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Projeto valoriza artesanato da Fronteira

 

Artistas de três países se encontram no Projeto Ñandeva. Iniciativa do Sebrae no Paraná e de várias entidades do Brasil, Paraguai e Argentina, o Ñandeva não só promove a capacitação e a melhoria dos produtos desenvolvidos por artesãos, como incentiva a descoberta de valores culturais da Tríplice Fronteira.

Ñandeva significa todos nós em ava-guarani, língua comum a índios da área fronteiriça do Brasil, Paraguai e Argentina. A iniciativa surgiu em 2007 e envolve cinco municípios pelo lado brasileiro: Foz do Iguaçu, Guaíra, Medianeira, Santa Helena e Itaipulândia. Junto com o Sebrae/PR, participam da ação a Fundação Parque Tecnológico de Itaipu, Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic), Conselho dos Municípios Lindeiros do Lago de Itaipu, governos da Argentina e Paraguai, universidades, prefeituras, cooperativas e associações comerciais e de artesãos dos três países envolvidos.

Um dos objetivos do Projeto Ñandeva é fortalecer a identidade cultural da região trinacional, com foco em artesanato e design. Em consonância com esse objetivo, em 2007 o Sebrae/PR e a Itaipu Binacional lançaram o livro "Elementos da Iconografia das Três Fronteiras". O trabalho reúne 450 elementos gráficos pesquisados pela equipe do projeto. A pesquisa foi desenvolvida por historiadores e antropólogos com base em elementos como flora, fauna e arquitetura da região. O livro serve de referência para os 300 artesãos que participam do Ñandeva em suas produções.

Hong-Kong -Formada em Educação Artística e artesã especializada em cerâmica, Maria Cheng participa do Projeto Ñandeva. Chinesa de Hong-Kong, veio para o Brasil com sete anos. Voltou anos depois à terra de origem como turista. "Meu sonho agora é visitar Hong-Kong para divulgar o meu trabalho artístico", revela a artesã sino-brasileira.

Maria cria objetos com dupla funcionalidade, nos quais revela uma combinação de suas raízes orientais com elementos de Foz do Iguaçu, cidade onde vive. Esses objetos servem como pratos e possuem suportes para enfeitar paredes. Cheng elogia o fato do Ñandeva estimular o artista popular a perceber as riquezas em seu entorno. "Além das Cataratas do Iguaçu, há outros elementos em nossa fauna, como milhares de tipos de borboletas, que não são tão conhecidos do grande público", afirma.

A artesã também elogia no Ñandeva a possibilidade de integração entre artesãos brasileiros, paraguaios e argentinos em oficinas, workshops e outros eventos do projeto. "Sempre trabalhei em ateliês com mais artistas. Quando outro profissional faz um comentário sobre a sua obra, por menor que seja, desperta um novo olhar sobre seu próprio trabalho", diz Maria Cheng.
Critérios sociais

A Consultora de Projetos de Turismo e Artesanato da Região Oeste do Sebrae/PR, Ana Lúcia Sousa, explica que o Ñandeva enfoca quatro elementos no trabalho dos artesãos: produção, comercialização, capacitação e identidade cultural. "Uma das nossas ações é ajudar os artistas a identificar novos fornecedores", explica Ana.

Segundo ela, o projeto apresenta critérios quanto à origem da matéria-prima para os produtos, ao mesmo tempo em que promove uma conscientização dos artesãos. "Os artigos com selo Ñandeva não podem estar ligados à desagregação social, como o trabalho escravo, nem ao desmatamento e a outros problemas ambientais. Damos preferência a matérias-primas renováveis", exemplifica Ana Lúcia.

Dos 300 artesãos incluídos no Ñandeva, 110 são brasileiros. Do total de participantes dos três países, 80 já têm seus produtos na Coleção Ñandeva. Os demais passam por processos de capacitação para poderem vender suas peças no projeto.

Desde o início da parceria entre Sebrae/PR, Itaipu, artesãos e demais entidades, houve 50 oficinas de capacitação, mais de 400 atendimentos e 55 visitas técnicas. Os eventos acontecem nos três lados da fronteira e beneficiam brasileiros, argentinos e paraguaios.

Internacionalização - Ainda este ano, deve ser inaugurado em Foz do Iguaçu, na Rodovia das Cataratas, o Centro de Artesanato e Turismo, projeto da prefeitura municipal. Nesse espaço, haverá uma loja para vender exclusivamente produtos Ñandeva dos artesãos das três nacionalidades.

Ana Lúcia Sousa acredita que o Ñandeva contribuirá para a internacionalização dos produtos artesanais da região, inclusive com a perspectiva de que em algum tempo esses materiais possam ser exportados. "Vivemos em uma cidade onde há mais de 70 etnias e que constitui o segundo lugar que mais atrai estrangeiros ao Brasil. Recuperar nossa identidade cultural ajudará a agregar valor aos produtos e ao destino turístico", diz a consultora.

Vilson Massuo Isigaki, da cidade de Guaíra, criador de cerâmicas de porcelana, passou pelas profissões de bancário e metalúrgico antes de se dedicar ao artesanato, há quatro anos. Para ele, as técnicas aprendidas nas oficinas, palestras e capacitações do Ñandeva serão muito úteis em seu ofício. "Minha cidade é pequena e não há muita saída para meus produtos aqui. As técnicas que aprendi me permitirão desenvolver produtos para praças mais sofisticadas", diz Vilson.

Edson de Camargo trabalha há 25 anos com madeira entalhada ou esculpida. Cria obras de arte e utilitários como bandejas e panelas. "A iconografia do projeto me ajudou a aumentar o leque de produtos e abriu meus horizontes no processo criativo", elogia.

Serviço:
Agência Sebrae de Notícias - (61) 3348-7494 e 2107-9359
Sebrae no Paraná - (41) 3330-5700
Sebrae Regional Oeste, Escritório Foz do Iguaçu - (45) 3523.2808
Projeto Ñandeva - (45) 3520-6747 e site: http://www.nandeva.pti.org.br

Leia também sobre a participação do Ñandeva na Europa

(Fonte: Agência Sebrae Nacional)



 

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

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