Oficinas de arte ampliam debate sobre inclusão
O projeto “Outros Olhares, Novos Diálogos” retoma nesta sexta-feira (4) os debates sobre a situação dos portadores de deficiências físicas e a inclusão no mercado de trabalho. Entre os suportes para a sensibilização estão duas oficinas de arte, uma palestra e uma exposição de fotografias produzidas por cegos. Todas estas atividades têm com objetivo melhorar o diálogo sobre a condição do deficiente na sociedade.
A partir das 8h30, nas dependências da Cooperativa de Artesãos de Foz do Iguaçu (Coart), a artista plástica Maria Cheung irá coordenar uma oficina de iniciação à cerâmica. “Esta é minha primeira experiência com pessoas cegas. Acredito que vou aprender mais do que ensinar.” A expressão corporal deve nortear os exercícios de exploração do tato.
“Quero saber como eles sentem, qual a consciência do próprio corpo, como se vêem, e a partir daí extrair as expressões de cada um”, disse ao explicar que a cerâmica é apenas um dos canais para que a sensibilidade seja despertada. “Isso eles já mostraram que podem através da fotografia. Agora, precisam conhecer outras formas de manifestação artística, como a música, a dança, a pintura.”
No sábado, o tema será a história da arte, desenvolvido através do programa “ABC Visual”. A pesquisadora de educação visual e gerente de projetos da Secretaria Especial da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, da Prefeitura de São Paulo, Valquíria Prates, irá trabalhar a aproximação de cegos e educadores utilizando recursos que a subjetividade da arte pode oferecer para a construção da cidadania.
Semana passada, José Simão Stczaukoski, coordenador do Programa de Apoio à Pessoa com Deficiência, da Secretaria do Trabalho, Emprego e Promoção Social do Paraná, trouxe à discussão as formas legais e em que estágio está a criação de cursos profissionalizantes para deficientes físicos e o aproveitamento desta mão-de-obra. “Os caminhos existem, mas ainda há muito que ser feito”, avaliou.
Superando limites
Toda esta discussão surgiu da oficina de fotografia para cegos idealizada pela fotojornalista Áurea Cunha. Por um ano, uma turma de oito deficientes visuais teve contato com a linguagem fotográfica, os princípios do registro através da luz, falaram sobre cidadania, expressão, mídia, entre outros assuntos, e juntos retrataram a realidade que os cerca.
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O fotógrafo Márcio Cichorski lê a legenda em
braile de uma de suas fotos expostas. |
Mesmo com a limitação visual, os diferentes graus e histórias de cegueira - que para muitos seria motivo suficiente para imaginar que esta seria uma atividade impossível para cegos - Elizabete Barreto, Guilherme da Silva, Ivonete Farias, Joaquim Cordeiro, Patrícia Céspedes, Roseli Evangelista, Salete Tomaz e Marcio Cichorski retrataram o cotidiano que os cerca.
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Os fotógrafos Márcio, Bete, Patrícia, Roseli, Salete e
Joaquim com a curadora da mostra, Áurea Cunha. |
A necessidade de ultrapassar a barreira do convencional motivou todos a superar a falta de visão física e aquela provocada pelo preconceito. O meio encontrado, a fotografia, possibilita a comunicação, a construção de identidades, o resgate de memórias. Neste projeto, ela tem o papel de facilitar o contato entre experiências, atuando como um código de aproximação entre videntes e não videntes.
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A abertura da Outros Olhares reuniu cerca de 200 pessoas, entre artistas, professores, jornalistas, estudantes, lideranças comunitárias e familiares dos fotógrafos. |
Durante os exercícios na sala de aula, em casa e em outros momentos de inspiração, cada um procurou retratar um pouco do seu dia, das pessoas que os cercam e daquilo que consideram importante e que gostariam de mostrar. O desafio ganhou ares de homenagem, de superação e continuidade. “Hoje sou mais feliz”, disse Salete. “Aprendi a perceber mais os detalhes”, completou Roseli.
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Alunos e professores da Apasfi, Associação de Pais e Amigos dos Surdos
de
Foz do Iguaçu, comentam as fotos de Outros Olhares. |
A mostra de fotografias “Outros Olhares”, aberta ao público no último dia 27 continua na Sala de Exposições Antonio Cabral de Mendonça, na sede da Fundação Cultural de Foz do Iguaçu, até o dia 10 de agosto. Mais de 500 pessoas já passaram pela exposição. Outras informações podem ser obtidas pelos telefones 9932-1728 (com Sílvio) e 9977-4490 (Áurea).
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A palestra "Diálogos da diversidade" com o professor José Simão Stczaukoski, reuniu universitários de vários cursos no Teatro da UDC, em Foz. |
A realização do projeto tem à frente a Associação Guatá – Cultura em Movimento e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná (Sindijor), com o apoio da Prefeitura Municipal, Cooperativa de Artesãos de Foz do Iguaçu (Coart), Itaipu Binacional, Travessa dos Editores, Chocolate Doce, Revista Escrita, Violet Claire, Ver o Verde, Objetiva Digital Print e Foto Iguaçu.