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Prefácio

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  –  Um poema de Manoel de Barros.
Uma fotografia de Yuma Martellanz  –

 

“Niñez”, foto tomada por Yuma Martellanz em Bocas de Toro, no Panamá.

 

PREFÁCIO

Assim é que elas foram feitas
(todas as coisas) —
sem nome.
Depois é que veio a harpa e a fêmea em pé.
Insetos errados de cor caíam no mar.
A voz se estendeu na direção da boca.
Caranguejos apertavam mangues.
Vendo que havia na terra
Dependimentos demais
E tarefas muitas —
Os homens começaram a roer unhas.
Ficou certo pois não
Que as moscas iriam iluminar
O silêncio das coisas anônimas.
Porém, vendo o Homem
Que as moscas não davam conta de iluminar o
Silêncio das coisas anônimas —
Passaram essa tarefa para os poetas.

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Manoel de Barros, poeta brasileiro (1916-2014).
Yuma Martellanz, fotógrafa italiana em trânsito pelo Caribe, colaboradora da revista Escrita.


Confraternização dos Resistentes

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  –  Integrantes do CDHMP participam de Encontro no Rio Grande do Sul que reúne militantes da resistência à ditadura  –

“Quixote e os Moinhos”

Militantes dos direitos humanos em Foz do Iguaçu participam da “Confraternização dos Resistentes”, neste fim de semana (7 e 8), na cidade de Três Passos (RS). Estarão no ato público os membros do CDHMP (Centro de Direitos Humanos e Memória Popular), Aluízio Palmar, Edio Schroeder e Domingas Paris, além do iguaçuense Adão Almeida, que também atuou na resistência ao regime fardado.

Atividade de memória, solidariedade, homenagem e também de luta, a “Confraternização dos Resistentes” reúne a velha guarda formada de rebeldes que ousaram enfrentar o arbítrio no Brasil e na América Latina, em defesa da liberdade e da democracia. A programação de dois dias terá momento de acolhimento aos convidados, rodas de conversa, sarau e lançamento de livros.

Conforme Aluízio Palmar, um dos articuladores da atividade, a confraternização vai reunir a experiência dos quadros políticos em atividade desde os anos 1960 e a nova geração de lutadores sindicais e populares. “Estaremos com velhos e velhas camaradas de luta que ainda acreditam que um outro mundo é possível e com a nova geração de militantes do MST, da CUT e de partidos de esquerda”, informa

 

Resistentes de Três Passos, primeiro levante armado pós-64 – foto Reprodução

HOMENAGENS – Aberta ao público, a “Confraternização dos Resistentes” prestará homenagem ao “Gringo”, quadro da esquerda brasileira que completa 81 anos de idade e 50 de militância. O ato político também homenageará o revolucionário latino-americano Che Guevara, assassinado pela CIA depois de ter sido capturado com vida nas selvas da Bolívia, há 50 anos, no dia 8 de outubro.

Três Passos foi escolhida para sediar o encontro por ser o local de residência do militante “Gringo” e também pelo simbolismo e importância para a história da resistência à ditadura militar. Na cidade gaúcha aconteceu o primeiro levante armado contra o regime de violência e terror que arrebatou o poder pelas armas, em 1964. “Três  Passos é o berço do primeiro levante armado contra a ditadura e alguns sobreviventes serão homenageado durante o encontro”, frisa Palmar.

 

 

 

O QUE FOI A RESISTÊNCIA EM TRÊS PASSOS (*) – Durante a ditadura civil–militar que assombrou o país por 21 anos, nesta cidade do Rio Grande do Sul jovens e corajosos idealistas preparavam um campo de resistência à ditadura e para restabelecer a democracia no País. Neste período da história, o município também foi palco de tristes episódios que assombraram e ainda hoje estão vivos na memória da população.

Jornal destaca tomada da cidade por revolucionários – foto Reprodução

Ironicamente, o local onde atualmente as pessoas buscam aliviar suas dores – o Hospital de Caridade do município -, em maio de 1970 abrigava um quartel da Brigada Militar, utilizado como centro de repressão e tortura contra dezenas de presos políticos, a maioria ligados à Vanguarda Popular Revolucionária – VPR, liderada pelo Gringo, que será homenageado neste 8 de outubro.

