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Dia de Villa-Lobos
e da música clássica

“Música para a alma e para o povo".
Esta parecia ser a missão do músico carioca

 

Música clássica e Heitor Villa-Lobos. Para muitos, uma dupla perfeita. Desta relação de artista e arte, nada é mais justo do que representá-la pelas comemorações do Dia Nacional da Música Clássica na data de nascimento do compositor, em 5 de março. O reconhecimento foi oficializado por um decreto do governo brasileiro, em janeiro deste ano.

Nascido no Rio de Janeiro em 5 de março de 1887, Heitor Villa-Lobos foi considerado “o maior compositor das Américas”. Dotado de uma genialidade ímpar o artista conseguiu de modo harmônico misturar o clássico ao popular; o complexo ao simples; o difícil ao fácil.

Música para a alma e para o povo esta parecia ser a missão do músico carioca, que introduziu nos anos 30, o canto orfeônico “coral” nas escolas do ensino médio da rede pública, em boa parte do país. As aulas faziam parte do programa educacional, do governo Vargas, que tinham o intuito de reforçar o clima de nacionalismo pós-30.

O gosto e a preocupação de popularizar a arte, deixado por Villa-Lobos foi seguido por muitos ativistas culturais pelas mais diferentes partes do Brasil. Em Foz do Iguaçu, uma dessas experiências, data da metade dos anos 80.

Para o jornalista, Carlos Luz, que acompanhou de perto aquela movimentação, um dos fatos que sintetizam bem o período na cidade foi “a vinda da Orquestra Sinfônica do Paraná (Osinpa), em 1986. O evento foi promovido pela Fundação Cultural na primeira gestão da entidade. O palco da apresentação foi montado na Praça da Paz, na Terceira Pista da Avenida JK.

O jornalista relembra que a Fundação havia acabado de se estruturar e ocupava duas mesas na Secretaria Municipal de Educação, tendo a sua diretoria executiva e um funcionário. Para a época, o "Concerto na Praça" foi um projeto audacioso. Pois não havia nenhuma infraestrutura na cidade para um evento de tal magnitude.

Popularização - A apresentação da orquestra paranaense “demonstrou à população e à classe dominante que a musica clássica não só pode, mas deve fazer parte de eventos populares, saindo dos teatros municipais e invadindo as praças”, ressalta Luz.

De acordo com Luz, “... ao contrário das “eguinhas pocotós” que surgem e desaparecem em pouquíssimo tempo, como um produto fast food, a música clássica atravessa séculos e ainda permanece atual, pois é uma música que transmite as mais variadas emoções e faz refletir, como toda manifestação artística verdadeira”.

A opinião é compartilhada pelo artista plástico iguaçuense, Haroldo Alvarenga. Para ele, “a música clássica não tem tempo limitado é atemporal, e atrai bons pensamentos. A proximidade da música clássica a população será mais próxima, se existir ensino de música nas escolas. Mas isso deve ser feito, de forma gradual (...). Não adianta colocar obras complexas logo de inicio para apreciação”, analisa Alvarenga.

O escultor tem um papel importante na divulgação da música clássica no município. Segundo ele, era nítida a insatisfação de muitas pessoas com a falta de uma orquestra em Foz. “Achava que era uma vergonha uma cidade como a nossa, não ter uma orquestra. Diante disso, contei com a ajuda de igrejas e músicos. Aos poucos, montamos a orquestra da cidade. Mas, quantos anos se passaram, e a orquestra continua com pouquíssimos instrumentos, muitos dos próprios músicos”, aponta Alvarenga.

Atualmente, a orquestra municipal de Foz do Iguaçu é regida pelo maestro Paulo Tomaz, que conta em sua formação com 25 músicos, sendo 15 de instrumentos de cordas e 10 de metais. Questionado se essa formação é razoável para o bom funcionamento de uma orquestra, o maestro diz: “Não é o ideal. O ideal seria de 38 a 40 músicos. Mas este é o quadro aprovado pela administração. Mesmo assim, conseguimos fazer o serviço”, analisa Tomaz.

Tomaz explica que, no total, a orquestra faz perto de 60 apresentações por ano. “Não há um calendário específico. Quando há uma solicitação, a orquestra comparece. Geralmente, são inaugurações de prédios públicos, apresentações e cantatas de natal. O corpo de músicos da Fundação Cultural realiza dois ensaios por semana, com uma uma hora e meia de duraçao, destaca o maestro.

Dá para se notar que a sobrevivência da orquestra está diretamente ligada à perseverança de seus componentes. A versatilidade do trompetista Edson Paredes é um exemplo disso. Militar, divide seu tempo de músico entre a banda do batalhão do Exército e o naipe de metais da formação municipal. Ele diz que é “incomparável o poder de transformação que a música clássica promove, em relação aos “hits” explorados pela grande mídia”. No entanto, segundo Paredes, para haver mais identificação “com a musica clássica, a população precisa conhecer. Sem conhecer é impossível gostar. Leve uma pessoa a um concerto, a uma apresentação a um lugar apropriado e com certeza ela irá gostar”.

A professora de balé clássico da Casa do Teatro, Jaqueline Varela, reforça essa idéia sugerindo que a escola, bem como “os órgãos envolvidos com a arte clássica, devem incentivar e promover o acesso das pessoas a esse universo, que além de ter qualidade, ajuda a melhorar a postura e a auto-estima de cada um”.

Leia mais sobre Villa-Lobos, clicando aqui.

Leia o comentário "Concerto na praça", do jornalista Carlos Luz.

Assista ao clip "Trenzinho Caipira"


 

 

 

 
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 




 

 

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