Remexendo a consciência
Encontro de hip hop reúne a produção artística de jovens de comunidades periféricas de Foz do Iguaçu.
Engana-se quem considera vencido o debate sobre estética da arte. Não raro, especialmente através da grande imprensa, surgem posições que defendem a primazia da arte erudita sobre as manifestações populares, iniciativa de viés ideológico para esvaziar, rotular ou caricaturar as formas e expressões genuínas do povo.
Aliando criatividade, cobrança e rebeldia, a cultura hip hop é uma dos processos culturais contemporâneos que melhor entende e exprime os valores das camadas populares. O movimento que se multiplica nas periferias das grandes cidades brasileiras canaliza a energia juvenil por passos, rimas e gingas, para constituir-se numa crônica da dura realidade social que divide o país entre ricos e pobres, e, estes últimos, em muito pobres e excluídos.
O Encontro de Hip Hop – A Periferia em Movimento, é uma entre tantas manifestações desse movimento artístico e social. No encontro, realizado pela Casa do Teatro, cerca de 150 jovens participaram de oficinas de street dance , DJ e MC , ministradas por rapper`s que vivem em comunidades iguaçuenses. No final, o Teatro Barracão, local de encerramento da programação, foi “tomado” de apresentações e espetáculos, resultados dos cursos ministrados.
O estudante Anderson da Silveira, que participou do evento, revela que ainda existe muita discriminação com os praticantes da cultura hip hop . “O rap é atitude. Nas letras e nas ações de cada integrante, exigimos melhores condições de vida nas comunidades pobres. A resposta, muitas vezes, chega na forma de discriminação”, desabafa, Silveira.
O Encontro de Hip Hop – A Periferia em Movimento, integra a programação da Mostra da Cidadania, elaborada pela Casa do Teatro, por meio do projeto Vida Viva, realizado através do Projeto Criança Esperança.
HISTICO - Em inglês, hip hop significa remexa os quadris. Aos poucos, o gênero transformou-se numa cultura que envolve os elementos graffite (artes plásticas), break (dança de rua), rap MC (música) e DJ (colagem - picapes MK 2). Os integrantes do movimento costumam dizer que foi criado o quinto elemento, a consciência, que organiza os demais e se forjou num instrumento lutas e conquistas.
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