Involução
Minha avó se chamava Maria,
Era a Maria das rendas e crochês
Dos quitutes e da chipa
Com tererê
Minha avó chamava-se Maria,
Da submissão e do chão lavado
Das contas em caderno quadriculado
E dos traços em caligrafia
Minha mãe era chamada de Maria,
A Maria da linha de produção
Do sol-a-sol, do dia-a-dia,
Do futuro e da tecnologia
Minha mãe era chamada de Maria,
Das sacolas e dos descaminhos
Da tolerância e do perdão
A mim, me chamam de Maria
Sou a Maria de coisa alguma
De tudo um pouco e de nada muito
Maria da polícia, do bandido e da vida
Curta
Maria é toda a gente
Da faina diária sobrevivente
Que vaga
Descrente.
Mônica Venson é jornalista em Foz do Iguaçu, Paraná.
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