Cena de amor
Construo castelos de areia para morar com você,
Me deito numa rede invisível
Tentando atraí-lo,
Tentando fugir da sua ausência.
Destruo os minutos
Em que você não está,
Nem sei o que faz,
Nem se em sua cabeça sou
Aquela sereia impalpável,
Essa mulher cheirando seu nome,
Rindo com desenfadamento das suas coisas,
Dos seus passeios pelo céu
E pela selva.
Repito as cenas
Sabendo que somos atores
Falando
Brincando
Fazendo
Uma obra de amor.
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Quem é você
Cigano e vagabundo,
Tão gigante quanto o sol,
Intangível,
Exuberante,
Com rios e barcas que chegam e se vão,
Egoistamente belo,
Beliscando os dedos dos meus pés,
Quase sem provar,
Inspirando-me até a insensatez,
Ficando num vôo
Alterado,
Sem a esperança de atenuar
E sem a ilusão de aterrissar.
Aterrada de você,
Do espelho que você é,
Da sua imagem,
Do meu corpo, da mistura da terra e do fogo,
Do ar e do mel,
Do choro e o maior riso que ouvi.
Intenso,
Volátil,
Delicioso.
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