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Fronteira da educomunicação

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  –  Programa Tirando de Letra leva ao Colégio Três Fronteiras a arte da chilena Violeta Parra  –

 

Estudantes da primeira série do ensino médio do Colégio Três Fronteiras, em Foz do Iguaçu, participaram de atividades artístico culturais em homenagem aos cem anos de Violeta Parra (1917-1967). Elas aconteceram no dia 20 de novembro, quando, baseado em um vídeo sobre a vida da artista chilena e uma exposição que reproduz trabalhos visuais feitos por Violeta, mediadores de leitura da Guatá desenvolveram roda de conversa e um exercício de expressão com o objetivo de estimular o interesse pelos artistas latino-americanos e pela proximidade entre as línguas portuguesa e espanhola.

As atividades culturais nas escolas de Foz do Iguaçu são totalmente gratuitas e compõem a parte itinerante do programa Tirando de Letra, mantido pela Associação Guatá.

A pedagoga Mayumi Takahashi, da equipe matutina do colégio, avalia que atividades com essa natureza têm sentido profundo no cotidiano das escolas públicas. “A importância principal de ações como a da Guatá está em evidenciar para nossos estudantes a riqueza da produção cultural da América Latina. Principalmente quando a atividade tem interatividade com os alunos, como é o caso do exercício proposto de criação textual a partir de informações sobre o assunto apresentado.”

Ao final dos trabalhos no Colégio Três Fronteiras, que está localizado na região do Porto Meira, em Foz do Iguaçu, mais de 10 cartazes poéticos haviam sido produzidos pelo grupo de estudantes. Conforme explica Kariny Wermouth, da coordenação do programa Tirando de Letra, eles passarão a fazer parte do acervo fixo da Guatá, a exemplo de outros já colhidos em outros locais. “Nossa ideia é viabilizarmos no ano que vem uma exposição reunindo todo esse acervo.”

Banca de Leitura da Guatá

Como é de praxe, centenas de panfletos e outros adereços poéticos foram distribuídos, juntamente como exemplares da revista Escrita para os presentes à atividade cultural. Entre os autores, fragmentos do trabalho de celebridades das letras latino-americanas, como Neruda, Eduardo Galeano, Cecília Meireles e Carolina de Jesus estão mesclados à expressão verbal de autores locais, muitos desses constituídos como tal a partir de uma primeira visita aos atos públicos da Guatá – Cultura em Movimento. Só entre os autores publicados nas 49 primeiras edições da revista Escrita, podem ser contabilizados mais de 200 pessoas até então inéditas editorialmente falando.

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Guatá/Silvio Campana – Fotos e Vídeo: Julio Fornari


‘Medio pan y un libro’ (Meio pão e um livro)

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  –  Um fragmento do Discurso do poeta Federico García Lorca, na inauguração da biblioteca de sua cidade natal, “Fuente Vaqueros”, em Granada, Espanha, em setembro de 1931  –

 

“Lorca”, por FC

Meio Pão e um Livro

“Quando alguém vai ao teatro, a um concerto ou a uma festa não importa de que natureza seja, se a diversão for de seu agrado, lembra imediatamente e lamenta que as pessoas de quem ele gosta não se encontram ali. “Isto agradaria à minha irmã, a meu pai”, pensa, e assim já não usufrui do espetáculo senão por meio de uma ligeira melancolia. Esta é a melancolia que eu sinto, não pelo pessoal de minha casa, pois seria insignificante e precário, mas sim pelas criaturas que por falta de meios e por má sorte não usufruem do bem supremo da beleza, que é vida e é bondade e é serenidade e é paixão.

 

“Por isso nunca tenho um livro, pois dou de presente todos os que compro, que são inúmeros”, e por esse motivo sinto-me honrado e contente aqui ao inaugurar esta biblioteca, certamente a primeira em toda região de Granada.

