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Minha família é familiar a todos


por Daniela Schlögl

Seneri fez cinqüenta e seis anos no mesmo dia em que José Schlögl e Edwirges Schlögl fizeram cinqüenta e sete anos de casados, e assim surge o assunto, uma conversa, aparentemente sobre dados.

José Schlögl tem oitenta e dois anos e nasceu em Foz do Iguaçu. Seu pai Johan Schlögl saiu da Áustria com trinta anos chegando na cidade em 1914, trabalhou na extração de madeira, foi tesoureiro da primeira escola paroquial da cidade, amigo de Monsenhor Guilherme e de Jorge Shimmelpfeng, teve seis filhos, presenciou o crescimento da cidade sempre com sua opinião de acordo com seu filho “semi-conservadora” sobre tudo.

De conduta simples e honesta manteve uma neutralidade política na revolução de 1924 e em 1930. Amante da natureza aprendeu muitas coisas com Moises Bertoni. Seus sim e não eram categóricos e por ser solicito e altruísta tinha crédito e bom relacionamento com a sociedade local.

Não foi prefeito, não acumulou exorbitâncias econômicas, e não tem uma rua da cidade com seu nome. Recebia viajantes em sua casa, que, às vezes pagavam pela estadia e às vezes não.

Contava causos e fazia observações sobre tudo que via se modernizar; sobre o crescimento, a mudança, a transformação, a evolução, a devastação, tudo que saltava aos olhos e era perceptível por todos os sentidos.

Falava alemão, croata , espanhol e português, dizia que o Brasil era sua segunda pátria. Conheceu novos costumes, adaptou-se ao clima, passou a fumar cachimbo crioulo e tomar mate, chimarrão.

Não consta no livro, mas é pertinente dizer que a vida Johan é tão importante para se conhecer um pouco de Foz do Iguaçu quanto a de um personagem heróico e afamado.

Daniela Schlögl, bisneta de Johan, natural de Foz do Iguaçu, estudante de Hotelaria, atriz.

 
   
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