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LABIRINTO
 

Vamos fazer um desafio:
Eu junto as letras e você
Me traz uns versos.

À tarde

Deixa te falar que meu amor é mesmo alguma
Coisa esquisita, que mistura cheiro do teu cabelo
Aos teus suspiros enquanto dorme.
É assim estranho, não tem pé, e não se pode ver
Onde começa ou termina,
Porque é bobo como a tua risada quando disfarça e foge da janta.
E por estar misturado, já cheguei a pensar que nem era amor.
Então veio um dia em que senti um aperto no peito,
Uma vontade de pegar tua foto e apertar e abraçar
E pedir pra Deus te proteger de toda a gente...
E ram só três da tarde, e era pura saudade,
pura saudade, meu querido.

Essa louca que habita cada mulher,
sai para passear final de semana e
larga a porta aberta.
É quando novos fantasmas vêm visitar a sala,
mudando os quadros de lugar, as lembranças de gaveta.
E toda vez que chego me arrepio e prometo
um novo cadeado.

Do contorno do teu olho,
vem uma linha fina como uma estrada,
que me perco e viajo dormindo.
Quando acordo, estou pendurada num cílio imenso.
E te basta uma piscadela pra ver meu corpo
sendo dragado pra tua pupila.

Aguardava um encontro
com sua melhor saia,
seu batom mais brilhante
e seu olhar mais cego.

O amor inquieto que anda hoje pelos meus olhos,
já registrou morada em meus sentidos.
E quando durmo rápido em noites de pouco vento,
vejo você caminhando para dentro do meu peito.
Seu cheiro, sua falta de cor e, por fim, seus olhos,
que não posso guardar.
Deixo ir embora todas as manhãs,
porque teus braços, pernas e cabeça não me pertencem.
Não porque não os quero, mas porque me perturbam,
como pequenas alucinações.
O que sinto, não tem nome.

A impressão que tenho
é de que se te soprar

Bem forte, você teima e volta.
Não por não saber voar,
mas por pura vontade
de ver o meu ar faltar.

(Poemas de Daniela Valiente, reunidos no livro “Labirinto”, da Coleção Nosotros, editado pela Travessa dos Editores)

 

 

 
 
 
 
 
 
 
     
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