IGUAÇU
Golpe militar é tema de cineclube
Neste final de semana, filme e debate refazem
os caminhos da ditadura militar brasileira.
No dia 01 de abril de 1964, o povo brasileiro foi surpreendido com um golpe de estado que havia deposto o presidente João Goulart. Após tomar o poder pelas armas, os militares e seu regime anunciaram um período de prosperidade que faria chegar o povo os resultados de um milagre econômico.
Entretanto, o regime fardado que vigorou entre o período de 1964 a 1985, fez emergir a repressão ferrenha, a prisão política e as torturas, o desrespeito das garantias individuais e coletivas, o fim da liberdade de expressão e do direito à organização, a censura. Foram os anos de chumbo.
O crescimento econômico superficialmente alimentado teve vida curta, a resistência armada aumentou, o povo se mobilizou e o regime militar acabou vencido.
Entretanto, diferentemente de muitos países, a maioria dos criminosos, agentes da violência e do terrorismo de estado continua impune. Sequer o Brasil abriu e publicou todos os arquivos do horror.
Este tema caro à história política e social brasileira e latino-americana, será o tema do Cineclube realizado pela Casa da América Latina, a Associação Guatá e aCasa do Teatro, no próximo sábado, dia 02 de abril, no Teatro Barracão.
A projeção aberta de cinema irá apresentar o filme “Batismo de sangue”, co-produção do Brasil e França, lançada em 2007, com a direção de Helvécio Ratton.
A película mostra resistência ao regime organizada pelo frades dominicanos, ao final da década de 1960, auge da repressão política, quando os religiosos liderados pelo Frei Tito (interpretado por Caio Blat), oferecem suporte às ações da Ação Libertadora Nacional (ALN), comandada pelo legendário guerrilheiro Carlos Marighella.
“Batismo de sangue” é baseado no livro de mesmo nome, de autoria de Frei Beto, escritor e militante social brasileiro, obra que venceu do Prêmio Jabuti de Literatura.
Após a exibição do filme, o Cineclube irá oferecer um debate sobre o tema abordado na obra, com a participação de Fabrício Pereira da Silva, professor de ciência política e sociologia da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) e Aluísio Palmar, jornalista e perseguido político, autor do livro sobre o tema “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”, editado pela Travessa dos Editores.
Realizado no início de cada mês, o Cineclube proposto pelas três associações culturais sediadas em Foz do Iguaçu tem por objetivo contribuir com a reflexão e o debate sobre as questões latino-americanas, por meio da linguagem audiovisual.
A sessão coletiva de cinema é gratuita.
Cineclube Cena Aberta
Quando: sábado, 02 de abril, às 19 horas.
Onde: Teatro Barracão – Praça da Bíblia.
Entrada gratuita.
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(Guatá/Paulo Bogler)
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