Estudo revela que 25% dos brasileiros dominam a língua nacional e 28% são analfabetos funcionais.
Apenas 25% dos brasileiros dominam de forma plena o uso da língua portuguesa e 28% da população ainda podem ser considerados analfabetos funcionais, é o que apurou o estudo realizado pelas organizações.
O estudo, intitulado Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), é apurado desde o ano de 2001, e verifica os estágios de analfabetismo funcional na população brasileira com idade entre 15 e 64 anos. A análise divide o objeto de estudo em quatro níveis: analfabetismo, alfabetismo rudimentar, alfabetismo básico e alfabetismo pleno. São considerados analfabetos funcionais aqueles que se encaixam nas duas primeiras categorias.
Atualmente, existem vários conceitos diferentes para se classificar o analfabeto funcional. Para a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultua (Unesco) o indivíduo que se enquadra nesta categoria é aquele com menos de quatro anos de estudo completos.
Apesar da gravidade dos números revelados, o Inaf deste ano demonstrou melhora no índice de analfabetismo funcional. Em 2007, havia no país 37% de pessoas nessa condição, sendo que 9% eram considerados analfabetos e 25% tinham habilidades rudimentares de leitura e escrita. Em 2009, o percentual de analfabetos funcionais caiu para 28% - 21% possuem nível de alfabetização rudimentar e 7% são analfabetos.
Outro dado importante apresentado pelo estudo mostra que a freqüentar a escola não garante a aprendizagem. Entre os brasileiros que estudaram até a 4ª série, 10% são analfabetos e apenas 6% chegam ao nível pleno de alfabetização. Entre os que cursaram ou cursam da 5ª a 8ª série, 24% ainda permanecem no nível rudimentar e apenas 15% podem ser considerados plenamente alfabetizados.
JOVEM E OPORTUNIDADES – Outro estudo, que acaba de ser divulgado, sob a responsabilidade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aborda as condições de acesso à educação por parte da juventude. Baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do ano de 2008, o estudo destaca que o jovem está conseguindo passar mais tempo nos bancos escolares, superando os adultos em escolaridade. Em 1998, a média de anos de estudo entre pessoas de 15 a 24 anos era 6,8. No ano passado, a média era de 8,7 anos de estudo entre jovens de 18 a 24 anos. No grupo de 25 a 29 anos, a média chegou a 9,2, totalizando 3,2 anos de estudo a mais do que entre a população acima dos 40 anos.
Contudo, os dados do Ipea desnudam um panorama de desigualdade entre esta população, marcada por oportunidades limitadas e que, no país, prevalecem expressivas desigualdades educacionais entre ricos e pobres, brancos e não brancos, e moradores de áreas urbanas e rurais e das diferentes regiões.
O estudo demonstra, ainda, que apenas a metade dos jovens brasileiros de 15 a 17 anos frequenta o ensino médio na idade adequada e que 44% ainda não concluíram nem mesmo o ensino fundamental. Nas regiões Nordeste e Norte, as taxas de frequência (36,4% e 39,6%, respectivamente) são bem mais baixas do que no Sudeste e Sul (61,8% e 56,5%, respectivamente).
O Ipea indicou a existência de 49,7 milhões de jovens no país, somando 26,2% da população brasileira.
(Guatá, com informações do Ipea e da Agência Brasil)