-
-
-
-
-
---
-

 

Testemunhos de barbárie

Exposição do pintor colombiano Fernando Botero retrata a crueza da tortura praticada pelo exército dos EUA, contra prisioneiros de Abu Grhaib, no Iraque ocupado.

O dia 11 de setembro de 2001 marcou a recente história do mundo. O planeta todo assistiu desmoronar as duas torres do edifício World Trade Center, ícones da pujância do capitalismo norte-americano, fazendo milhares de vítimas. O bárbaro atentado contra vítimas civis serviu de justificativa para o governo dos EUA iniciar ações guerreiras contra diferentes nações – e a ameaçar outras -, usando como pretexto o combate ao terrorismo internacional.

Primeiro, o pobre e atrasado Afeganistão é arrasado pela maior potência militar mundial e seus aliados. Na seqüência, o alvo escolhido foi o Iraque, onde as forças invasoras mantêm o país sob o controle externo.

Os EUA declararam terminadas e “vencidas” as guerras, mas não acabaram com horror resultado delas. Exemplo disso são as sessões de torturas e maus tratos, praticados nas prisões de Abu Ghraib e expostas ao mundo através de fotografias e relatos dos protagonistas das brutalidades ocorridas no antigo centro de detenção do regime comandado por Saddan Hussein.

Mas, se além de valor ético e de qualidade estética, o artista tem de ter posição sobre os temas de seu tempo, coube ao pintor e escultor Fernando Botero relatar a barbárie através da arte. Para isso, retratou a monstruosidade vivida pelos prisioneiros iraquianos em 47 obras perturbadoras, sendo 25 óleos e 22 desenhos. Recentemente, o pintor decidiu que o conjunto de peças, avaliados entre 10 e 15 milhões de dólares, não será vendido, mas doado à Universidade de Berkeley . (o autor sempre desejou que a série ficasse exposta em um dos países envolvidos, EUA ou Iraque).

Botero respondeu à Revista Diners que decidiu pintar a série “Abu Ghraib” pela indignação que sentiu – como todo o mundo também sentiu – contra os “crimes cometidos pelo país que se apresenta como modelo de compaixão, justiça e de civilização”.

“La injusticia me hace hervir la sangre”,
Fernando Botero,
em entrevista à revista Diners

 

Poesia da improbabilidade ” – Aos 75 anos, Fernando Botero é um dos mais conhecidos artistas plásticos da Colômbia. A sua obra é baseada na trilogia arte pré-colombiana, colonial e renascentista. Em seus trabalhos, a crítica social é um ponto marcante, além da característica comum do autor de produzir figuras rotundas, de formas avolumadas, desproporcionais e sem movimento, numa alusão a estaticidade do gênero humano.

Nascido na cidade de Medellín, Botero mudou-se para Bogotá em 1951, realziando a sua primeira mostra internacional. Pouco depois, mudou-se para Madrid, na Espanha, onde estudou na Academia de San Fernando. Entre 1953 e 1955, viveu na Itália, onde aprendeu técnicas de afrescos e estudou a história da arte. Após breve passagem pelo país de origem, Fernando Botero passou pelo México, onde estudou os murais políticos de Rivera e Orozco,

O pintor colombiano tem diversas exposições e trabalhos por todas a Europa, América do Sul e América do Norte, pelos quais recebeu inúmeros prêmios artísticos. Suas obras figuram nos principais museus em todo o mundo.

Antes da série Abu Ghraib, Fernando Botero havia retratado em seus quadros, a violência existente em seu próprio país.

Para ler na íntegra a entrevista concedida por Fernando Botero à revista Diners, clique aqui.

 

 
 
 
 
 
 
 
 
Copyright © 2007 guata.com.br - Todos os direitos são reservados.