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“... Que bom que existas, pintor
Enamorado das ruas
Que bom vivas, que bom sejas.”
(Vinícius de Morais)

   
Sem título (Rua de Mangaratiba), Di Cavalcanti, 1926



O Brasil reinventado pela arte

  Parte da obra do pintor Di Cavalcanti,
expoente da Semana da Arte Moderna,
que rompeu parâmetros estéticos,
é exposta em Curitiba, no Museu Niemeyer.

 

Um país se descobre e se reinventa através da cultura e da criação artística. Nas primeiras décadas do século vinte, a cultura brasileira – seus artistas, seus intelectuais e seu povo – promoveu a elaboração de novos significados à criação e ao espírito artístico. Essa ressignificação, que alterou parâmetros estéticos, remodelou métodos e objetivos e optou por determinada matéria-prima para arte, atendeu ao nome de Modernismo.

Entre os expoentes modernistas brasileiros, está o pintor Di Cavalcanti que além de combater nas mesmas frentes de renovação artística, apontadas pelos integrantes do movimento modernista, seguiu mais além, para empunhar uma bandeira eminentemente política e social, que considerava o conteúdo da arte, tão importante quanto a sua forma. Não fosse o embaralho teórico, programático, e, especialmente no campo da prática das forças políticas atuais, se poderia afirmar que Di Cavalcanti era um homem de esquerda, alinhado aos ideais mais nobres de transformação da sociedade em outra, mais justa e igualitária.


(Mulher Sentada), 1941

 

A gente do povo, sempre relegada a um papel apequenado na vida social e cultural brasileira, passou a ser representada nos quadros de Di Cavalcanti. Consciente, o pintor não escorregou no erro de remodelar de forma pitoresca ou XX a essência do brasileiro. As lutas e anseios populares ganharam relevância na obra desse modernista, desde as suas primeiras obras, como é o caso do desenho “1º de maio”, que homenageou os trabalhadores brasileiros.

Aos poucos, a cena quotidiana do Brasil que se conhecia e se reconhecia, passou a incluir operários, pescadores, o negro, o mulato, e, de forma especial, a mulata brasileira. Enfim, a figura humana ocupou presença decisiva nas suas produções.

Considerado de elevada fruição artística, Di Cavalcanti não procurou a ruptura com a pintura figurativa que servia de parâmetros aos artistas de sua época. Buscava, isto sim, fazer adaptações que permitiam a conciliação de sua produção com a que era realizada pela arte internacional. O pintor adicionou à sua obra, componentes técnicos e estéticos que vão desde a art nouveau até ligeiras influências do cubismo e, pouco menos ainda, dos muralistas mexicanos, com os quais compartilhava dos mesmos ideais políticos.

 

À esq., "Guerchnor" (Caricatura), 1929 . À direita, "Grupo com Homem e Duas Mulheres e Paisagem com Fachada ao Fundo", 1927

 

 

A OBRA – O Museu Oscar Niemeyer, localizado em Curitiba, capital do Estado do Paraná, expõe 100 desenhos de Di Cavalcanti, produzidos durante o período de 1921 e 1964. O material é formado de temas recorrentes na obra do pintor, como imagens de populares, caricaturas, cenas do carnaval e da vida noturna, crítica social, figuras femininas, entre outros.

E exposição integra a programação do Circuito Popular Banco do Brasil , permanecendo em exposição de 28 de novembro a 09 de dezembro de 2007, sendo a primeira vez que estas obras circulam pelo país, cedidas pelo acervo do Museu de Arte Contemporânea da USP. A mostra já passou pelas cidade de Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Ribeirão Preto (SP), Recife (PE), Belém (PA) e Fortaleza (CE).

O AUTOR – Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Mello, o Di Cavalcanti é um dos mais importantes nomes do modernismo brasileiro, nascido a 06 de setembro de 1897, na cidade do Rio de Janeiro (RJ) e falecido em 26 de outubro de 1976, também na cidade carioca. Foi um dos principais idealizadores do movimento que organizou a Semana da Arte Moderna, em 1992.

O desenho uma atividade viva, desde as primeiras iniciativas, em 1914. Para o pintor, desenhar ou pintar era uma forma de se estabelecer contato e firma relações com as pessoas e a vida. Assim, muitos de seus desenhos foram feitos em bares, ruas praças e prostíbulos.

O seu traço ligeiro e econômico, Di Cavalcanti soube utilizar o bom-humor e a irreverência ao criticar a burguesia de São Paulo e Rio de Janeiro, que, eurocêntrica, procurava imitar a vida e os hábitos parisienses.

Veja mais da vida e obra de Di Cavalcanti, clicando aqui.

 

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

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