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DE PASSAGEM:

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Leia a versão eletrônica
das edições 14 e 15
da revista Escrita

 

POESIA SEMPRE
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Quixote

Eu, há já algum tempo vos tinha dito
Que eu era um Dom Quixote
Dom Quixote dos tempos modernos

Que me bato mesmo sem ter lança
Sem cavalo nem Sancho Pança.
Eu sou um Dom Quixote moderno.
Faço-me sempre advogado do diabo
Tenho como recompensa, um pontapé no rabo.
Bato-me contra moinhos de vento
Mas s monstros, eu compreendo
Não estão cá para me escutar.
Bato-me contra as injustiças
Sem grandes possibilidades, confesso,
Bato-me com gritos de revolta.
Mas sempre em vão, sem sucesso.
Esta noite sonhei que me batia
Contra um inimigo forte em demasia.
Ele tinha armas poderosas, aviões,
Mesmo contra essas aeronaves eu combatia,
Com jactos de água das lanças do meu jardim.
Mas batia-me, batia-me, eu sou assim.
Bato-me como posso neste inferno.
Mas que querem? isto está em mim!
Sou um Dom Quixote dos tempos modernos.

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A. da fonseca é poeta em Portugal.



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