Centro Histórico de Antonina
integra o patrimônio nacional
Conjunto histórico e paisagístico da cidade
paranaense recebeu o tombamento do Iphan.
Antonina: crescimento econômico e decadência no início do século passado
O litoral do Paraná, na região da Baía de Paranaguá, foi uma das primeiras áreas sul-brasileiras a serem exploradas pela colonização Portuguesa. Através da captura de índios para o trabalho escravo e a exploração de matais preciosos, como ouro, ocorreu o rápido desenvolviemnto das cidades de Paranaguá, Antonina, Guaraqueçaba e Morretes.
Com deslocamento da economia colonial para Minas Gerais, em meados do século dezoito, as atividades no litoral paranaense passaram a se voltar apenas para a subsistências das populações locais. Elevada à condição de Vila, em 1798, e também contando com a abertura dos portlos brasileiros, Antonina passa a viver um novo estágio de crescimento, coroado com a implantação de engenhos de erva-mate para exportação, em 1820. A atividade portuária se amplia e ocorre um elevado crescimento urbano, com abertura de ruas, igrejas, mercados e obras públicas, como a construção da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá.
A partir de 1914 houve um novo período de crescimento para a cidade de Antonina, com o início das atividades das Indústrias Matarazzo. A partir de 1930, o Porto de Antonina entra em decadência, várias empresas fecharam as portas, levando a cidade, mais uma vez, à estagnação econômica.
São as marcas de aproximadamente três séculos de história é que estão expressas no traços arquitetônicos coloniais de Anontina, que acabam de receber o tombamento pelo Instituto do Patrimônio Histórico de Artístico Nacional (Iphan), De acordo com o parecer técnico do órgão, vinculado ao Ministério da Cultura (MinC), a área do centro histórico materializa os processos de ocupação territorial no Sul do Brasil, particularmente no Paraná, e está diretamente ligada ao primeiro ciclo de exploração do ouro no país.
Com o reconhecimento concedido pelo Iphan, o Centro Histórico de Antonina será protegido por leis que garantem o correto uso e manejo das áreas. Além disso, a cidade poderá contar com novas alternativas de financiamentos púlbicos, visando à restauração e a preservação do acervo histórico.
O tombamento do conjunto histórico e paisagístico de Antonina integra a política do Iphan que visa ampliar as áreas protegidas e inclui o município no rol das cidades históricas do Brasil. A extensão do tombamento compreende o centro histórico da cidade e o complexo das Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo (IRFM). Para o conjunto Matarazzo, será incentivada a continuidade da atividade portuária, por meio de diretrizes para ocupação da área, desde que sejam preservados e recuperados os imóveis remanescentes mais importantes individualizados no tombamento.
Entre os espaços mais conhecidos, que passam a receber a proteção do tombamento, estão a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, contruída em 1714, a Igreja São Benedito, de 1824, o Teatro Municipal, de 1906 e a Estação Ferroviária, de 1922.
O Iphan também descreve, na ação de tombamento, o ambiente natural de Antonina, formado pelas montanhas da Serra do Mar e pela Baía de Paranaguá, como determinante para a implantação da cidade neste local e para a forma como se deu seu crescimento.
A escala e porte de Antonina relacionam-se harmonicamente com o ambiente natural em que está inserida. Este conjunto preserva uma rara qualidade ambiental nas atuais cidades brasileiras e configura-se em potencial para seu desenvolvimento social.
__________________________ (Guatá/Paulo Bogler/Com informações do Iphan)