 

“Não só de pão vive o homem”. Eu se estivesse com fome e desamparado na rua, não pediria um pão, mas sim meio pão e um livro. E daqui eu critico violentamente aqueles que só falam de reivindicações econômicas sem citar jamais as reivindicações culturais, que é o que as cidades clamam aos gritos. Tudo bem que todos os homens comam, mas que todos os homens adquiram conhecimento. Que usufruam todos os frutos do espírito humano porque do contrário seria convertê-los em máquinas a serviço do Estado, seria convertê-los em escravos de uma terrível organização social.

 

“Eu tenho muito mais pena do homem desejoso de saber e não pode do que de um faminto”. Porque um faminto pode aplacar sua fome facilmente com um pedaço de pão ou com algumas frutas, mas um homem que tem ânsia de saber e não têm meios, sofre uma terrível agonia porque são livros e livros, muitos livros dos que necessita e onde estão esses livros?

 

Livros! Livros! Eis aqui uma palavra que equivale dizer: “amor, amor” e que os povoados deviam pedir como pedem pão ou como desejam a chuva para sua lavoura. Quando o insigne escritor russo Fedor Dostoievski, pai da revolução russa muito mais que Lênin, estava preso na Sibéria, alijado do mundo, entre quatro paredes e cercado de planícies de neve infinita; e pedia socorro em carta à sua família que estava distante, só dizia: “Enviem-me livros, livros, muitos livros para que minh’alma não morra!”. Estava com frio e não pedia aquecimento, tinha uma sede terrível e não pedia água: pedia livros, quer dizer, horizontes, quer dizer, escadas para subir o cume do espírito e do coração. Porque a agonia física, biológica, natural, de um corpo com fome, sede e frio, dura pouco, mas a agonia da alma insatisfeita dura toda a vida.

 

“Já disse o grande Ménéndez Pidal, um dos sábios mais autênticos da Europa, que o lema da República deve ser: “Cultura”. Cultura porque só através dela podem ser resolvidos os problemas em que se debate hoje o povo cheio de fé, mas carente de luz”

Discurso em sua íntegra pronunciado por Federico Garcia Lorca na inauguração da biblioteca de sua cidade natal, Fuente Vaqueros (Granada), em setembro de 1931.

 

Clique aqui para ler sobre a situação da leitura no Brasil

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‘Medio pan y un libro’

 

Cuando alguien va al teatro, a un concierto o a una fiesta de cualquier índole que sea, si la fiesta es de su agrado, recuerda inmediatamente y lamenta que las personas que él quiere no se encuentren allí. ‘Lo que le gustaría esto a mi hermana, a mi padre’, piensa, y no goza ya del espectáculo sino a través de una leve melancolía. Ésta es la melancolía que yo siento, no por la gente de mi casa, que sería pequeño y ruin, sino por todas las criaturas que por falta de medios y por desgracia suya no gozan del supremo bien de la belleza que es vida y es bondad y es serenidad y es pasión.

 

Por eso no tengo nunca un libro, porque regalo cuantos compro, que son infinitos, y por eso estoy aquí honrado y contento de inaugurar esta biblioteca del pueblo, la primera seguramente en toda la provincia de Granada.

 

No sólo de pan vive el hombre. Yo, si tuviera hambre y estuviera desvalido en la calle no pediría un pan; sino que pediría medio pan y un libro. Y yo ataco desde aquí violentamente a los que solamente hablan de reivindicaciones económicas sin nombrar jamás las reivindicaciones culturales que es lo que los pueblos piden a gritos. Bien está que todos los hombres coman, pero que todos los hombres sepan. Que gocen todos los frutos del espíritu humano porque lo contrario es convertirlos en máquinas al servicio de Estado, es convertirlos en esclavos de una terrible organización social.

