O menino que virou poeta
e venceu desafios
O filho de uma catadora de papel e ex-morador de uma invasão, Klayton Rodrigues de Souza, 17, acaba de ganhar um concurso de poesia. Na maioria das vezes em que a história de um garoto pobre e morador de um bairro violento é estampada no jornal, o relato é triste. Em um País onde a desigualdade social é imensa, a falta de oportunidades quase sempre resulta em violência, tráfico de drogas, mortes. Por isso, a saga do menino Klayton Rodrigues de Souza, 17 anos, é um exemplo de como uma pequena chance pode ser o primeiro passo da caminhada pela estrada da dignidade.
Ele tinha 13 anos, era um menino um tanto tímido e morava com sua mãe, a catadora de papel Bernadete Rodrigues Souza em um pequeno barraco em uma invasão de fundo de vale no Jardim Santa Fé (Zona Leste), quando descobriu que carregava consigo um dom. Por meio do projeto Viva a Vida, da prefeitura municipal, Klayton conheceu as jornalistas Patrícia Zanin e Natália Gayo, que o incentivaram escrever. Aí não parou mais. Ganhou uma bolsa integral de estudos no Colégio Londrinense e sua vida começou a mudar. Está no 3º. Ano do Ensino Médio e já sonha com a universidade.
''Se eu não tivesse conhecido a poesia, eu seria apenas mais um pobre de periferia, um marginalizado. Estou muito feliz com as oportunidades que tive. Quero que todas as pessoas saibam que são os nossos sonhos que nos levam ao nosso destino. Todos temos potencial para vencer'', ensina. Ele acaba de ganhar, na categoria juvenil – de 17 a 21 anos, o 4º Concurso Ciranda da Poesia de Londrina. Deixou para trás outros 194 concorrentes com o texto ''O valor de um gesto'', que escreveu para consolar a tristeza de sua irmã adotiva. ''Faça de sua vida uma canção / para que todos cantem, se emocionem / e lembrem-se com saudade de ouví-lo de novo'', diz uma das estrofes.
(com Bem Público) |