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"Outros Olhares, Emoções"

A fotografia é luz escrita, diz Salete, uma das participantes da Oficina de Fotografia para Cegos. Joaquim diz que ficou meio desconfiado da fotografia quando foi apresentado a ela, mas depois gostou porque percebeu que era diferente da idéia que ele fazia. Viu que tinha poesia e, disso, ele gosta.

Patrícia, a mais jovem, com 12 anos, achou legal, divertido. Elizabete disse que fotografar não é só apertar um botão, tem que sentir. Guilherme cantou nas Cataratas do Iguaçu durante um dos exercícios fotográficos. Ivonete disse que nunca tirou foto quando enxergava.

Roseli gostou de saber que a fotografia é sempre do presente, que logo depois se torna passado... ih, parece até com a vida real!

Picasso disse, se queres pintar, fecha os olhos e canta! O que digo eu nesta difícil tarefa de sintetizar em poucas palavras uma experiência tão forte e rica de aprendizado?
O resultado deste trabalho me surpreende!

O que mais me agrada é o fato de termos construído na prática, no front, o trabalho que temos hoje: a coleção de fotos “Outros Olhares”. Elas são pedacinhos de tempo que mostram, mais uma vez a força da ação, do tentar fazer algo tão paradoxal como fotografar sem enxergar.

Confesso que no começo não tinha idéia do que poderia surgir. No meio do trabalho, me deparei com as dificuldades de como ensinar determinadas técnicas. Experimentamos, ousamos e, principalmente, conseguimos seguir passo a passo e sonhar. Para cada pergunta, uma resposta surgia indicando o caminho.

Quando notei que eles reconheciam as próprias fotos ao serem descritas não revelando o nome do autor, foi mágico. Ver os sorrisos marotos da certeza de que “essa foto fui eu quem fiz”, foi animador, ufa...

Não tivemos a pretensão de tornar os participantes profissionais da fotografia, embora talentos tenham sido revelados, quisemos apenas que eles conhecessem o mundo das imagens, tão importante. Que eles pudessem encontrar outros olhares com suas câmeras simples e baratas e mostrar que também podem lançar mão da fotografia para dizerem de si aos outros, se auto afirmar!

Minha vontade agora é compartilhar com todos essa experiência. Que consigamos nos perguntar se as deficiências que temos são intransponíveis. Que possamos buscar no imponderável a saída possível para nossos anseios.

O que fica de tudo isto? Do ponto de vista da fotografia, como ferramenta de comunicação, mais uma vez ela confirma suas ilimitadas possibilidades de aplicação. O que diferencia é a história que queremos contar com ela, se edifica ou se destrói.

Do ponto de vista humano, que é o que interessa, fica um chamado: rever o modo como compartilhamos com o próximo essa fascinante experiência que une a todos nós, que é a de existir.

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