 

Yo tengo mucha más lástima de un hombre que quiere saber y no puede, que de un hambriento. Porque un hambriento puede calmar su hambre fácilmente con un pedazo de pan o con unas frutas, pero un hombre que tiene ansia de saber y no tiene medios, sufre una terrible agonía porque son libros, libros, muchos libros los que necesita y ¿dónde están esos libros?

 

¡Libros! ¡Libros! Hace aquí una palabra mágica que equivale a decir: ‘amor, amor’, y que debían los pueblos pedir como piden pan o como anhelan la lluvia para sus sementeras. Cuando el insigne escritor ruso Fedor Dostoyevsky, padre de la revolución rusa mucho más que Lenin, estaba prisionero en la Siberia, alejado del mundo, entre cuatro paredes y cercado por desoladas llanuras de nieve infinita; y pedía socorro en carta a su lejana familia, sólo decía: ‘¡Enviadme libros, libros, muchos libros para que mi alma no muera!’. Tenía frío y no pedía fuego, tenía terrible sed y no pedía agua: pedía libros, es decir, horizontes, es decir, escaleras para subir la cumbre del espíritu y del corazón. Porque la agonía física, biológica, natural, de un cuerpo por hambre, sed o frío, dura poco, muy poco, pero la agonía del alma insatisfecha dura toda la vida.

 

Ya ha dicho el gran Menéndez Pidal, uno de los sabios más verdaderos de Europa, que el lema de la República debe ser: ‘Cultura’. Cultura porque sólo a través de ella se pueden resolver los problemas en que hoy se debate el pueblo lleno de fe, pero falto de luz.”

Discurso íntegro pronunciado por Federico Garcia Lorca en la inauguración de la biblioteca de su pueblo natal, Fuente Vaqueros (Granada), en septiembre del año 1931.

 

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Frederico Garcia Lorca, poeta espanhol. (1898-1936)


La Parra de los estudiantes

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  –  100 anos de Violeta Parra: estudantes conhecem obra da artista chilena. Atividades integram o projeto Tirando de Letra, da Guatá  –

 

Veja um pouco de como foi no Colégio Gustavo Dobrandino:

 

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Estudantes e professores dos colégios estaduais Gustavo Dobrandino e Monsenhor Guilherme participaram de atividades culturais em homenagem aos cem anos de Violeta Parra (1917-1967). A programação nas escolas, nesta quarta-feira e quinta-feira (25 e 26), incluiu exposição e rodas de conversa sobre a vida e a obra da artista chilena

No Colégio Gustavo Dobrandino, os estudantes das séries finais do ensino médio participaram de exercício lúdico, que resultou na elaboração de poemas coletivos. Os trabalhos confeccionados no Gustavo Dobrandino foram apresentados e interpretados por alunos e professores do Colégio Monsenhor Guilherme.

As atividades culturais gratuitas nas escolas de Foz do Iguaçu fazem parte das ações itinerantes do Programa Tirando de Letra, mantido pela Associação Guatá. A homenagem a Violeta Parra visa contribuir para a popularização da obra de artistas latino-americanos e valorizar as expressões culturais identitárias dos povos do continente.

A professora Angela da Silva Moreira, parceira da Guatá nas atividades nas escolas, ressaltou a interação proporcionada pela iniciativa. “Nossos alunos ficaram com muitas impressões importantes”, frisou. “Foram momentos para dialogar e se colocar no lugar do outro, entender quem é a pessoa que está próxima de nós, suas origens, histórias e sonhos”, enfatizou.

 

Impressões

O estudante Cristian Gabriel, do Colégio Gustavo Dobrandino, participou da roda de conversa e da produção de poema coletivo. Ele destacou a importância de se conhecer e reconhecer as culturas dos povos e países vizinhos. “Gostei muito, pois as atividades trabalharam com temas culturais de nossas raízes”, disse.

O debate sobre temas que fazem parte do dia a dia e da realidade de cada pessoa, a partir da produção cultural e artística, foi ressaltado pelo estudante Welington Ribeiro. “Gostei pelo fato da programação trazer cultura e fontes que jamais a televisão iria nos mostrar, nos dizer com tanta clareza e realidade”, apontou.

