MEMÓRIA
Che, não porque caístes...

No quadragésimo ano de sua morte, Ernesto Che Guevara continua a embalar a utopia de rebeldes e contestadores sociais. No outro extremo, sua imagem
é utilizada como ícone de produtos, mercadorias
e mensagens que contrariam os ideais defendidos pelo revolucionário latino-americano.
A pintura de Che Guevara elaborada a partir de uma fotografia do cubano Alberto Korda, revelando o combatente de olhar firme voltado ao horizonte, com a sua boina preta sobre a cabeça, é uma das imagens mais vistas, conhecidas e reproduzidas em todo o mundo. O argentino de nascimento Ernesto Guevara Linch, o Che, ficou conhecido pela determinação e bravura empenhadas na Revolução Cubana, em 1959, que libertou a ilha caribenha do extremo atraso e do jugo dos EUA, e pela vontade de estender a luta revolucionária por todo o continente latino-americano. Tendo escolhido viver pelos objetivos em que acreditou, a defesa de sua causa cobrou-lhe a vida, a 09 de outubro de 1967, no dia seguinte de sua captura nas selvas da Bolívia, onde havia iniciado o seu último movimento guerrilheiro.

À esq., Che e Fidel, em Cuba.
À dir, Che preso na Bolívia,
em 8 de outubro de 1967

Ernesto Che Guevara, assassinado na Bolívia,
no dia 9 de outubro de 1967.
Após ser executado, Guevara teve o seu corpo mutilado e enterrado num local secreto. Mais que vê-lo morto, os seus inimigos pretendiam enterrar as suas idéias e evitar um novo mártir das lutas populares, durante a turbulência política e social da década de 1960.
Mas o mito resistiu e o seu pensamento manteve-se vivo. Em todo o mundo, o legado de Che Guevara é reverenciado como símbolo de rebeldia e das causas libertárias, sendo facilmente classificado entre as personalidades mais influentes do século vinte.
A simbologia política de Che não foi derrubada pela onda de ditaduras que assolou a América Latina com o apoio norte-americano, a partir dos anos sessenta. Não se envergou diante da vitória do capitalismo no contexto da Guerra Fria, tampouco, pela seqüencias de experiências neoliberais que colocaram o mercado acima de todas as coisas.
Contudo, o sistema capitalista tem o poder de absorver manifestações e ingredientes da simbologia e da cultura alternativa ou transgressora, para, como Midas, transformá-los em fenômenos de consumo, facilmente digeríveis e comercializáveis. E a mística de Che Guevara não escapou desta condição. Sua imagem estampa produtos, mercadorias e objetos que fogem à condição revolucionária optada por Che. Desta forma, o sentido político perde espaço para a finalidade em si mesmo que determinado item possa conter.
Para entender o legado de Che Guevara, no entanto, é recomendável revisitar sempre o homem, a sua época e a causa que defendeu, com seus erros, suas derrotas e suas vitórias.
O certo é que quarenta anos depois de sua morte, Che Guevara continua a ocupar o seu lugar de herói popular, pois a injustiça, a opressão e a desigualdades entre as pessoas, motivos que o levar a entregar a sua vida em combate, também continuam presentes.
Clique aqui e leia a crônica de José Saramago: "Breve meditação sobre um retrato de Che Guevara"
Aqui, entrevista de Alberto Korda, autor da célebre foto de Che Guevara
Leia poema escrito por Che Guevara
Leia e ouça a carta de despedida de Che Guevara a Fidel
"Che em Foz".
Texto extraído do Livro "Fronteira das Emboscadas", de Adelmo Müller, revela uma suposta passagem de Che Guevara por Foz do Iguaçu, Paraná, rumo à Bolivia.
Conheça o "Solar del Che", casa onde Che passou a infância, em Missiones, Argentina, e que virou ponto turístico das Tríplice Fronteira
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