Exposição Terra é instalada em Campo Mourão
A exposição Terra, de autoria do renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, integra as atividades de celebração do Dia do Trabalhador, organizadas pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Direção de Campus da Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR/FECILCAN), em Campo Mourão.
O conjunto de posters ampliados é a reprodução das fotografias de Salgado, que tem a temática social com alvo de seus trabalhos. A exposição, cuja versão em livro tem texto de apresentação do escritor português e prêmio Nobel de Literatura José Saramago, sendo acompanhada por cd musical de Chico Buarque, desvenda a difícil luta pela reforma agrária no Brasil, que tem como principal protagonista, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).
Em suas mais de quarenta peças, a exposição fotográfica estampa a realidade daqueles que clamam por terra para trabalhar e viver dignamente. Alinha a crueza da fome e da alegria daqueles que descobriram um jeito de se organizar para lutar pelos seus direitos.
A exposição, organizada em 1997, é muito atual, neste momento em que se completam dez anos do Massacre de Carajás, que é retratado no trabalho de Sebastião Salgado. Na chacina, foram assassinadas 19 pessoas, integrantes do MST, na tarde de 17 de abril de 1996, em Eldorado dos Carajás, Pará. Seus algozes foram 155 policiais militares, divididos em dois grupos. Um, saído de Paraupebas e comandado pelo major José Maria Pereira de Oliveira, e outro, vindo de Marabá, comandada pelo coronel Pantoja.
Os 19 mortos eram integrantes da “Caminhada pela Reforma Agrária”, iniciada no dia 10 de abril por 1.500 famílias de trabalhadores rurais sem terra. Um dia antes do massacre, por volta das 15h, essas famílias montaram um acampamento no Km 96 da PA-150, na denominada “Curva do S”, próxima à cidade de Eldorado dos Carajás. Os trabalhadores interditaram a estrada e exigiam alimentos e transporte, em negociação com a Polícia Militar, que acompanhava a marcha.
Organismos defensores da reforma agrária e dos direitos humanos, reiteram a morosidade da justiça em punir os culpados, bem como, a marca da impunidade que envolve o caso, por não julgar os verdadeiros culpados pela violência.
Defendendo a vida com palavras e imagens
A exposição Terra, foi cedida à universidade pela Associação Guatá – Cultura em Movimento. As fotos integram o módulo Cultura em Movimento, desenvolvido pela entidade, que abrange vários temas e autores, e inclui poesia, fotografias, artes visuais, entre outras linguagens.
A instalação fotográfica no campus da Universidade Estadual do Paraná, em Campo Mourão, foi viabilizada através do apoio cultural dos seguintes parceiros: Chocolate Doce, Travessa dos Editores, Kunda Livraria e Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná-Foz.
Serviço:
Exposição Terra, de Sebastião Salgado
Período: de 01 a 06 de maio. Aberto ao público.
Campus da Faculdade: Av. Comendador Norberto Marcondes, 733. Campo Mourão.