 

Um pouco do que foi no Colégio Monsenho Guilherme:

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Gracias, Violeta Parra

Sensível, vanguardista, comprometida, intensa, Violeta Parra deu visibilidade às cores, traços e sotaques da rica cultura popular do Chile pela música, poesia, artes plásticas e teatro. A artista nasceu em 04 de outubro de 1917. Deprimida, Violeta Parra suicidou-se aos 49 anos, em 1967, pouco depois de compor Gracias a la vida e Me gustan los estudiantes, duas de suas canções mais conhecidas, que ganharam o mundo.

A criação artística comprometida de Violeta Parra embalou o movimento chamado de “Nova Canção”, contemporâneo da lutas e transformações sociais dos anos 1960. Dele, fizeram parte nomes como Víctor Jara e Quilapayún (Chile), Atahualpa Yupanqui e Mercedes Sosa (Argentina) e Pablo Milanés (Cuba). No Brasil, Milton Nascimento, Elis Regina, Dercio Marques, grupo Tarancón e muitos outros artistas interpretaram canções de Violeta Parra.

Clique aqui para ver mais de Violeta Parra, 100 anos!

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Guatá/Paulo Bogler. Fotos: Angela Silva

 

 

 


Inaceitável!

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  –  Desigualdade nunca foi tão acentuada no mundo. Oito pessoas detêm riqueza equivalente à de metade da população mais pobre do mundo  –

 

 

Entre os mais ricos, todos são empresários e homens, afirma relatório da Oxfam. Para a organização internacional, o nível de desigualdade “ameaça fraturar nossa sociedade”.

 

O abismo social entre os super-ricos e as camadas mais pobres da população mundial é maior do que se pensava, com apenas oito pessoas detentoras de uma riqueza equivalente ao acúmulo total da metade menos favorecida do mundo, ou seja, 3,6 bilhões de indivíduos. O alerta foi feito nesta segunda-feira (16/01) pela ONG Oxfam (Comitê de Oxford de Combate à Fome), por ocasião da realização nesta semana do Fórum Econômico Mundial de Davos. A ONG chamou a atenção para um nível de desigualdade que “ameaça fraturar nossa sociedade”.

 

Segundo o documento, intitulado “Uma economia para 99%”, seis dos indivíduos mais ricos do mundo são dos Estados Unidos, um é da Espanha e um é do México. Todos são empresários e homens. São eles: Bill Gates, da Microsoft; Amancio Ortega, da Inditex; Warren Buffett, maior acionista da Berkshire Hathaway; Carlos Slim, proprietário do Grupo Carso; Jeff Bezos, da Amazon; Mark Zuckerberg, do Facebook; Larry Ellison, da Oracle; e Michael Bloomberg, da agência de informação de economia e finanças Bloomberg.

 

Para a entidade, o relatório evidencia que os novos dados disponíveis, sobretudo da China e da Índia, permitem afirmar que “a lacuna entre ricos e pobres é muito maior do que se temia”.

 

Em comunicado, a diretora-executiva da Oxfam Internacional, Winnie Byanyima, afirmou que, “quando uma em cada dez pessoas no mundo sobrevive com menos de US$ 2 por dia, a imensa riqueza que acumulam apenas alguns poucos é obscena”.

 

VEJA NESTA ANIMAÇÃO, ENTENDA MELHOR O ESTÁGIO DE CONCENTRAÇÃO DE RIQUEZAS DO PLANETA:

 

“A desigualdade está prendendo centenas de milhões de pessoas na pobreza; está fraturando nossas sociedades e minando a democracia”, afirmou.

