seu nome com chuva
seu nome, na chuva
I
ainda há 1 ponto
um acontecimento
à beira de,
margeado, fora de um
centro,
não-marcado...
II
os olhares se voltam,
pro lado de lá,
e os meus olhos,
pro lado de cá...
junto aos meus,
trago somente,
os seus...
(os nossos?)
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Socos e pontapés
(Poema editado na revista Escrita 4)
Não é nem o querer
nascer de novo,
é o simples
fato do apagar-se,
assim simples,
com borracha Faber Castel...
lembra daquela menina?
sim, a louca,
apagou, sumiu,
nem existe mais
toda raiva, grito rouco,
soco errado, chute certo,
antes de ir embora
ela transformou tudo em pó,
e deixou a calmaria,
vento fresco e livre no quarto
o quarto ali
parado
tudo igual a sua partida
apenas lembranças
de uma vida,
gente grande criança
tentativas de sair da lama
poucos momentos de alegria,
porém intensos
inúmeras mágoas e tristezas,
densas
rígidas
em formas perfeitas
todo o corpo tomado de argila
argila triste
cor cinzenta;
não houve despedida
ela pegou a música feita
partitura que ela mesma escreveu
ela sob a forma de semínima
semínima torta
fora da pauta
pegou a borracha
e apagou.
Não haverá desenho de volta.
Nem uma pausa para substituir.
A música é minha.
Quero ela incompleta,
em branco.
Deixo o silêncio
sem o sinal
a vocês,
malditos telespectadores,
quero ver o sangue
nas lágrimas,
e se sinto piedade?
nenhuma,
nem de mim,
nem de vocês.
Bruna Nasser Dornelles
é estudante de Letras em Florianópolis, SC.
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