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POESIA SEMPRE
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  Maria Fioratto


centro da cidade:
céu coalhado
preso num dique
de telhados

sem mistério
o céu é tecido negro
com buracos
que deixam passar a luz
que há do outro lado

palavras e olhares
espalham napalm
escancaram sentidos
colocam a alma
na palma
da mão

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siga a linha

a linha longa do queixo
que a pele cobria
o desenho da linha
a textura da pele
cravar os dentes
com disfarçada delicadeza
adivinhando tecidos
ossos, sangue
e um ponto de fuga
como a trajetória de um perfume
para dentro, para dentro

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noite escura
vagalumes
também vago
sem os lumes


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Maria Fioratto é historiadora e produtora cultural em Londrina, Pr.
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