Sob a coordenação do coronel do Exército Paulo Magalhães (na época à frente do DOI/CODI), o mesmo monstro que organizou a “Casa da Morte” em Petrópolis, no RJ, agentes do DOI/CODI e do DOPS se deslocaram para Três Passos para aplicar suas técnicas de tortura, interrogatórios e guerra psicológica. Tanto os ex–presos políticos e seus familiares, como os moradores da região, recordam a brutal sessão coletiva de tortura que ficou conhecida como “A noite de São Bartolomeu”, em alusão ao massacre de protestantes, ocorrido na França, em 1572.

Tanto ódio e sadismo justificava a descoberta de um dos grandes focos de organização da luta libertadora no Brasil: o comandante Carlos Lamarca se deslocaria para a região, acompanhado de um significativo grupo de civis e militares patriotas, para organizar o que para eles seria o principal centro irradiador da resistência contra a Ditadura. Para o grupo, a região do Alto Uruguai, que compreende Brasil, Argentina e Uruguai, se configurava como área estratégica para a guerrilha.

* Texto extraído do “Manifesto do Comitê Popular Memória Verdade e Justiça”, lançado em 28 de agosto de 2012, em Três Passos (RS)

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Guatá/ Reproduzido do site CDHMP


Bike e boas ideias

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  –  Venezuelanos percorrem o continente de bicicleta. Objetivo do grupo é obter ideias para construir um centro de triagem para animais silvestres na Venezuela  –

Pesquisa: venezuelanos buscam bons exemplos na área ambiental. (Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional)

 

Em busca de ideias para construir um centro de triagem de animais silvestres na Venezuela, um grupo de três arquitetos e uma veterinária partiu de bicicleta em uma expedição pela América do Sul. Na viagem, que já dura seis meses e deve ultrapassar mais de 12 mil quilômetros pedalados, um ponto certo de parada, na sexta-feira (21), foi o Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) – amplamente recomendado por outros refúgios e centros de triagens por onde os pesquisadores passaram.

Os venezuelanos acompanharam as explicações técnicas do veterinário Wanderlei de Moraes, da Divisão de Áreas Protegidas (MARP.CD), que conduziu os viajantes durante a visita especial.

Para o veterinário, foi uma surpresa receber os profissionais ciclistas: “É a primeira vez que recebemos especialistas buscando conhecer diversos locais para depois poder fazer um centro de recepção de animais. Eu me sinto muito feliz por poder ajudá-los a pensar nesse centro com mais tecnologia e com mais fluxo de trabalho. Para nós foi uma surpresa recebê-los de bicicleta”, destacou Moraes.

O projeto de construção de um Centro de Reinserção Agroecológico se deu a partir da carência que o país possui nas áreas de triagem e reinserção de animais na natureza. Como o Brasil possui grandes exemplos de referência nessa área, o quarteto decidiu percorrer centros de triagem e, um a um, foram sendo redirecionados a outros centros, redefinindo e ampliando a rota original da viagem que, no início, incluía poucos pontos de visita.

De acordo com a veterinária Adriana Cardozo (23), dos lugares por onde o grupo já passou o RBV “é uma evolução, um passo à frente no tratamento e na reabilitação da fauna silvestre. É um nível mais elevado. Para superá-lo, acho difícil. É um passo acima de tudo que já vimos.” Para Hector Melean (26), o principal “é observar a estrutura dos centros para não fazer um projeto que fique mudando”. Jesus Garcia (26), e Rosangela Jiménez (27), completam o trio de arquitetos.

Além da crise instalada na Venezuela, um problema que os pesquisadores enfrentam para tirar o projeto do papel é a falta de investimentos, tanto por parte do governo quanto de iniciativa privada, o que os faz buscar alternativas de construção autossustentável e que não necessite de um elevado financiamento. “Estamos visitando também locais que sejam feitos de bioconstrução, para facilitar os investimentos”, destacou Melean.

A questão ecológica, condições econômicas e a oportunidade de conhecer mais lugares foram a motivação da escolha de fazer a expedição em bicicletas: “Para nós, conhecermos vários centros de triagem iria custar muito. A bicicleta nos permite ir a esses locais sem muitos gastos”, explicou Melean.

