“Alguma coisa acontece no meu coração"
(*) Letícia Marquez
Este trabalho começou a criar um corpo já há alguns anos,quando nos reuníamos, eu (Letícia), Lúcia , Cheung, Massaco,Vera, Dilma (amigas artistas)para pensarmos nossos trabalhos, nossos caminhos profissionais, nossas vidas,filosofávamos sobre tudo.
Viramos o século nos virando do avesso.
Esta obra, usa a imagem da mulher para falar deste ser humano em constante mutação, de mil facetas e protagonista mor destes últimos cem anos.
Como se trata de um “obra aberta” e não de retratos descritivos e ou ilustrativos, creio ser possível fazer várias leituras, inclusive entendê-las como seres humanos assexuados,sem corpos, que presentificam questões existenciais .
Desta mulher corpo, que povoa a milênios o universo mítico do homem,apenas sobrou a cabeça suspensa a longos cabelos.
Poderíamos pensar : isto é o que sobrou do “homem/mulher, objeto” de Carlitos? Filhos das madonas,Vênus Apolíneas do Renascimento, das mulheres Dionisíacas carnudas Barrocas,das langüidas brancuras ideais do Neoclássico,das prostitutas dos cabarés de Loutrec, das divas Marilyns Monroes que alegraram as duas grandes Guerras Mundiais do sec. XX,das sensuais modelos Giseles Bündchens, seminuas dando vigor à produtos industriais e ibopes às revistas, outdoors, tvs, webs ou da mulher “Maravilha”com poderes de Greiscol?
No centro, no piso desta sala a frase título da instalação “ alguma coisa acontece no meu coração” subentende que ainda existe um coração no peito destas mulheres e com algum sentimento .
Escolhi imagens de mulheres do meu todo dia, que se destacam saindo do lugar comum, que venceram obstáculos inimagináveis, que lutam e atingem seus objetivos certeiramente, marcadas com rugas e verrugas pela vida.
Somente as cabeças destas mulheres,são colocadas ao vivo e a cores, escalpeladas, no alto das paredes desta sala, próximas ao teto, com cabelos padrão,desenhados em grafite até o chão. Marcam presença com equilíbrio, rigidez,estabilidade via verticalidade,podendo nos remeter a totens,e pela repetição constante, a idéia de procissão, exército,colunas,sustentação, etc....................................................................................................
O olhar de todas,voltado para o alto,indefinido, busca instigar a reflexão e de forma redundante,a repetição e a posição de todas as cabeças,nos possibilita ler : Súplica? Agradecimento? Renascimento? Adoração? Contemplação?Pedido de Socorro ou Proteção?........................................................................................
No piso de toda a sala: rosas brancas, amarelas, vermelhas e cor de rosas; ainda hoje símbolo feminino profano e religioso, circundam a frase/título da instalação “alguma coisa acontece no meu coração” e se espalham por todo o chão-------------------------------------------------------------------------------------------------indefinida emoção.
INVISIBILE é este coração,
este sentimento,
essa mulher sem corpo,
só e em grupo,
essa presença em constante movimento.
(*) Letícia Marquez é artista plástica em Londrina.
Clique aqui e leia o comentário do artista plástico Márcio Medeiros sobre a exposição "Invisibile"
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