Você tem fome de quê?
Estudo do IPEA revela que a cultura é o principal fator de desigualdade social.
O acesso à cultura é o principal fator para a desigualdade entre brasileiros ricos e pobres, concluiu a análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), com a elaboração da pesquisa intitulada Gasto e Consumo das Famílias Brasileiras Contemporâneas.
A avaliação dos pesquisadores do instituto contribui para o entendimento de que a brutal concentração de riquezas existente no país, opera como causa e efeito sob as principais demandas de cada indivíduo. Antes de haver desigualdades culturais, existe a desigualdade econômica.
O consumo de livro, por exemplo, conforme os dados do IPEA, está concentrado na classe alta da população, onde 90% das faixas A e B da estratificação social têm mais de dez livros em casa, enquanto que na classe C essa quantidade abrange 66% e, nas classes C e D, caem para apenas 42%.
A aquisição de aparelhos de informática é outro fator apontado como gerador de desequilíbrios. Os 20% mais ricos da população respondem por 80% das despesas neste setor.
A maior parte dos gastos com a cultura é empregadas em atividades no interior dos domicílios. Para o IPEA, 85% dos brasileiros preferem o consumo de música, vídeo, televisão e leitura, em suas respectivas moradias. Somente 17,8% das pessoas participam de práticas culturais, como o teatro, o cinema e museus, entre outros.
A pesquisa apontou ainda, que a televisão é a principal audiência em todas as faixas. Cerca de 85% das pessoas das classes A e B assistem TV, enquanto que na classe C, esse índice atinge 88% e 75% nas classes D e E.
A educação aparece na pesquisa como o segundo fator de desigualdade entre ricos e pobres. As famílias mais abastadas gastam 30% a mais que as mais pobres. Quanto mais alta é a renda per capta e o nível de escolaridade dos chefes familiares, mais altos são as despesas com educação. O campeão de desequilíbrio é o investimento em cursos de pós graduação, praticamente inexistentes entre os mais pobres. As despesas com cursos de idiomas dos ricos superam em até 800 vez as dos mais pobres.
Outro estudo - O brasileiro não quer só comida, quer diversão e arte. Seja rico ou seja pobre, a importância dispensada à cultura é igual. As famílias brasileiras gastam em média 4% de suas respectivas rendas em cultura, é o que revelou um estudo mais antigo, realizado pelo Ministério da Cultura. À época de sua elaboração, o estudo apontou dificuldades na ofertas dos produtos culturais, já que foi detectado que a maioria da população tinha acesso aos bens simbólicos por meio da chamada cultura de masssa. Investimentos em educação e na oferta de bens e equipamentos culturais foram sugeridos então, como forma de democratizar o acesso às artes e à cultura da população menos favorecida.
Leia também:
|