As fronteiras da literatura em debate
Professores universitários, jornalistas, críticos literários e poetas participaram do encontro “Literatura, Fronteiras e Enfrentamentos, em São Paulo, onde se discutiu a produção literária, especialmente, aquela cuja realização é dificultada pelo momento atual de fragmentação do pensamento.
Organizado pelo Projeto Identidade, os participantes do evento estão atrás de saídas para o que chamam de “identidade literária”, no âmbito do processo de neoliberalismo.
Trata-se de encontrar formas de incentivar a produção e circulação de determinadas literaturas que enfrentam grandes dificuldades, como é o casso das literaturas africanas em português e inglês; escritos em basco, catalão e portunhol; autores recentes de estéticas da linha “marginal”. Bem explicado que o termo marginal se refere à produção realizada às margens da oficialidade da crítica e da indústria literária.
Entre os convidados para o encontro, encontramos os professores da Universidade de São Paulo (USP), José Luiz Fiorin, Vima Martins, Tânia Macedo, Antonio Vicente Pietroforte e Marco Soares, os escritores Douglas Diegues, Heitor Ferraz, Marcelino Freire, Glauco Mattoso, Cláudio Daniel, Xico Sá, Andréa Del Fuego, entre muitos outros.
Durante o evento, foi lançado o livro de poesia Sumário – Sumari Astral – Sumario, de Joan Brossa, pela Editora Amauta e o público pode desfrutar da exposição de artes plásticas da Casa da Xiclet, que trazem proposta semelhante ao debate.
Palavras selvagens de Diegues
O escritor Douglas Digues foi um dos participantes do evento “Literatura, Fronteiras, Enfrentamentos”. Ele é autor do livro de poesias Dá gusto andar desnudo por estas selvas - sonetos selvages, lançado pela editora paranaense Travessa dos Editores.
Diegues busca em seus trabalhos, transgredir a linguagem, tanto pela sua forma peculiar de escrever como pelo emprego da mitologia em suas obras. Dá gusto andar desnudo por estas selvas foi escrito inteiramente em portunhol, absorvendo o clima das fronteiras do país. Os sonetos exacerbam o inconformismo latino-americano, com grande dose das crises de identidade-nacionalidade.
O Projeto Identidade
O Projeto Identidade pretende ser um espaço aglutinador de novos escritores que participem ativamente do processo de produção e de discussão da “nova literatura” e que realmente sejam combativos.
O Identidade pretende formar espaço para esses escritores se conhecerem, discutirem as suas idéias sobre poesia, traçarem seus pontos comuns e incomuns, pensarem as possibilidades de ação, de estética, de adequação ao nosso contexto e de reverberação dessa nova produção. O pensamento é comum: conhecer, aglutinar, discutir, problematizar e divulgar sobre esta forma de expressão.
