Poemas originalmente publicados na revista Escrita 2.
Simone Giacometti é jornalista em Curitiba, Paraná.
O acampamento de saltimbancos
Suados em sal descansam ao léu
Molhados até o pescoço
Sequer um fio de cabelo seco
esculturas de barro
à espera do formato definitivo
São figuras,
vultos,
personagens que se renovam
E retiram da terra
Energia suficiente
Para virar GENTE
E alimentar a alma.
Quinzena
Céu de chumbo
Mãos de ferro
Dias difíceis
Tempo de gestos
miúdos
Tecidos de tédio
Passa vida
Vira minuto
Roda relógio
Apressa agora
A hora
Que demora
Segundo,
O atrevido,
Some ligeiro.
Lua em fuga
Catorze luas na janela
reflexo do vidro azulado.
Todas cheias,
- anúncio de passado.
O vulto sereno,
sempre ele.
Passeando ao luar
banhado de lembranças tuas
olhos
boca
ternura
E de repente, a saudade traidora
surge sorrindo na penumbra.
Rechonchuda como satélite
canta com o nariz em riste.
Carrega um cesto de estrelas
Cadentes
Passos contados, caminha para mim.
Entrega o presente...
Embrulhada, a esperança perdida.
E é como se o céu de agosto
ganhasse cores de primavera.
Na solidão da noite, suave se despede.
Saudade, atrevida!
Só agora percebo nela,
constante companheira!
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