropartícula do que fora ele se reconfigurasse em uma estria, ou em um fragmento cristalizado. A beleza é obscena, pura, incontrolável, livre e nua. É presente para quem sabe ver. A beleza é um bem que mora na filosofia.

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Rafaela Martins é jornalista e atriz em Londrina, Pr. Conto incluído na Escrita 49.


Outra Margem

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  –  Uma prosa poética de Dan Dorneles  –

Será orvalho ou madrugada quando o que se sente não é nem afago nem suor-temporal? Um retalho de céu esculpido em fronteiras que o vento balança. Pelas frestas e copas de árvores gigantes jorram aos montes mariposas e estrelas. Luzidias criaturas a escorrer entre os galhos e pelos dessas deusas madeira – tão verdes, serenas- de folha ou de fruto. Murmúrios, morcegos, floreiras, silêncio bravio na corda dos nervos. Ali anoitece, no suspiro das pedras, cachoeiras, peraus, no sangue dos rios a correr e andar. Resistência na terra, como se fera querendo parir. E nascem milhões: sementes de espera no cio das restevas com trigo maduro e mãos de porvir. Permaneces no corpo, na seiva das plantas, na carne dos bichos, na carne do homem (que é bicho também). Se parto, me partes, coisa tão inteira: tão parte daqui, tão parte de mim.
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Dan Dorneles estuda Letras Español Português como Línguas Estrangeiras na UNILA, em Foz do Iguaçu, Pr.    Imagem: Lua em Foz do Iguaçu, céu de fronteira. Texto e foto inseridos na edição 49 da Escrita.


Para pensarmos

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  –  Uma crítica a ideologia da família tradicional. Opinião de Daniela Schlogel  –

De todos os argumentos propagados pelos crítico à ideologia de gênero, um do que mais me chama atenção é aquele que diz que defender a diversidade põe em risco a família brasileira.

 

É preciso deixar claro de qual família eles estão falando. Essa família em risco de extinção é a família tradicional que vive aqui na república das bananas copiando o life style da família real britânica. Essa família tradicional é formada por um casal heterosexual e seus lindos filhos planejados e que foram concebidos depois que este casal já tivesse condições de saber como iria pagar a faculdade dos mesmos. As vezes esta família vive em harmonia com seu lugar social, é acolhedora com os demais, vai às reuniões da escola e a alguma Igreja. Respeito este modelo de família, e que bom para quem a tem.

 

Acontece que mais do que algumas vezes  essa família tradicional defende que todos deveriam se esforçar para seguir este modelo. E os esforços aceitos são dos mais variados possíveis. Essa família tradicional, não raras as vezes pressiona uma mulher a fazer um aborto caso ela não tenha um parceiro, não tenha idade suficiente para ser mãe, ou a gravidez não seja de um pai a altura de tal família. Porém, esta família não reconhece que a decisão de ter filhos é da mulher e não vota em candidato “oborteiro”. Essa família, não raras as vezes tolera um abuso sexual de um padrasto ou um tio em uma criança, e abafa o caso para não ficar feito para a tal “família”. Há também casos, em que as crianças, na maioria das vezes meninas, são culpadas do abuso pela família tradicional e essa mesma criança é aconselhada por algum patriarca ou mulher representante do patriarcado a não contar para ninguém do abuso para não destruir a família. Em nome de se manter a imagem, a família tradicional não retira o abusador do círculo social. Apenas tenta cuidar para que o caso não se repita.

 

A família tradicional, muito preocupada em garantir que esta instituição tão cara para elas não seja abalada, se esforça em educar suas meninas para serem mulheres e seus meninos para serem homens. Para isso, repetem constantemente a frase “não faz isso, isso não é coisa de menina”, “segura suas cabras que meu bode tá solto”, “já sabe cozinhar então já pode casar” e uma série de outros comentários que condicionam e cerceiam os direitos das meninas e meninos de serem o que eles quiserem. A família tradicional muitas vezes é composta por pais, mães, filhos e irmãos que não têm bom relacionamento. Muitas vezes eles não se dão bem por causa de todas as imposições da família tradicional e porque as expectativas colocada sobre eles foram muito pesadas, gerando decepções e mágoas profundas.

 

Agora vamos pensar um pouquinho, se for essa família que está em risco de extinção será mesmo que temos que lutar para que isso não aconteça? Famílias nunca deixarão de existir, nos reunimos em grupos, precisamos amar e ser amados. E se as novas famílias forem compostas das mais várias formas de ser família, e se as novas famílias puderem ser formadas a partir do respeito a individualidade de cada um e não de um padrão do que cada um tem que ser, alguém sai perdendo?