Os jovens especialistas também puderam fazer sugestões ao refúgio. “Além de estarem trazendo as experiências em termos de arquitetura e veterinária, eles já passaram por muitos lugares e já estão podendo fazer comparações e sugestões. Então para nós é muito importante fazer esse tipo de intercâmbio”, afirmou Moraes.

Os pesquisadores em visita ao Refúgio Bela Vista. (Foto: Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional)

Além do RBV, o grupo esteve no Parque das Aves, no Refúgio GüiráOga, em Puerto Iguazú, Argentina e Paraguai. A expedição deve encerrar no Ushuaia, Argentina, de onde devem voltar de avião à Venezuela.

Para mais informações sobre o projeto, acesse http://centrora.com.ve/pb/.

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Assessoria Itaipu

 

 


A Escrita viaja…

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  –  Reunimos aqui registros que colaboradores e novos leitores da revista Escrita fazem da publicação circulando por aí  –

 

Chegada do pacote Tirando de Letra em Boa Vista, Roraima. Através dos amigos da EcoaEcoa, um coletivo que leva a sério a ideia da arte como ferramenta de transformação, os autores da Escrita serão lidos em cidades e aldeias do Norte. (Foto: Elisa Gottfried)

 

 

Hoje é 14 de agosto e finalmente recebemos boas notícias. Da pequena Américo Brasiliense, cidade do interior paulista, chega a prova de que a edição finalmente chegou às mãos de Gabriel Cortilho. Ele, um poeta dos bons, participou em página dupla na Escrita 47. Depois de duas tentativas em mais de dois meses, finalmente o Correio atendeu com sua obrigação. Já não era sem tempo.

 

|Integrantes do movimento cultural de Caaguazu, importante cidade paraguaia com a publicação da Guatá. (Foto: Maria Zaracho)

 

Panfletagem literária com material da edição 47 da Escrita, em Navegantes, SC. (Foto: Lara Aragão)

 

Exemplares da revista Escrita e adesivos literários chegam a Manaus, AM. Pelas mãos de Victória Nogueira, nossa verve também anda pelas ruas da capital amazonense. (Foto: Victória Nogueira)

 

Biblioteca comunitária da cidade de Coronel Oviedo, no PY. (Foto: Maria Zaracho)

 

A revista Escrita está presente na Biblioteca Comunitária da CaCu – Casa de Cultura de Góes Artigas, distrito de Inácio Martins, no sul do Paraná. (Foto: Taísa Lewitzki)

 

Casa de Cultura de Góes Artigas (Foto: Taísa Lewitzki)


Poéticas y Políticas en la frontera Paraguay/Brasil

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  –  Uma crônica de Maria Zaracho Robertti  –

 

Del 16 a 19 de este mes decidí experimentar unos días fuera de la zona en la que vivo, el departamento de Caaguazú ubicado en el centro-este o corazón de Paraguay. La idea: compartir una investigación sobre el cine paraguayo vinculado a Augusto Roa Bastos , mi libro de poesías y armar una red de gestores culturales de frontera.

Ya el mes pasado había ido a Buenos Aires. Los obsesivos controles de la frontera ante un supuesto “atentado” contra el presidente Macri generaron en mí cierta paranoia antes de cruzar la frontera con Brasil. En la agencia de viajes me dijeron que debía llevar la invitación al congreso al que iba para “justificar” mi entrada si me preguntaban.
Por cierto, no me dieron mi pase y me cobraron una multa en la aduana argentino-paraguaya.

Migrar, cruzar fronteras es toda una osadía en esta época de violentos muros y criminalizaciones de lo distinto, del “extranjero”.

 

La propuesta era una “muambería cultural”. Conocí una etnografía por vía de un antropólogo de la UNILA en Buenos Aires, la investigación hablaba de las nuevas subjetividades en torno a la circulación de muambas (mercaderías) en el puente que une a ambos países.

Mi intención era poner a circular, como la muamba, la poesía y el cine de nuestros países en un entorno solidario que pudiera confluir en una red para imaginar otros vínculos posibles.

