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Rafael Weidman Barijan

 

Angústia de um escritor

Para o escritor,
o criar é uma arma,
pois com ele,
Pode fazer da caneta um barco
E do papel o mar.

Mas há um segredo
Que poucos sabem
É a angústia de um escritor
Ao se deparar com a primeira linha.
Digo isso porque sei
Convivo com isso por dias
E a cada novo começo,
Parece que a tinta não quer sair
Entalando-se na ponta
Num quê de quase dizer, mas não dizendo.

Porém, quando a primeira palavra sai,
logo o resto vai atrás, como uma linha;
E muito embora demore,
Um lindo livro engatinha
Com uma história pra contar
De como demora-se para criar
Mas que mesmo assim admite
Que quando o escritor existe
O tempo não importa mais

(*)R. W. Baltruk

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Quando não existem mais palavras

Existem certos momentos
Em que nos fogem as palavras.
Não todas, mas aquelas
Que julgamos ser as certas.
Elas fogem
Para um lugar distante
Onde não podemos alcançá-las;
E fica difícil dizer
A alegria que queríamos mostrar
O conforto que queríamos transmitir...
Mas, quando não existem mais palavras,
Talvez seja porque elas são mesmo dispensáveis.
E podemos confortar com um abraço
E nos alegrar com um sorriso.
E deixar as palavras longe.
Pois às vezes elas nos enganam
E o que julgávamos ser certo mostra-se errado...
Então, nesses momentos, deixemos as palavras de lado
E deleitemo-nos no carinhoso silêncio
Das atitudes.

(*)R. W. Baltruk

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Coragem

Quando olho, ao longe traço do mundo,
Com os olhos a embaçar,
Sinto um profundo
Mas suportável
Sentimento de agonia, dor.
Não tenho ânimo a continuar,
E tudo coopera para me arrasar;
Olho então o horizonte
Pois ali, vendo tamanhas maravilhas
Sinto, juntamente com minha agonia, dor
Uma força que sobe em mim,
Começando suave, mas logo crescendo.
Contemplo um rosto, doce, encantador
Que com seus olhos me consome,
Meu espírito, minha alma,
E logo a agonia se vai
A dor, o sofrimento
E consigo coragem
Para continuar vivendo
Sempre olhando o horizonte,
Pois é ali
Que encontro a minha força, a minha salvação...

(*)R. W. Baltruk

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Medo

O medo vem, vai-se embora o descanso.
Sinto o frio escuro,
E a escuridão gélida.
Escondo-me em minhas palavras
Escritas num momento.
Em uma folha triste
Com uma caneta sentida.

Palavras de destruição,
Sofrimento,
Num profundo silêncio
Entre vírgulas e pontos
Angústias e transtornos
À espera de uma luz...

Sentimentos de temor,
Anseio,
Sem um único devaneio
Entre fardos e prantos
Paredes e cantos
À espera de uma luz...

(*)R. W. Baltruk

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As coisas mudam


Há coisas na vida
- quase todas, até -,
Que não permanecem as mesmas
Por mais que se as queira manter.
Memórias...
Principalmente memórias
São marcadas por esse fenômeno inexplicável
Chamado por muitos de tempo.

Por causa dele, as coisas ficam diferentes,
Cidades ficam diferentes,
Pessoas mudam...

Pessoas...

As mais serenas e calmas,
Que até outrora te amaram,
Lhe viram as costas
Não lhe permitindo fazer a complexa pergunta
Resumida em duas palavras:
Por quê?

As pessoas que lhe disseram:
“Nunca me esquecerei de você”,
Voltam estranhas,
Frias,
Não te reconhecem,
Não te querem,
Não te ouvem...

Medo...

Isso sim é cruel.
Pior do que o mais apressado tempo.
As lembranças, piscando nas mentes,
Afastam as pessoas.
Ou porque não querem se ferir,
Ou por medo de machucar...

Arrependimento...


Sua marca irrefutável é o silêncio.
Proferido, não por palavras,
Mas pelos olhos.
O arrependimento também muda as coisas
Visuais, concretas ou, principalmente, emocionais.
Memórias que machucam.
Que fazem lembrar o que não é pra ser lembrado

Mudanças...

A parte mais dolorosa
É suportar ver alguém
Que te amou, que se sacrificou por você,
Agora dizendo que não o conhece,
Falando ter gostos totalmente diferentes
De quando você o conheceu.

A culpa é do medo!
Medo de perder, de magoar,
De se arruinar, de sofrer!
Medo, medo, medo!

...

Ou seria amor?

Amor...
Não querer magoar,
Machucar,
Ou se lembrar...
Não por medo, mas por amor.
O saber se calar para não atingir quem se ama
Saber fingir para não trazer à memória
As dores de outrora...
Mas o saber mais profundo,
O saber mais sacrificial,
Mais triste,
Mas sendo uma última escolha
Para salvar...

É o saber de mudar
E compreender que, por mais que não aceitemos,
As coisas mudam...

(*)R. W. Baltruk

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Rafael Weidman Barijan tem 17 anos e é estudante do ensino médio em Foz do Iguaçu, Paraná. Os poemas que apresentamos formam o conjunto premiado na edição 2007 do Prêmio de Literatura Juvenil Ferreira de Castro, sediado em Portugal.
(*) R. W. Baltruk é o pseudônimo que Rafael utiliza
para assinar seus poemas.

Para ler mais sobre a premiação de Rafael Weidman Barijan, clique aqui.

 

 

 

 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 
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