Contra o silêncio
Pesquisa realizada em favelas cariocas busca driblar o cerceamento da palavra e dar visibilidade ao moradores destas comunidades.
O Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE) coordenou um pesquisa – com colaboração de pesquisadores de diversas outras instituições – com o objetivo de romper a “lei do silêncio” que vigora nas comunidades quando o assunto é violência. Os pesquisadores ouviram, em 15 grupos focais, 150 moradores de 45 favelas cariocas. Também foram feitas entrevistas em profundidade com moradores (quinze no total) de três favelas, uma tida como “tranqüila” (sem tráfico nem grandes operações policiais), outra violenta e uma terceira onde há a presença de grupos de milícia (os nomes das comunidades não podem ser identificados por motivo de segurança).
Os resultados mostram críticas generalizadas à atuação policial nas comunidades – a principal é que as operações não distinguem “pessoas de bem” de “marginais”. Apesar disso, os pesquisadores(as) concluem que “os moradores querem polícia e segurança nas favelas”, mas consideram imprescindível “uma mudança profunda nas atividades policias de rotina e o fim das “operações”. Já a convivência com o tráfico é vista pelos moradores(as) como “forçada e não desejada”, permeada pela violência, arbitrariedade e brutalidade.
Sem meios de expressão, por conta do medo, os pesquisadores classificam a situação dos moradores como de “asfixia” quando o assunto é violência.
Metodologia: Foram realizados 15 Grupos Focais com 150 moradores de 45 favelas cariocas entre 2005 e 2007; além disso foram feitas entrevistas em profundidade com moradores (quinze no total) de três favelas, sendo que em uma comunidade tida como “tranqüila” (sem tráfico nem grandes operações policiais), outra violenta e uma terceira onde há a presença de grupos de milícia. Os nomes das favelas não podem ser divulgadas por questões de segurança e de metodologia.
Presença do Estado - Não é verdade que traficantes (e/ou milícias) substituam o Estado nas favelas, embora seja verdade que a presença deste último nestas áreas não é igual à do restante da cidade. É verdade que há um fraco adensamento da presença pública nesses locais, porém diversos órgãos estão presentes, inúmeros projetos sociais têm a colaboração de órgãos públicos, políticos – eleitos ou não – têm presença constante, etc. Portanto, embora de fato os bandos de traficantes subjuguem os moradores, não é verdade que o tráfico é um substituto do Estado nas favelas.
Ainda que boa parte dos moradores possa ter crescido junto ou ser parente ou conhecido próximo de traficantes, não é verdade que eles sejam coniventes ou que protejam os bandos de criminosos. Eles lamentam e criticam a eventual participação de parentes e conhecidos nessas atividades, porém não têm condições de evitar a convivência, que é forçada e não desejada.
O estudo ainda mediu a percepção das comunidades nos seguintes aspectos: “ Favela e polícia”; “Favelas e crime violento (o Tráfico)”; “Favelas e ‘milícias'” e “Moradores(as) de favelas no espaço público”.
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