Consciência
e luta no dia de Zumbi
Entre os séculos XVI e XIX, mais de quatro milhões de negros foram trazidos para o Brasil, vitimados pelo tráfico de escravos. Somente entre os anos de 1831 e 1850, foram cerca de 700 mil pessoas, durante o auge da chamada diáspora africana. Retirados de suas vivências tradicionais, o negros eram inseridos em culturas completamente alheias, passando por processos de remoção de suas identidades étnicas, comunitárias e religiosas.
Foram os braços desses homens e mulheres que moveram forçosamente os engenhos de cana-de-açucar, motor econômico de nosso passado colonial, em meados do século dezessete. E esses mesmos braços enfrentaram e derrubaram a escravidão, fazendo surgir a figura de Zumbi dos Palmares, figura central da luta de libertação negra.
O dia 20 de novembro foi instituído como
o Dia da Consciência Negra para lembrar a forte resistência comandada por Zumbi, contrapondo a data de 13 de maio, marcada como o dia da abolição da escravatura, que sugere a “generosidade” branca e não a luta dos próprios negros pela sua emancipação.
Atualmente, as principais bandeiras do movimento negro reivindicam: combate à violência e o tráfico que vitimiza a juventude negra; aprovação imediata do Estatuto da Igualdade Racial; aprovação da proposta que implanta a reserva de vagas nas universidades; criação do Fundo de Promoção da Igualdade Racial; regularização das terras quilombolas; efetivação da lei que obriga o ensino da história da África e da cultura afro-brasileria; programas contra a intolerância religiosa; instituição do feriado nacional no Dia da Consciência Negra.
REFLEXÃO – 303 cidades brasileiras adotaram o Dia Nacional da Consciência Negra como feriado municipal. O dado representa um aumento de mais de noventa por cento, com relação ao ano passado. Em São Paulo, onde vivem 12,5 milhões de afro-brasileiros, a maior população negra do país, em números absolutos, 90 municípios optaram pelo feriado neste dia 20 de novembro.
Das 27 capitais do país, apenas São Paulo, Rio, Manaus, Cuiabá e Maceió adotaram o feriado. Na região nordeste, com uma população majoritariamente negra ou parda, apenas seis cidades celebram a data.
O projeto que prevê o Dia Nacional da Consciência Negra com feriado nacional, está parado no Congresso Nacional.
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