Banca CDR, um cartel de cultura hip hop
O nome até parece ser de uma banquinha que vende CDs regraváveis, mas não é. Apesar de existirem alguns aspectos em comum. Na verdade, a Banca CDR (Cartel do Rap) é a união de vários atores do hip hop de Foz do Iguaçu. As primeiras articulações desta galera datam de setembro de 2000, nas entranhas do jardim Paraná - norte da cidade. Inspirados na música “traficando informação”, do rapper carioca, Mv Bill, os jovens começaram a bolar as primeiras rimas e projeto desta congregação de ativistas.
“Decidimos criar uma família pra traficar informação também. Traficar, porque era uma informação que achamos que era ilegal pra elite, pro sistema, porque na televisão e no jornal não mostrava a desigualdade social, a violência policial, o racismo e preconceito...”, ressalta Zeu.
Atualmente, compõe a banca, o grupo Aliados da Periferia, Eloqüentes, DNA do Rap, Inimigos da Guerra, Pesadelo Real; os manos, Santiago, Zeu e Mano F. Além disso, há a “crew” de dança de rua (Cartel do Break); e o Cartel da Arte, formada pelos grafiteiros. Segundo Zeu, nos oito anos de trabalho, já passaram mais de 300 pessoas pela família.
O diferencial da banca é a diversidade. “Geralmente, nas organizações de hip hop, existe um grupo principal e os demais se espelham nesse grupo. No Cartel não existe grupo principal. Os integrantes não moram no mesmo bairro e sim em toda a cidade. Têm manos da Cidade Nova, Vila C, Porto Belo, Jardim Paraná, Belvedere, Estrela, Petrópolis, Jardim América, Vila Yolanda, Vila Adriana, Morumbi, Três Lagoas, Porto Meira, Jardim das Flores e por aí vai”, enfatiza Zeu.

Os projetos da Banca CDR passam pelo registro do trabalho das várias
vertentes que participam do movimento. Recentemente,
o Casulo Rock Bar foi
cenário da gravação ao vivo do segundo CD do movimento.
Dentro da banca, existem todos os elementos do hip hop, isto é, dj’s, mc’s, b.boys, grafiteiros, freestyle (improviso ou repente) e organização de batalhas de rima. A mídia utilizada para divulgação destas atividades inicialmente é o Fanzine Cartel do Rap e o blog. A banca tem também um bom entrosamento com sites de notícias e blogs de Foz do Iguaçu, os quais destacam as ações e agenda do grupo.
Melhorar, crescer e desenvolver com igualdade é alguns dos lemas da banca. Neste ano, o grupo irá buscar aumentar a estrutura de show, adquirir novos equipamentos, voltar a fazer show nos bairros. Estes preparativos estão ligados também a gravação do segundo DVD “Espaço do Rap Paraná” em Toledo (PR), e para apresentação no “Rap é o Som Festival”em Campo Mourão (PR).
“Este último reúne os grupos em destaque de todo o Paraná. Estamos também terminando de montar o estúdio - Iô Comunitáriô!!! - para dar oportunidades para os grupos que tem o sonho de gravar seu CD mas não têm condições financeiras pra isso. Estamos confeccionando camisetas com a marca Nègre (criada pelo Cartel) para juntar verbas para as ações, e ainda, organizaremos neste ano, uma batalha paranaense de Dança de Rua”, ressalta Zeu.
Apesar do otimismo para este ano, Zeu relembra que a falta de apoio cultural por parte do governo municipal é um empecilho para a consistência deste projeto social, entre outros, que poderiam beneficiar milhares de cidadãos.
O hip hop tem abertura em quase todos os bairros da periferia de Foz. Na cidade são duas casas noturnas que abrem espaço ao movimentos: Otroplano (Estúdio Rádio Bar) e Casulo Rock Bar.
Para Isabel Cristina, “Cris”, proprietária do Casulo Rock Bar “o hip hop está bem forte em Foz. E o pessoal é disciplinado. Isso também é importante. E sempre que for possível nós abriremos espaço pra eles e para as demais tribos”. De acordo com Cris, “o espaço dado à cultura reflete a sociedade que vivemos. Se houvesse mais apoio à cultura de nossa cidade não existiria tanta violência. Onde há arte não tem criminalidade”, dispara.
O comentário de Cris encontra eco no trabalho da Banca CDR. A busca de um mundo mais justo é o combustível que move e motiva o grupo a se armar, com palavras, discursos, músicas, contos, crônicas, pensamentos e rimas. Pode parecer utópico, mas outro mundo é possível. Este é o argumento exposto em todas as tiragens do Fanzine do Cartel do Rap. “O fanzine é o tráfico de informação para a formação de uma nova nação”.
Veja mais sobre o aniversário do Fanzine da Banca CDR
Conheça o blog da Banca CDR
Conheça o orkut do Casulo Rock Bar
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