 

Byanyima acrescentou ainda que ao tempo que muitos salários se encontram estagnados, as remunerações dos presidentes e altos diretores de grandes empresas têm disparado. “Os investimentos em saúde e educação são cortados, enquanto as corporações e os super-ricos reduzem ao mínimo sua contribuição fiscal”.

 

De acordo com a organização, o ritmo no qual os mais ricos acumulam cada vez mais riqueza poderia dar lugar ao primeiro “trilionário” do mundo em apenas 25 anos. “Com essa concentração de riqueza, esta pessoa necessitaria esbanjar um milhão de dólares por dia durante 2.738 anos para gastar toda sua fortuna”, segundo a Oxfam.

 

NO BRASIL – As seis pessoas mais ricas do Brasil possuem uma riqueza equivalente ao patrimônio de 100 milhões de brasileiros com menos recursos, metade da população do país, segundo um relatório divulgado na segunda-feira pela organização Oxfam. “O Brasil permanece com um dos piores países do mundo em matéria de desigualdade de rendimento e tem mais de 16 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza”, indicou o estudo “A distância que nos une”, elaborado pela organização não governamental Oxfam Brasil. A ONG alertou que a tendência é “ainda mais preocupante” porque, segundo as projeções do Banco Mundial, o Brasil poderá ter mais 3,6 milhões de pobres até ao final deste ano. A Oxfam indicou como fatores das enormes diferenças no país “o sistema tributário regressivo que pesa fortemente sobre a classe média e mais pobre”, a “discriminação” por raça e gênero e a “falta de espírito democrático do sistema político, que concentra o poder e é altamente propenso à corrupção”.(dw)

 

Desigualdade crescente

Entre 1988 e 2011, a renda dos 10% mais pobres da população mundial aumentou em média US$ 3 por ano, enquanto a do 1% mais rico cresceu 182 vezes mais, a um ritmo de US$ 11.800 por ano.

 

As mulheres sofrem maiores níveis de discriminação no trabalho e assumem a maior parte das funções não remuneradas. Segundo a Oxfam, no ritmo atual, levará 170 anos para se conseguir a igualdade salarial entre homens e mulheres.

 

A organização propõe que os governos aumentem os impostos tanto das grandes fortunas como das rendas mais altas; que cooperem para garantir que os trabalhadores recebam salários dignos e que freiem a evasão e as artimanhas fiscais para reduzir ao mínimo o imposto de sociedades.

 

Além disso, recomenda que os governos apoiem as empresas que operam em benefício de seus trabalhadores e da sociedade e não só no interesse dos acionistas; e que assegurem que as economias sirvam de maneira equitativa a mulheres e homens.

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DW


Escrita, a primavera

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  –  A edição 48 da revista Escrita chega à nova estação  –

 

É primavera! Setembro. E setembro é o mês de aniversário da Guatá. Aliás, diga-se de passagem, este ano estamos completando 13 anos de atuação ininterrupta em Foz do Iguaçu. Então, quando agosto findou e entrou setembro na folhinha, virou presente e festa o que ja ressoava fazia um tanto de tempo: nova edição da revista Escrita na praça e na nova estação.

A foto da capa é da Áurea Cunha, mostrando um detalhe da vida que pulsa dentro do Parque Nacional do Iguaçu. Recentemente ela produziu uma crônica visual sobre o entardecer no Parque Nacional do Iguaçu. Na edição, inclusive, publicamos o texto “O anoitecer nas Cataratas” que acompanhou a exposição daquele ensaio aqui mesmo na página eletrônica da Guatá.

Ainda sobre fotografia, reunimos trabalhos de outros profissionais. São os casos do Marcos Labanca, de Foz, da Jaqueline Vieira, londrinense que recentemente também publicou com a gente o ensaio sobre a ocupação “Flores do Campo”, tratando do direito à moradia popular. E, finalmente, do carioca Moskow, que dá brilho às páginas centrais da revista.

