DIVERSIDADE CULTURAL
Povo guarani se mobiliza por direitos
Ao calor do recente documento aprovado pela Organização das Nações Unidas (ONU), que criou um estatuto jurídico internacional, reconhecendo e ampliando uma série de direitos dos povos indígenas, no Brasil, a comunidade Mbyá-Guarai tem realizado uma série de mobilizações públicas, reivindicando direitos sociais e culturais.
O primeiro deles, debateu as dificuldades enfrentadas pelos povos originários do país, e lançou a campanha “Povo Guarani, Grande Povo! Movimento pela vida, terra e futuro”, exigindo do governo mecanismos de preservação de suas tradições, o acesso à educação adequada a cultura desses povos e outros direitos sociais básicos. Outra importante cobrança é endereçada ao parlamento, pedindo a manutenção e cumprimentos dos direitos conquistados na Constituição de 1988, especialmente, o direitos sob os territórios, através da agilidade no reconhecimento das terras reivindicadas pelos ínidos, através da demarcação e homologação das áreas pleiteadas. Clique aqui para ler o documento de lançamento da campanha pelos direitos dos povos indígenas.
Inventário Mbyá – Ainda durante o mês de setembro, em São Miguel das Missões, no Rio Grande do Sul, acontecerá o Encontro Internacional Valorização do Mundo Cultural Guarani , reunindo autoridades e lideranças comunitárias para debater a ampliação do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC) para as comunidades Mbyá no Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.
Realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), entre 2004 e 2006, o Inventário dos Mbyá-Guarani apresenta um diagnóstico das dificuldades que a comunidade enfrenta na perpetuação de suas práticas culturais.
O INRC é uma metodologia desenvolvida pelo Iphan para a identificação e catalogação dos bens imateriais, a partir de métodos etnográficos. A implantação do inventário sistematizou e deu consistência aos procedimentos que antecedem o registro e demais atividades de salvaguarda.
Triste realidade - O Banco Mundial divulgou recentemente, estudo apontando que 80% dos indígenas latino-americanos vivem na pobreza extrema e que, indiferentemente do lugar onde vivam, a tendência é que os índios sejam “os mais pobres entre os pobres”.
Conforme o documento, 28 milhões de pessoas das comunidades indígenas latino-americanas não conseguem melhor as condições de vida ou equipará-las as dos não-indígenas.
Além de ter acesso limitado a terras produtivas e serviços básicos, no meio rural, diz o Banco Mundial, os indígenas sofrem com a escassez de recursos como água, eletricidade e estradas.
No meio urbano, os trabalhadores indígenas mais propensos a ingressar no setor informal, sem benefícios sociais, com os seguros de saúde e desemprego.
O documento aponta, finalmente, que apesar de constituírem menos de 5% da população mundial (370 milhões de pessoas), as populações indígenas em todo o mundo respondem por 15% dos pobres.
Leia sobre a Declaração dos Direitos Indígenas, aprovada pela ONU |