Cem anos de cinema paranaense
Filmes revelam a história
do cinema produzido no Estado
Há cem anos, acontecia a primeira filmagem no Estado do Paraná, realizada pelo fotógrafo amador e tipógrafo Annibal Rocha Requião. Suas imagens registraram o desfile militar, que comemorava a Proclamação da República, no dia 15 de novembro de 1907.
Para registrar a data, a Associação de Vídeo e Cinema do Paraná (AVEC) realizaou uma Mostra com a exibição de alguns dos filmes mais importantes do Estado, produzidos nas décadas de 1980, 1990 e 2000, que de alguma forma estão ligados à entidade ou a seus associados.
Criada oficialmente em 1992, a AVEC tem, na realidade, sua origem no final da década de 1970, com o surgimento na Capital do Estado do movimento de produção do cinema Super 8 - com os festivais nacionais da Escola Técnica -, com o núcleo da Cinemateca e, finalmente, com o Movimento Vídeo-Vive, que já se arrastava pelos anos 90.
Nesta sua trajetória de 15 anos, a AVEC, além da produção de seus associados, tem-se destacado por ser a principal interlocutora do audiovisual paranaense junto às autoridades ligadas a cinema e vídeo, tanto em âmbito municipal, como estadual e federal.
A Associação participou da elaboração da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, além de ter atuado na viabilização do CineParaná, convênio realizado com a Secretaria Estadual de Cultura, que possibilitou a finalização de 23 produções, e na criação do Prêmio Estadual de Cinema e Vídeo do Paraná, através do qual já foram produzidos três longas metragens e nove telefilmes.
A mostra de cinema produzido no Paraná reuniu filmes há muito tempo não eram exibidos, como "Caro Signore Fellini", de Valêncio Xavier e "Vamos Junto Comer Defunto", de Elói Pires. Em "Caro Signore Fellini", Valêncio, a pretexto de informar o cineasta italiano sobre Curitiba, faz uma incursão sensível, onírica e descontraída, pela cidade. Para isso ele inclui aspectos incomuns aos cartões postais da época, como os sobreviventes anônimos, as venerações e os tipos populares da cidade.
Já em "Vamos Junto...", Elói narra uma história acontecida e m 1965, num bairro de Curitiba, quando crianças interrompem suas atividades para assistir a passagem de um enterro em frente à igreja.
Mas Mostra AVEC não é só uma retrospectiva do cinema paranaense. Ela também apresenta a estréia do curta-metragem "Satori Uso", de Rodrigo Grota, premiado no último Festival de Gramado. O novo curta do londrinense Rodrigo Grota é um documentário sobre a passagem do poeta japonês, Satori Uso, por Londrina, na década de 1950. Na cidade ele sofreu uma desilusão amorosa com sua musa inspiradora, e viajou para Nova Iorque, onde conheceu o cineasta americano Jim Kleist, que rodou um filme em sua homenagem, em Londrina, no ano de 1967. O filme, chamado "Isolation", ficou inacabado, e são trechos dele que aparecem no curta-metragem, dirigido pelo cineasta londrinense Rodrigo Grota.
A grande "sacada" do filme é que parece uma história real, mas o poeta japonês e o cineasta americano mencionados não existem. Satori Uso é criação do poeta londrinense Rodrigo Garcia Lopes, que Grota utilizou para produzir "Satori Uso" .
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