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Almandrade

A RAZÃO EM COMA

Pobres bibliotecas vazias
sem títulos e sem Borges,
O tempo, indiferente
ao jogo dos relógios,
não é mais dos livros.
O saber é um desconforto
de uma civilização
que vive ao redor do imediato
e humilha a memória.

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GEOMETRIA FORA DO LUGAR

A esquina celebra
o ângulo.
Possível destino
de uma reta:
mudar de direção.
A rua possibilita
o retorno.
O andarilho inocente
repete o caminho
sem encontrar
uma saída.

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CINEMA SEM IMAGENS

O vício castiga
múltiplas desventuras
estilo transitório
...
o vazio é o ócio
do homem sem memória
...
sina da indiferença
cidade perplexa
embalagem hostil
inútil divertimento.

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INDIGNAÇÃO

Passatempo ordinário
...
depois a humilhação
vem o envelhecimento
o repouso é inesperado
esterilidade da emoção
provável decadência
...
enfim as incertezas.

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MEDITAÇÃO 1

A terra com
suas estranhas
gargalhadas
desperta
a impossibilidade.
Uma cidade no escuro.
O futuro é poeira.
Sonho de amanhã
que o vento leva
além das margens
e dos mangues.

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MEDITAÇÃO 2

O corpo encontra
a fala.
Uma pedra de sal
e uma lembrança
nas costas.
o pensamento
enfraquecido
de tanto resistir
é um líquido
derramado.

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RETORNO

O sonho
arranca a verdade.
Olhar é ter
a tarde remota,
aqui.
Um sopro perdido
no meio de cálculos,
uma experiência
desafia o sonâmbulo.
Agora é dia,
o sol queima a letra.

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Os poemas de Almandrade reunidos nesta página fazem parte do livro MALABARISMO DAS PEDRAS, Edição artesanal de Dulcinéia Catadora, Atibaia - SP, 2007.
Contato com a editora: dulcineia.catadora@mgail.com

Leia crítica sobre o livro, escrita por Alexandre Bonafim, mestre em literatura brasileira, poeta e professor universitário.

Leia aqui um ensaio escrito por Almandrade.

 

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
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