 

“Hoy crucé un ratito a Paraguay. Demasiado quería comer caldo borí borí de gallina.
Al toque encontré en un puestito cruzando el puente.”
[ Artista paraguayo radicado en Foz]

Me sorprendió la ausencia total de controles para cruzar, incluso a pie, la frontera con el Brasil. Estando en Foz do Iguaçu no tardé en comprender que a veces las fronteras se diluyen en nombre del capital.
Entonces , no se tratan de vínculos entre pueblos vecinos, sino de complejas transacciones comerciales, donde el otro es reconocido por su cualidad de cliente.

“Este cigarillo que estamos fumando es de Cartes. Es el que vas a ver fumando
a la mayoría de los estudiantes por que es el más barato…”

[Estudiante paraguayo radicado en Foz]

 


Pegar o ónibus pra Paraguai

En el hostal donde me hospedé reconocí a muchos argentinos y brasileños. Todos ellos en realidad tenían como destino Ciudad del Este y sus ofertas, unos pocos visirarían las Cataratas. Ninguno mencionó algún atractivo artístico-cultural.

Apenas esperando frente a la parada de un conocido shopping puede dejar de falar en portunhol y al rato subir a un “ónibus pra Paraguai” donde , en guaraníes, uno paga al chofer que en medio de unas polcas en la radio te contará que el bus cruza la frontera rumbo a Ciudad del Este.

¿A quienes interesan entonces las fronteras y límites, las tasas impositivas y los controles?.

Llegué a Hernandarias el domingo y pude disfrutar de una peña con amigos y un grandioso musico de Curitiba que tocó a Bach en clave de Choro. Fueron las primeras experiencias para empezar a percibir la maleabilidad de las fronteras.

En medio de una lluviosa tarde, a pocos metros de un emporio comercial me sorprendí con un muro grafitteado con imagenes y poesias de Paulo Leminski en guaraní y portugués. Lo interpreté como una señal de las poéticas territoriales y no me equivoqué.

 

Siguiendo esa Avenida llamada República Argentina uno se encuentra con un bar administrado por una pareja chileno-paraguaya. “Sudacas” es el bar donde se realizan tertulias literarias promovidas por la UNILA.

Allí entre cerveza y mandioca frita me enteré de la terrible embestida del gobierno de Temer ante este proyecto de integración latinoamericana más allá de los mercados. Va para ellos todo mi apoyo y compromiso.

El frío de la noche mas gélida del año no pudo contra la guitarra;la poesía y el cine paraguayo , los recuerdos de un novelista mexicano sobre su natal Tijuana y la poesía ante el narco, las imaginarias conexiones entre el guaraní y el euskera, el gris del invierno en la melancólica paz de una amiga uruguaya.

Quiero recuperar la dimensión de resistencia y contracultura en Foz do Iguaçu. Especialmente la que llevan adelante los amigos de la Revista Guatá, los músicos residentes allí, la oficina permanente de talleres literarios de la UNILA y todos aquellos que humanizan los vínculos y así rompen las barreras linguísticas y geográficas inventando nuevos códigos, territorios y lenguajes.

 

Las jornadas terminaron en Ciudad del Este ( o comenzarán de vuelta, si las abordamos dialécticamente). Allí, el El bar Dal , poetas, musicos, teatreros cineastas y gestores culturales se dieron cita en torno a un fogón.
Acompañados de guaranias de Flores y poemas de Elvio Romero,ese Paraguay imaginado desde la migración y el exilio emergió para que discutiéramos sobre nacionalismo, sobre subjetividades de frontera , sobre redes y resistencias necesarias, sobre próximos encuentros.

 

Durante el Stronismo se puso a circular un imaginario de la “reconstrucción” que apeló a la idea de progreso materializada en la vía asfáltica de la ruta VII y que tuvo su punto culminante con la represa de Itaipú. Esa “marcha al este” significó arrasar con la ecología, los pueblos indígenas y las culturas campesinas de Caaguazú y Alto Paraná. Necesitamos reconocernos desde otros caminos y esos caminos solo los conoceremos si los empezamos a transitar.

Ja guatáma hina oñondivé. A muambería no acabou…

María
Ajos, Paraguay 21/7 /2017

 

Leia também M’beru, poema de Maria Zaracho Robertti, publicado na Escrita 47

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María Zaracho  Robertti é psicóloga, escritora, cinéfila e mestranda em Antropologia. Vive em Coronel Oviedo, PY.