Páginas centrais – Moskow iniciou na fotografia pelo fotojornalismo e  trabalhou para veículos da grande imprensa brasileira, norte americana  e europeia. Hoje, com mais de duas décadas de atividade, fotografa desde grandes editoriais de moda a esporte e, finalmente, produz fotos autorais, embasado na ideia de que precisamos de mudanças no modo de existir da Humanidade.  Tem uma ligação afetiva com Foz do Iguaçu por conta de parentes que vivem na cidade. Foi através de uma irmã é que sua arte chegou às paginas da Escrita. Ele também faz incursões pela poesia e um pouquinho disso também é mostrado na revista. Uma belíssima colaboração, sem dúvida.

 

 

Entre os fotógrafos chamados amadores estão Luana Luz, Bruna Carvalho, João Otávio, Manuella Sampaio e Mariana Baez Coronel. Com equipamentos os mais variados, que vão de celulares a máquinas mais requintadas, eles mantém o espírito da revista, que é canalizar a expressão de todas as pessoas que têm algo a nos contar.

Ainda entre as produções na seção Olhos, temos os traços dos ilustradores Lalan Bessoni (São Paulo), Natalia Gavotti (argentina que trabalha em Curitiba), Frankie Olive (estudante de antropologia da Unila) e Dieguito, na fronteira entre o Paraguai e o Brasil.

 

Buenas palabras – Douglas Diegues volta à revista Escrita. É del poeta brasilero mais paraguaio que se tem notícia o poema em “portunhol selvage” que abre a revista. “…mudar mudar mudar / relutar renovar ousar / injectar nuebíssimo ar / encontrar antes mismo de buscar.” diz ele.

Ainda com sotaque portunhol, o ator e professor argentino de língua portuguesa em Missiones, Danilo Iván, nos brinda com uma coleção de poemas que ressaltam traços da língua e experiência guarani em nossa região trinacional. Também nesta vertente, a poética de Giane Lessa nos eleva o destino de estar na fronteira dos países, da poesia, da fantasia e realidade.

“Olhos e Palavras”: fotografias de João Octávio Lourenço e poema de Cleonice Marçal.

E valorizando a palavra contida na existência da terra de fronteira, Escrita 48 tem um pouquinho de muitas linguagens e temáticas que iguaçuenses cultivam e elaboram. Publicamos o conto inédito do jornalista Aluízio Palmar, datado no longínquo 1958, com ilustração feita pelo autor adolescente à época e tudo. Ainda na prosa, o músico Julio Fornari, a microempresária Vivien de Lima e a a atleta Indiamara Oliveira se arriscam por comentários e diálogos sobre o cotidiano e o resto de nossas vidas no dia a dia. A esses escritos, somam-se os poemas das iguaçuenses (postiças ou não) Cleonice Marçal, Júpiter e Josiane Boucinha.

É Josiane, bacharel em História e comerciária, que comenta a participação na revista. “É uma grande honra ter uma publicação nesta revista que acho sensacional, que nos inspira com seus inscritos, traz a cultura à fronteira e para dentro dos nossos corações. Escrita nos dá o prazer de compartilhar um pouco de nós com as outras pessoas.”

De longe –  Mas Escrita 48 tem a marca da diversidade. E é de um outro ponto do mapa, da gaucha Porto Alegre que Alissa Gottfried, ativista cultural, nos envia o poema/ensaio “Tratado da Arte Profunda”. Também é de longe e em forma de poema a participação de Raphael Rodrigues, técnico em reciclagem paulistano, e de Andrea Palmar de Almeida, de Assunção, PY.

