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O Autor da Natureza
(*) Alexandre Palmar



Franscisco Amarilla, história de comunhão com a natureza

 

Das virtudes desse senhor de prosa sem fio, a capacidade de transformar o imperceptível em acontecimento parece ser a mais encantadora. O paraguaio Francisco Amarilla Barreto é daqueles homens nascidos para ser avô, acostumados a contar histórias para crianças enquanto brinca com o sono no vai-e-vem da velha cadeira de balanço. Às vezes dormem mesmo antes dos netos. 

Seu Amarilla, como é “mundialmente” conhecido na Tríplice Fronteira, tem uma queda brutal pelas sutilezas da natureza. Suas histórias fácil, fácil prendem atenção de quem as dá ouvidos. Mas fácil mesmo é entender por que as conversas contagiam. Durante o papo, é comum o narrador colorir o cinza do céu nublado ou explicar por que temos medo de forrar o estômago com manga e leite. 

Essa magia é fruto das suas andanças pelas ruas de Foz do Iguaçu, pelas calles da Puerto Iguazú e pelos recantos de Ciudad del Este, entre outros municípios da Argentina e Paraguai. Autodidata e fã do cientista suíço Moisés Bertoni, Amarilla é referência em assuntos ambientais, indígenas e culturais. Sempre com um chapéu de explorador e um bastão, sai pelas redondezas em busca de descobertas. 


Mãe Socó alimentando o bebezão Socó (exposição virtual "O Autor da Natureza")
CLIQUE AQUI PARA VER MAIS FOTOS DE AMARILLA.


Quando retorna para casa é uma festa só. Ainda mais agora que suas expedições vêm acompanhadas por dezenas de fotografias. Até um programa ele ganhou na TV Bus, exibida nas principais linhas do transporte coletivo iguaçuense. Há pouco tempo, ele presenteou a nossa redação com uma aula sobre biologia e cenas urbanas até então relegadas ao nada. A conversa atropelou as prioridades do dia de trabalho, indo do começo ao fim da tarde. 

Daquele bate-papo vespertino, alguns ensinamentos, ao menos para os urbanóides desavisados. “Tá vendo essa foto? O líquen no tronco da árvore funciona como bioidentificador de ambiente, indicando, conforme a sua cor, quando o ar está puro ou poluído. Quando o líquen está cinza, sinal de muito gás carbônico no ambiente; quando verde, pode respirar à vontade: ar puro.” 

Seu Francisco Amarilla também vê belas formas e até pequenos enredos onde o normal é enxergar apenas mais um elemento do meio ambiente. Assim uma borboleta pode pegar uma carona, sem pressa, sobre um caracol; uma pegada petrificada no quartzo do leito do Rio Paraná acaba fazendo par com sua botina; o resquício de um troco no meio da calçada denuncia o crime ecológico.

Para esse andarilho enraizado na região, a natureza é poderosa e suprema, uma santa, tal como a composição de Zé Vicente da Paraíba, Passarinho do Norte e Bráulio Tavares, difundida Brasil afora nas vozes de Zé Ramalho, Geraldo Azevedo e Elba Ramalho. Clique aqui para ouvir a música.


(*) Alexandre Palmar é jornalista em Foz do Iguaçu.
O ensaio "O autor da Natureza" foi publicado originalmente no site Megafone.


 

 

 

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

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