 

A discussão de gênero tem como objetivo falar sobre coisas que sentimos na pele mas que não eram debatidas nem na família, nem na escola e nem em um lugar nenhum, como machismo, sexualidade e sexismo. Não se trata de fazer ideologia nem de gênero, nem dos costumes do padrão de família tradicional. Aqueles contra o que chamam de “ideologia de gênero”, no fundo estão percebendo que a ideologia deles da “família tradicional burguesa” está perdendo espaço, porque não existe um campo neutro entre elas. Se existirá uma outra opção, ele terá que ser construída. Mas falta entender que aquele modelo de família tradicional só é questionado porque ele já foi fruto de muito sofrimento e não serve mais, é preciso se abrir para a construção de um mundo novo.

Quando vamos começar a construir o nosso mundo? Se trata de defender a felicidade de todos, de quem se enquadra e de quem não se enquadra. Se trata de lutar pelos Direitos Humanos e pela Diversidade.

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Daniela Schlogel é economista e agente cultural em Foz do Iguaçu, Pr.


Dia do Livro, comemorar o quê?

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  –  Para cumprir meta em 2020, Brasil precisa de 81 novas bibliotecas por dia  –

 

Sempre imaginei o paraíso como um tipo de biblioteca” (Jorge Luiz Borges)

O Brasil celebra oficialmente o Dia Nacional do Livro em 29 de outubro. A efeméride homenageia a Biblioteca Nacional, criada em 1810 e considerada um dos 10 maiores equipamentos nacionais de livro e leitura do mundo pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

No Brasil, uma distância abissal separa a retórica oficial e as efetivas políticas públicas para o livro, a biblioteca e a leitura, elementos reverenciados por agentes públicos e governos de todas as esferas. Os índices não mentem: 44% da população simplesmente não lê, diz a pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, de 2016, feita pelo Instituto Pró-Livro.

Há outros indicadores que evidenciam a ineficiência da ação governamental dentro da meta que prevê a construção de uma nação de leitores. Para cumprir a lei que determina que todas as escolas brasileiras tenham uma biblioteca até 2020, seria necessária a construção de 80 equipamentos por dia, conforme o levantamento do Movimento Todos pela Educação.

A lei n° 12.244 entrou em vigência em 2010, com a nobre intenção de promover a universalização das bibliotecas nos estabelecimentos de ensino do país. Em seus lacônicos quatro parágrafos e um artigo, a legislação assevera: “Será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no mínimo, um título para cada aluno matriculado”.

Clique para consultar a lei

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12244.htm

 

No quintal de casa

Enquanto a legislação nacional impõe a construção de espaços, em Foz do Iguaçu a Biblioteca Cidadã Paulo Freire está abandonada, entregue ao vandalismo e à destruição. Quando foi inaugurada em 2007 pelo Governo do Estado e repassada à Fundação Cultural, reunia 2 mil livros e um telecentro com computadores conectados à internet.

O equipamento de leitura está situado na Vila “C”, na área Norte, uma das mais populosas do município, local em que vivem ex-barrageiros que trabalharam na construção da hidrelétrica de Itaipu. Recentemente, o bairro passou a receber um grande número de estudantes da Unila (Universidade Federal da Integração Latino-Americana).

A deterioração da Biblioteca Cidadã Paulo Freire é completa. O acervo de livros está sendo destruído, os vidros das janelas, o telhado e as portas estão quebrados e o matagal toma conta do ambiente. No final de 2014, o espaço foi fechado oficialmente. A direção da Fundação Cultural chegou a anunciar, em 2015, que estudava a retomada dos serviços da biblioteca.

Clique aqui para ler “Medio pan y un libro”, de Garcia Lorca

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Guatá/Paulo Bogler


Vou embora com o circo

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  –  Um conto de Mano Zeu  –

