A morte do CD está mais viva do que nunca
Queda, de novo, nas vendas acelera modelo digital
Nem as compras de fim de ano conseguiram salvar as vendas de CDs em 2008. Nos Estados Unidos, as grandes lojas varejistas sofreram com a crise e a recessão. Os consumidores continuam migrando do formato de CD para os downloads. O reflexo disso é que a venda, incluindo discos e arquivos digitais de álbuns completos, foi de 428 milhões de unidades. Este número representa uma queda de 14% em relação a 2007, de acordo com a Nielsen SoundScan, sistema de informação que acompanha o comércio de música e seus produtos nos EUA e no Canadá. Desde o auge da indústria fonográfica em 2000, as vendas de álbuns caíram 45%, embora as compras no formato digital continuem crescendo rapidamente.
O rapper Lil Wayne com Tha Carter III (Cash Money/Universal Motown) alcançou o topo da lista, com 2,87 milhões de cópias vendidas. Atrás surge o Coldplay com Viva la vida or death and all his friends (Capitol), com 2,14 milhões. Fearless (Big Machine), o segundo álbum de Taylor Swift, cantora country americana, ficou em terceiro, com 2,11 milhões. A menina de 19 anos também alcançou a sexta colocação na lista com seu álbum de estréia lançado em 2006. O disco, que leva o nome da cantora, vendeu 1,6 milhões de cópias em 2008.
Um bilhão de downloads
A indústria fonográfica está se acostumando aos magros números. Tha Carter III é o primeiro álbum que ocupa o topo da lista, na história da SoundScan, que vendeu menos de 3 milhões de cópias. Mas as vendas de música digital continuaram crescendo lentamente. Um bilhão de músicas foram baixadas, o que representa um aumento de 27% em relação a 2007. Algumas gravadoras afirmam que finalmente começaram a ter lucros significativos na internet com sites como YouTube e MySpace. Mesmo com esse aumento, o dinheiro ganhado com a música online está longe de compensar as perdas das vendas físicas.
– À medida que o lado digital cresce, temos um modelo de negócios diferente – diz Michael Mc Guire, analista da Gartner, empresa de pesquisa de mercado.
Recentemente, McGuire publicou um relatório encorajando as gravadoras a focar em downloads. As empresas contra-argumentam que apenas as vendas dos álbuns não revelam uma imagem completa do novo mercado fonográfico. Vice-presidente executivo do divisão digital da Universal Music, Rio Caraeff afirma que outra fonte de renda é proveniente de ringtones. Ele diz que 20% da receita da cantora pop Rihanna vêm desse tipo de venda:
– Não focamos unicamente nos álbuns ou na venda de um produto em particular. Queremos vendas digitais, físicas, em celulares e de licenças – acrescenta Caraeff.
Ainda na lista, duas das maiores vendas vieram de artistas que são contra o download. O cantor Kid Rock vendeu 2 milhões de cópias e ficou na quarta posição, com Rock ‘n’ roll Jesus (Atlantic). A banda de hard rock AC/DC alcançou o quinto lugar com Black ice (Columbia). Eles fizeram um acordo exclusivo com o Wal-Mart e venderam 1,92 milhões. Nenhum deles vendeu suas músicas pela Apple iTunes, o maior site do gênero. Um segmento da indústria fonográfica, porém, continuou com sucesso: o ramo dos shows. Em 2008, a venda de ingressos nos EUA cresceu 7%, ou seja, alcançou US$ 4,2 bilhões. Constatando a tendência dos últimos anos, os ingressos foram vendidos mais caros. Na média, subiu 8%, para US$ 66,90.
Mesmo com o crescimento do comércio online, o CD continua sendo o formato mais popular – apesar do decréscimo gradativo de venda. Em 2008, 361 milhões de discos foram vendidos, um número 20% menor que o ano anterior.
Lojas de grande porte como Wal-Mart diminuíram o espaço destinado à música, conta Richard Greenfield, analista da mídia no Pali Research, em Nova York.
– Os CDs não atraem mais clientes para as lojas – disse Greenfield. – O grande risco é que os discos saiam primeiro da vista e, depois, da cabeça do consumidor.
Fonte: Iteia - Ben Sisario (Jornal do Brasil)
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