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O que eu faço é
simplesmente colocar
as formas naturais numa
moldura dramática.
(Krajcberg)

 

O artista e a sua revolta

Frans Krajcberg, escultor que faz da natureza a sua existência,
expõe como principal atração do MAM, durante a programação que comemora os 60 anos do museu.

O escultor, pintor e fotógrafo Frans Krajcberg usa a sua arte para denunciar a tragédia ambiental promovida pelas mãos do homem. Por meio de esculturas com raízes de árvores e troncos calcinados ou através de documentários fotográficos sobre queimadas das florestas, quase nonagenário, Krajcberg vale-se de sua arte para exprimir o gemido sôfrego da dor do planeta.

Durante as festividades de sessenta anos de sua criação, o Museu de Arte Moderna de São Paulo está abrigando a instalação Natura, reunindo 65 esculturas e 40 fotografias de Frans Krajcberg, sob a curadoria de Annateresa Fabris e Luiz Camillo Osório.

Nascido polonês da cidade de Kozienice, naturalizou-se brasileiro, instalando-se no Brasil, em meados de 1948. Desde sempre, Krajcberg é um resistente. Assistiu a morte de seus pais pelos nazistas e engajou-se ao exército russo, combatendo o projeto fascista que apavorou a humanidade, na primeira metade do século que passou.

Especialmente após o ano de 1975, o artista passou a refazer e a recriar a natureza destruída, carregando a sua obra de crítica social, especialmente, ao processo industrializante escolhido pela sociedade, que contrasta com a ausência absoluta de um projeto político humanizador, centrado na preservação e na qualidade de vida de todos os seres que vivem na natureza.

Articulado, contemporâneo e irreconciliável em suas posições, Krajcberg jamais se meteu em lugares-comuns onde se refugiam os representantes da arte engajada, porém, insossa. No Manifesto do Rio Negro, que apresentou em parceria com outros artistas, Frans Krajcberg nega a arte como forma de obtenção do poder, defendendo um novo tipo de sensibilidade livre e destituída de julgamentos.

O artista plástico prefere não tratar a sua obra como algo artístico. Costuma dizer, isto sim, que o seu trabalho é a sua revolta e indignação contra a tragédia engendrada pela cobiça humana contra o Planeta.

Autora do livro Frans Krajcberg: a tragicidade da natureza pelo olhar da arte, publicação sobre o artista, editada pela curitibana Travessa dos Editores, a professora Maria José Justino considera que a produção deste polaco-brasileiro tem a capacidade de mediação entre dois mundos, um real, o outro, imaginário. “As esculturas-objetos de Krajcberg realizam este milagre: elas oferecem um passeio do  visível ao invisível, um permeando o outro, quando o artista empresta seu corpo a essa aderência ao invisível. Elas nos instalam em um mundo aberto aos sentidos, um mundo instalado no sensível, nesse terreno universal do ser bruto, em que o sensível é, sim, constituído de coisas, mas é também constituído de vazios e intervalos”, escreve Justino no livro citado.

Fugindo às rotulações estéticas, Krajcberg, assim como a natureza que ele reinventa e imita, é avesso às regras e formatações artísticas. Em sua longeva e consistente produção, optou sempre pelas curvas, pelo movimento, pelo traçado torto e desigual.

Krajcberg, ao 87 anos de idade, não se entrega. Persegue a sua vocação em criar e inquietar. Atualmente, avalia proposta para ampliação de seu espaço situado em Paris, na França, onde inventou um museu que serve a debates sobre a arte e a natureza. Vários países sugerem criar novos museus com o seu trabalho; em Curitiba, no Paraná, onde o artista viveu, há um espaço cultural dedicado à sua produção.

Mas é Nova Viçosa, no sul da Bahia, onde instalou-se na década de 1970, que recebe a inteira atenção de Krajcberg. Lá, enquanto luta para preservar o último quinhão de Mata Atlântica da região, o artista renova o seu potencial criativo e segue adiante o seu ideal de humanizar a natureza e naturalizar o homem.

Clique aqui para saber mais sobre a vida e obra de Frans Krajcberg.

Clique aqui para conhecer o MAM.

Clique aqui para ler o texto A travessia da arte moderna, de Annaterresa Fabris, que integra o Colóquio Internacional História e(m) Movimento, do MAM.

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

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