Na estrada

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  – Rock’n’roll embala trajeto entre a barreira e o PTI  –

Seleção de Ronaldo inclui clássicos como Pink Floyd, ACDC e Metallica

 

A viagem de quase seis quilômetros entre a barreira da Itaipu Binacional e o Parque Tecnológico Itaipu (PTI) é curta – leva cerca de 10 minutos -, mas foi tempo suficiente para que o motorista Ronaldo Wagner Felipe conquistasse vários fãs. Não apenas pelos dons na boleia, e sim pelo gosto musical: fã de rock’n’roll – “desde que me conheço por gente” – , todos os dias Ronaldo monta uma lista de músicas diferente e aumenta o som no ônibus. Tem gente até abandonando os fones de ouvido para curtir a sonzeira.

Desde o começo de julho, quando Ronaldo entrou na escala do ônibus PTI – Barreira, houve o registro de muitos elogios na página oficial do PTI no Facebook e até nos corredores do Parque ouviu-se muitos elogios sobre a seleção musical do motorista de ônibus. Mas justamente nesta quinta-feira, 13, quando se comemora o Dia Mundial do Rock, o trajeto não contará com o condutor do rock’n’roll, que vai curtir a data em uma merecida folga.

Ronaldo Wagner Felipe : “Música tem efeito terapêutico”

Mas, afinal, de onde vem esta preferência musical de Ronaldo? Afinal, ele mesmo já sentiu que muitas pessoas estranham seu gosto. E até já se acostumou a ouvir a frase “você não tem cara de roqueiro”. Mas ele retruca: “Não precisa ter cara. Basta saber gostar das coisas boas da vida”. Para Ronaldo, música tem efeito terapêutico. Ele afirma que escuta de tudo, mas acredita que o rock’n’roll é o melhor gênero para motivar as pessoas.

“Já teve gente que me disse ‘eu vim preocupado, entrei no seu ônibus e meu dia mudou completamente’. Chegou a me arrepiar, porque com um simples gesto desses você ajuda uma pessoa”, comenta o motorista.

Houve até um aluno que confessou para o motorista que ouvir rock durante o percurso deu mais ânimo para estudar ou para fazer provas. Além disso, as seleções de Ronaldo – que incluem clássicos como Pink Floyd, Guns N’Roses, Bon Jovi, Kiss, Metallica e Red Hot Chilli Peppers – despertam a nostalgia de muitos passageiros. “Músicas marcam fases da vida. Aí o cara escuta no ônibus e lembra daquela fase boa que passou”, ressalta o motorista.

O técnico-administrativo Luiz Fernando Kiihl Matias, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), foi um dos que aprovaram as músicas escolhidas por Ronaldo. Tanto que na última semana chegou a postar um vídeo do trajeto, quando tocava “Another Brick In The Wall”, do Pink Floyd. Ele achou que a música veio a calhar com o momento – de estar indo trabalhar em uma universidade e com o que pensa sobre educação: “não ser somente mais um tijolo na parede”.

Matias comenta que, geralmente, os motoristas colocam som em um volume para curtirem sozinhos. “Foi legal porque ele compartilhou e todo mundo curte. Tem outro rapaz que curte eletrônica e também é bacana. É legal essa variedade e essa coisa da personalidade”. Ele avalia que realçar esses traços da personalidade ajuda a amenizar a invisibilidade que caracteriza algumas profissões. Ronaldo concorda. “Até o bom dia aumentou. Parece que aproxima mais”.

A professora Tania Mara Aristimunho Vargas, do Controle Interno do PTI, espera para pegar o ônibus no horário em que sabe que Ronaldo esta dirigindo, só para curtir o rock’n’roll, estilo pelo qual é fanática. Para ela, a música fora dos fones de ouvido conecta as pessoas dentro do coletivo. “Dentro do ônibus, na altura em que ele coloca a música, todo mundo fica ligado no que está fazendo. Um olha para o outro, as pessoas riem. Ele já foi até aplaudido”. “Acho que é um estilo de música que poucos não gostam”, opina Tania.

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Guatá/ Extraído da página de notícias do PTI.


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