Concurso internacional aborda vida e obra de Roa Bastos
O escritor e poeta paraguaio Augusto Roa Bastos é o tema do concurso histórico-literário, denominado Caminhos do Mercosul. Com edições nos quatro países que integram o bloco — Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai — e nos associados Bolívia e Chile, podem participar do concurso, estudantes nascidos nos anos de 1989 e 1990, matriculados nas redes públicas e particulares de educação.
Para participar do concurso Abrindo o Portão dos Sonhos com Augusto Roa Bastos, Poeta e Andarilho, o estudante deve apresentar um trabalho individual e original, de dez a 20 páginas, em formatos de monografia, ensaio, conto ou investigação histórica. Ao falar da vida e da obra do escritor, o aluno pode escolher um entre cinco subtemas: “A Narrativa de Augusto Roa Bastos”; “Augusto Roa Bastos, o Poeta”; “Eu, o Supremo”; “Filho de Homem”; “O Exílio de Augusto Roa Bastos”.
Promovido pelo Setor Educacional do Mercosul (SEM) e pela Organização dos Estados Ibero-Americanos para Educação, Ciência e Cultura (OEI), a iniciativa surgiu em 2003 para celebrar o dia do Mercosul e os dez anos de criação do bloco de integração regional.
Hoje, o concurso tem como objetivos promover nas escolas do ensino médio uma consciência favorável à integração regional, estimular e fortalecer os vínculos entre estudantes dos países do sul do continente e ampliar os conhecimentos e o respeito à diversidade cultural.
Roa Bastos, o supremo escritor

O escritor Augusto Roa Bastos é considerado um dos grandes nomes da literatura latino-americana, cujas obras foram traduzidas em vinte e cinco idiomas.
Nascido em 13 de junho de 1917, na capital Assunção, o autor de Eu, el supremo recebeu diversos prêmios por suas obras, destacando-se o Prêmio Cervantes de Literatura, em 1989, a mais importante honraria concedida a escritores de língua espanhola. Também recebeu menção da União Latina, organização internacional composta trinta e cinco por países cujos idiomas oficiais são línguas românicas.
Com apenas 15 anos, na década de 1930, integrou as forças de seu país que combateram a Bolívia, durante a Guerra do Chaco. Como jornalista, foi correspondente na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial.
Intelectual engajado e homem de posições, cerrou fileiras com seu povo na luta por democracia, liberdade e justiça social. A ditadura militar paraguaia obriga-lhe ao exílio, em 1947, passando a viver na Argentina. Tempos depois, em 1970, quando o país portenho integrou o ciclo de regimes militares na América Latina, Bastos se refugia na França, e leciona aulas de literatura hispano-americana. Em 1982, o ditador Alfredo Stroessner cassou sua cidadania.
O escritor Augusto Roa Bastos faleceu em Assunção, aos 87 anos, em 26 de abril de 2004. Morreu quando completaram-se cravados 15 anos após ter recebido o Prêmio Cervantes.
Pouco antes de deixar a vida, reuniu fôlego para ser um dos primeiros a subscrever o manifesto “Impedir uma nova manobra contra Cuba”, pela paz e pela soberania e autodeterminação do povo cubano.
Para mais informações sobre o concurso Caminhos do Mercosul, acesse o portal do Ministério da Educação (MEC).