A gente atravessava a cidade inteira pra se ver. Era mais fácil ficar morando junto. Foi o que acabou acontecendo. Sabe o que eu mais gostei quando vi aquela pessoa pela primeira vez? As covinhas que se formavam no rosto quando sorria. Pensei comigo: “ai, como eu queria me enterrar nessas covinhas”. É claro que não foi o que eu disse. Na verdade eu nunca lhe contei esse detalhe. Na época eu achava desimportante. Queria surpreender com palavras bonitas, inteligentes, mas o que saiu foi o clássico: “você vem sempre aqui?”, “será que chove?”. E que chuva. Tempestade, trovão, trégua. Poderia chover eternamente por sobre o infinito desse encontro. Nós dois molhados, tremendo de frio. Química, café, cafuné. A pessoa gostava sem açúcar. Eu gostava doce. Depois ficou tudo meio sem sal. A rotina sabe jogar e não entra em campo pra perder. O mesmo papai e mamãe, feijão com arroz, a mesma musica, poltrona. Um dia após o outro. Os ponteiros do relógio no mesmo andamento. O roteirista perdeu a criatividade. A gente vai achando que está tudo bem. Que é assim mesmo. Se acostuma. Não percebe mais as entrelinhas dos dias. As noites se padronizam. Mas lá no fundo fica aquela luz acesa como uma interrogação. Você fecha os olhos e ela lá, acesa, como que questionando algo. Quem dorme com um barulho desses? Boa pergunta!!! Eu não consegui. Parei o filme no meio. Chutei o pau da barraca. Fugi com o circo. Muitos falaram que eu abandonei as bets, mas na verdade eu mudei o jogo. Quando vi a imensidão do mar, o horizonte a se perder nas vistas, os pássaros pálidos, congelados no ar, na paisagem morta, imortalizada num quadro, agradeci a escolha. Luz, câmera, ação. A água salgada mexe com a gente. O barulho das ondas. Cheiro de céu azul. Até a chuva é diferente. Molha o corpo com sabor de som. Depois foi a cachoeira, sonora, seguindo seu curso, mãe da eternidade. Depois a terra seca, se refazendo em fendas, ceifadora de sorrisos. Depois a floresta, úmida, guardiã dos mistérios, provocadora de passos. Nuvens nuas, nuances, sulcos, ciclos. E lá no fundo a luz acesa. Passos desajeitados, estranhamento, entranhamento. Os prédios engolindo o céu. A tarde cinza engolindo a noite. O gosto de asfalto no céu da boca. Fugir da rotina se tornara uma rotina. Por onde andará aquelas covinhas? Será que sabe que estou por aí, sem rumo certo, cavando minhas covas? Esse farol aceso me iluminando o peito. Me cegando aos poucos. Me afogando em faltas. Um descompasso de vôo. Pedregulhos, paralelepípedos. O vento áspero roçando a face. Os membros do corpo em desconcerto. Desconforto. Sentidos em desencontro. Coração e cérebro em desacordo. Um precipício de vozes, silenciosas, soando súplicas, semeando fel. Sepultando falas. Um vazio preenchendo o peito. Uma palavra pendente. Um olhar por sobre a fragilidade da existência. Uma cobra engolindo o rabo. O gênesis no âmago do ômega. Bateu sombra nos sonhos. E a luz acesa.

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(do livro Contos que me Contam – de Mano Zeu). Conto incluído na edição 49 de Escrita.


Morte e Vida Severina

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  – Poema que consagrou João Cabral de Melo Neto tem versão animada  –

Morte e Vida Severina em Desenho Animado é uma versão audiovisual da obra prima de João Cabral de Melo Neto, adaptada para os quadrinhos pelo cartunista Miguel Falcão. Preservando o texto original, a animação 3D dá vida e movimento aos personagens deste auto de natal pernambucano, publicado originalmente em 1956.

Em preto e branco, fiel à aspereza do texto e aos traços dos quadrinhos, a animação narra a dura caminhada de Severino, um retirante nordestino, que migra do sertão para o litoral pernambucano em busca de uma vida melhor. Os 55 minutos em dura o filme, traduzem a poesia contundente que consagrou o poeta pernambucano.

 

 

 

O livro – 

“Morte e Vida Severina” é um livro de João Cabral de Melo Neto publicado em 1955, trata-se de um relato sobre a dura trajetória do retirante sertanejo em busca de uma vida melhor na capital pernambucana. A obra ganhou, ao longo de décadas, várias adaptações para o cinema e teatro. Fragmentos ganharam melodia de Chico Buarque.

Clique aqui e baixe a versão em quadrinhos de Miguel Falcão.

Clique aqui e acesse à adaptação para o cinema que o diretor Zelito Vianna produziu em 1977.

 

João Cabral de Melo Neto, um dos maiores poetas brasileiros do século XX (Foto: arquivo MinC)

O autor

João Cabral de Melo Neto, poeta e diplomata brasileiro, nasceu em Recife, no 9 de janeiro de 1920  e morreu no Rio de Janeiro, 9 de outubro de 1999.

Sua obra poética, que vai de uma tendência surrealista até a poesia popular, porém caracterizada pelo rigor estético, com poemas avessos a confessionalismos e marcados pelo uso de rimas toantes, inaugurou uma nova forma de fazer poesia no Brasil.

Foi agraciado com vários prêmios literários no Brasil. Entre eles o Prêmio da Poesia, do Instituto Nacional do Livro, o Prêmio Jabuti da Academia Brasileira do Livro e o Prêmio da União Brasileira de Escritores. Internacionalmente, ganhou o o Prêmio Neustadt, tido como o “Nobel Americano”, sendo o único brasileiro galardoado com tal distinção. Quando morreu, em 1999, especulava-se que era um forte candidato ao Prêmio Nobel de Literatura.

Irmão do historiador Evaldo Cabral de Mello e primo do poeta Manuel Bandeira e do sociólogo Gilberto Freyre, João Cabral foi amigo do pintor Joan Miró e do poeta catalão Joan Brossa. Foi casado com Stella Maria Barbosa de Oliveira, com quem teve os filhos Rodrigo, Inez, Luiz, Isabel e João. Casou-se em segundas núpcias, em 1986, com a poetisa Marly de Oliveira.

O escritor foi membro da Academia Pernambucana de Letras e da Academia Brasileira de Letras.

 

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Guatá / Wikipédia/ Farofafilosófica

 


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