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POESIA SEMPRE
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  Daniel Braga


Poesia Pau-Brasil

o que o Oswald queria
Era que a nossa poesia
Fosse tipo exportação
Feito o café, feito o grão.

Mas acontece que hoje em dia
Como todas as coisas da vida
Tem como base o cifrão,

Até a nossa poesia
Sofreu desvalorização.

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Folha vazia e cheia

De prosa e verso se faz a história
Como em um sonho louco de um louco Deus

Que não sabe o que faz, só sabe que escreve,
E luta.

Luta contra palavras que insistem em fazer
Sentido quando o que menos há é sentido.

Quando o surreal passa a fazer parte do
Real e o irreal é a própria vida.

E o poeta se encontra sozinho, como
Um rei sem súdito, teatro sem platéia.

Perdido em dores, lagrimar, sofrimentos
E palavras.

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Retorno

Minha terra já teve palmeiras
Onde cantavam sabiás.
Hoje existem no máximo umas pombinhas
Que vivem nas praças a ciscar. Tal qual
Hienas famintas se gladiando pelo milho
Jogado por velho que não tem nada melhor
Para fazer. E ainda por cima, quando voam,
Ficam cagando
Na cabeça daqueles que sonham em
Voltar para a terra do exílio.

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Perda

Os olhos que olharam,
Não viram.
Os ouvidos que escutaram,
Não ouviram.
A pela que tocava,
Não sentiu.
Num seco e áspero
Instante. Fulgás momento.
A felicidade se perdeu
e jamais se achou
novamente.


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Daniel Braga é estudante universitário em Belo Horizonte, MG.
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