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Memória:
50 anos da Revolta dos Colonos
 

Em diversas cidades do Sudoeste do Paraná, estão sendo organizadas atividades para lembrar
os cinqüenta anos da Revolta dos Colonos,
um dos mais importantes movimentos de trabalhadores rurais, ocorridos no Brasil durante a década de 1950.

Reunindo agricultores das principais cidades do Sudoeste paranaense, o enfrentamento levou caravanas de homens armados até mesmo de pedaços de paus e de pedras que seguiram, às vezes a pé, até a cidade de Francisco Beltrão, para enfrentar as empresas colonizadoras estabelecidas na região. Resultado da política brasileira de concentração da terra, estas colonizadoras criavam barreiras na emissão de documentos de comprovação de posse definitiva das propriedades rurais.

 


A vitória do movimento dos Colonos promoveu a formalização
de mais de 30 mil lotes rurais

Conhecidos como colonos ou posseiros, os milhares de homens que protagonizaram o levante foram incentivados a deixar os seus estados de origem, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, estabelecendo-se em território paranaense. Porém, na década de 1940, estes agricultores passaram a ser perseguidos e ameaçados por jagunços contratados pelas companhias colonizadoras. Impondo a cobrança de áreas de terras que já haviam sido ocupadas pelos colonos, as desbravadoras espalharam o medo, a insegurança e a violência na região.

A mobilização e determinação dos trabalhadores rurais, tiveram grande repercussão, fazendo o governo federal temer por maior instabilidade na região, área considerada de segurança nacional. Ameaçando com uma possível intervenção federal no Estado, o governo brasileiro obrigou o então governador Moisés Lupion a apaziguar o conflito e a retirar o apoio do governo estadual aos grileiros e jagunços que horrorizam os colonos.

Entretanto, é válido lembrar, que a vinda das empresas colonizadoras na região foi motivada pela política de ocupação das fronteiras agrícolas nacionais denominada de Marcha para o Oeste, promovida pelo presidente Getúlio Vargas, no ano de 1938. Como resultado, foi estabelecida por decreto federal, em 1943, a Colônia Agrícola Nacional General Osório, que previa a ocupação de 60 Km de fronteira na região sudoeste. Vindos principalmente dos estados vizinhos, os colonos obtinham propriedades de até 20 alqueires de terra para plantar, mas sem se tornarem os donos definitivos das áreas, pois o governo central havia saldado com estas propriedades, uma estrada de ferro, a ser construída por uma empreiteira estrangeira.


Os colonos rebelados ocuparam Francisco Beltrão e expulsaram as empresas exploradoras.

Pouco mais tarde, o governo estadual e alguns comerciantes, passaram a reivindicar a posse das áreas destinadas ao projeto concebido por Getúlio Vargas. Apoiados pelo governador Lupion, que tinha interesses particulares e empresarias nas terras litigiosas, diversas companhias passaram a explorar a comercialização das áreas. Assim, os mesmos títulos fundiários eram vendidos para os posseiros que já viviam nestas terras, por diversas vezes, sob o uso da força e da intimidação.

Até que no dia 10 de outubro de 1957, os colonos rebelados tomaram o município de Francisco Beltrão e expulsaram as empresas exploradoras da terra pela força, estabelecendo a documentação de posse de suas propriedades e coroando a vitória dos trabalhadores sobre o capital e o arbítrio.

A vitória dos colonos no sudoeste possibilitou a formalização de mais de 30.000 lotes rurais, até o ano de 1973, além de outras 24.000 propriedades urbanas.

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