Ritual do povo Enawene Nawe
integra a lista de patrimônio imaterial
de salvaguarda internacional
O Ritual Yaokwa, praticado pela nação indígena Enawene Nawe, que vive na região do Mato Grosso, tornou-se patrimônio cultural imaterial de salvaguarda internacional, após aprovação do Comitê Intergovernamental para Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, órgão vinculado à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciênica e a Cultura (Unesco), que realizou sessão na Indonésia, recentemente.
O pedido havia sido feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). No Brasil, o ritual já era protegido desde 2010. O Yaokwa passa a integrar a Lista de Patrimônio Cultural Imaterial em Necessidade de Salvaguarda Urgente.
O rito sagrado dos Enawene Nawe tem duração de sete meses e marca o calendário ecológico-ritual desta cultura, que abrange as estações seca e chuvosa no ciclo anual. O cerimonial tem seu ponto alto quando os indígenas partem para a pesca de barragem dispostas à margem dos rios e com o início da colheita da mandioca.
Os Enawene Nawe vivem em apenas uma aldeia no estado mato-grossense, em uma região entre o cerrado e a floresta Amazônica. Esta comunidade, que vive cercada pelo risco oferecido pela pratica da grilagem, do garimpo, da extração madeireira e pela construção de pequenas hidrelétricas, conta com mais de 500 mil indígenas.
Além do Ritual Yaokwa, este ano, a Unesco irá avaliar outras 84 candidaturas de todo o mundo, que pleiteiam a inclusão na Lista Representativa do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. Hojé, são 213 bens inscritos, de 68 países, dentre eles, os bens brasileiros Expressões Orais e Gráficas dos Wajãpi e o Samba de Roda do Recôncavo Baiano.