Por último e referendando a ideia da Guatá de que todo leitor é uma espécie de correia de transmissão do estímulo à expressão verbal, uma pequena história de como esse fenômeno acontece e acomete as páginas da Guatá positivamente. Rebecca Nora, música e estudante de Serviço Social no Rio de Janeiro, participou de um evento sobre Cultura na Unila, onde conheceu presencialmente a banca da Guatá. Na época, levou uma coleção de folheteria literária e exemplares da revista para distribuir entre seus amigos no Rio de Janeiro. Passado algum tempo, Rebecca reuniu a poemas de sua autoria os escritos de mais duas cariocas como ela, Sofia Alves e AnaiLuJ, e enviou para o conselho editorial da Escrita. E assim a edição 48 ganhou novas amigas autoras/leitoras.

COMENTÁRIO DE REBECCA NORA: “Nãooo, eu nunca tinha publicado poesia, só artigo acadêmico. Tô me sentindo muito feliz!! A revista é muito maravilhosa e poder fazer parte dessa construção é muito gratificante. Eu enviei porque eu acredito no poder de transformação da arte, e a revista é um espaço privilegiado para tocar as pessoas. Quanto às minhas amigas eu chamei porque acho que uma oportunidade de parceria dessas não pode passar assim, divulgar informação é uma coisa que eu defendo muito também, então não tinha porque não construir essa ponte. Especialmente minha amiga Sofia eu chamei pois acredito muito nela, se eu escrevo hoje em grande parte é por causa dela, acho que ela é uma daquelas pessoas que tem um futuro maravilhoso pela frente, ela escreve genialmente desde o ensino médio e, enfim. Não imaginava um mundo onde uma oportunidade dessa existisse e ela não fizesse parte.”

 

Aqui, todos os nomes dos que colaboram na edição 48 de Escrita:

PALAVRAS – Alissa Gottfried, Aluízio Palmar, AnaiLuJ, Andrea Palmar de Oliveira, Áurea Cunha, Cleonice Marçal, Danilo Iván, Douglas Diegues, Giane Lessa, Indiamara Oliveira, Josiane Boucinha, Julio Fornari, Júpiter, Karina Moschkowich, Moskow, Paulo Bogler, Raphael Rodrigues, Rebecca Nora, Sofia Alves e Vivien Lima.

OLHOS – Áurea Cunha, Bruna Carvalho, Dieguito, Frankie Olive, Jaqueline Vieira, João Otávio Lourenço, Manuella Sampaio, Marcos Labanca, Mariana Baez Coronel, Moskow, Natália Gavotti.
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Guatá/Silvio Campana


Gracias a la vida

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  –  Guatá leva Violeta Parra ao Encontro Internacional de Letras, na Unioeste  –

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De 20 a 22 de setembro, no campus iguaçuense da Unioeste, transcorre o IX Encontro Internacional de Letras e o III Simpósio de Transculturalidade Linguagem e Educação. A Guatá montou uma banca de leitura e exposição para interagir com os participantes.

As novidades da banca de leitura da Guatá ficam por conta da nova edição da Revista Escrita. Ao chegar no número 48, a publicação que reúne expressões verbais e visuais apresenta trabalhos interessantes. Tem convidados que enviaram de longe sua colaboração, como o fotógrafo carioca Moskow e o argentino Danilo Iván, que de Posadas, Missiones nos dá uma pequena mostra de sua poética através de um espanhol mesclado com vocábulos em guarani e até português.

Já a exposição preparada pela Guatá especialmente para o evento é um varal da arte multifacetada da cantora/autora chilena Violeta Parra. Ela faria 100 anos em 2017 e a homenagem vem na forma de posters que misturam letras de música, poemas e reproduções de peças visuais. Violeta se consagrou também com pinturas, bordados e esculturas em papel machê e barro.

O ENCONTRO – O IX Encontro Internacional de Letras (IX EILETRAS) e o III Simpósio Transculturalidade, Linguagem e Educação, com a finalidade de reunir acadêmicos, professores e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, numa perspectiva interdisciplinar, têm como objetivo fomentar debates, discussões e reflexões em torno do tema Teia de Saberes no Século XXI: linguagens, educação, tecnologias na educação.

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Guatá/Texto e fotos Áurea Cunha

 


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