Confidência ao poeta de Itabira
No meio do caminho,
Uma pedra...
Uma pedra...
No meio do caminho.
Na vista de suas retinas fatigadas, poeta?
Uma pedra.
E no meio do caminho do Brasil, hoje?
Minhas retinas juvenis, porém,
Enxergam com sua mesma experiência,
Sua mesma inteligência?
Que no meio do caminho do Brasil
Existe a violência, a fome, a seca e a esperança
No meio do caminho do Povo brasileiro
Havia a esperança
Havia a esperança
No meio do caminho.
E no meio do caminho do mundo?
Uma pedra?
Uma imensa pedra,
Pedrinha, pedregulho, pedrão...
Perdão?
Incompreensão, ódio
Ao invés de pão.
Solidão, guerra, ambição...
Trocam-se tiros,
Ao invés de apertos de mão.
Foi tudo isso
Que minhas retinas juvenis
Presenciaram
Uma simples pedra, poeta...
De tamanho significado.
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Profissão
Perguntaram pro menino:
"o que você quer ser quando crescer?"
Serei engenheiro,
Serei arquiteto,
Serei médico,
Serei astronauta
Serei jornalista,
Serei escritor,
Serei empresário,
Serei pintor
E principalmente
Serei advogado,
Serei Psicólogo,
Serei Pai,
Serei Mãe
Serei um Dom Quixote,
Serei um Bentinho,
Serei um mocinho
Serei um vilão
Eles riram e disseram:
"Menino! Você não pode ser tudo isso..."
Ele respondeu: “claro que eu posso,
EU SEREI PROFESSOR!”
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A um bruxo [e um gauche] com amor
Você disse que alguns leram da vida um capítulo
e que o Bruxo leu o livro todo
E eu me pergunto:
E aquela pedra?
Ela parou na porta da ABL,
E você nem entrou...
O que pensaria o Bruxo disso,
Que você é um imortal sem fardão?
Alguns que lá repousam,
Nem um capítulo leram
E outros talvez leram e não entenderam
Agora por lá existe outro
Que chamam bruxo
E eu me pergunto:
O que pensaria você, gauche disso?
Conheço um poeta,
Como disse um amigo
um homem simples,
que tem algo do Bruxo
e dizem que ele lembra um pouco o bruxo
Ele me fez refletir
Se bem que com métodos nada convencionais,
A diferença de bruxos e Bruxos
E daqueles que como os sapos gritam
Não Foi! Foi! Não Foi!
Pé ante pé, estou chegando lá
Percebendo qual é o enigma [claro!]
Já que você me deixou uma pista,
Hoje sei que o Bruxo resolveu em você muitos deles.
É ele que deu volta à chave?
[agora com crase]
Mas a capa não é do Verne?
Isso me lembra o verme que ganhou dedicatória...
Saiu pela janela? Qual delas?
Itabirano, gauche, você também é Bruxo!
(*) Carmen Barudi é formada em Letras e mora em Foz do Iguaçu onde dirige o grupo de literatura "Gauche". Conquistou o Prêmio Cataratas de Contos e Poesias, prêmio Revelação de Foz do Iguaçu com o poema "Confidência ao poeta de Itabira". Clique aqui para acessar o blog do grupo Gauche
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