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EXPOSIÇÃO
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Bertoni: exposição dos saberes
Acervo do cientista Moisés Bertoni está exposto em Assunção, capital do Paraguai.

 
A exposição reúne obras como "La Civilizacion Guarani", publicada em 1922,
impresso em tipografia pelo próprio autor.


Responsabilidade de intelectual e compromisso com a vida, são marcas deixadas pelo estudioso Moisés Santiago Bertoni (1857-1929). Naturalista paraguaio, de origem suíça, tendo emigrado ao país vizinho em 1887, Bertoni fixou-se às margens do Rio Paraná, sendo o autor de mais de 500 obras sobre a agricultura, a geografia e a cultura da região, especialmente, sobre os fazeres e saberes dos guarani, primeiros habitantes destas paragens. É de sua autoria a obra “A Civilização Guarani”, escrita em 1922, sobre a modo de vida guarani.

Parte das obras de Moisés Bertoni e de seu acervo de livros e documentos estão reunidos na exposição “Bertoni: uma cronologia ilustrada”, disponível para visitação pública no Centro Cultural de la República El Cabildo, na cidade de Assunção, Capital do Paraguai. A exposição permanecerá disponível para visitação até o final de fevereiro.

Distribuída em quatro salas, a mostra é uma compilação de livros, estudos e apontamentos de Bertoni, livros de sua biblioteca particular e a sua coleção de mapas. A exposição é divida em três partes: formação e primeiros estudos na Suíça; viagem à América (Argentina e Paraguai), fotografias, mapas, artigos e apontamentos, bem como criação de sua própria imprensa; e, reconhecimento e intercâmbio científico (impressões, contribuições e comentários sobre a obra do estudioso).

A cronologia de Bertoni faz parte do esforço de instituições, intelectuais e de órgãos do governo paraguaio em resgatar e preservar o legado científico e cultural deixado pelo intelectual. Os documentos reunidos na exposição estão sob a responsabilidade do espaço El Cabildo, órgão do governo federal, cedidos pela Itaipu Binacional, margem paraguaia. A iniciativa é uma das ações que celebram o bicentenário da República do Paraguai, primeira república latino-americana.

“Bertoni: uma cronologia ilustrada” é uma justa homenagem ao humanista suíço que adotou o Paraguai como a sua segunda nação, deixando importantes contribuições sobre a fauna, a flora e a agricultura. Foi precisamente Moisés Bertoni quem descobriu e revelou a existência da erva-açúcar, ka`a he`e, na língua original. Mais que isso, Bertoni soube entender, respeitar, a valorizar e interagir com o modo de vida do povo guarani, seu conjunto de costumes e tradições, reconhecendo a diversidade com fator de crescimento cultural.

ACERVO BERTONI – A biblioteca de Bertoni dispõe de 179 títulos de sua autoria, abrangendo temas como agricultura, zoologia, botânica, antropologia meteorologia, medicina, entre outros. Também conta com 17.600 volumes onde se encontram enciclopédias, dicionários, almanaques e revistas sobre sociologia, história, literatura e educação. Já a coleção cartográfica inclui temas de história, economia, política e lingüística. O arquivo contém manuscritos, correspondências, você nota, cartões postais, planilhas e registros contábeis.

O acervo de Moisés Beroni inclui, ainda, grande quantidade de revistas e jornais de diferentes épocas e de todas as partes do mundo.

SER SOCIAL – Ao instalar-se na região, Bertoni demonstrou que a sua vinda para o mundo exótico e exuberante do continente americano, não estava restrita ao interesse de pesquisador ou de explorador, diferentemente de outros investigadores europeus que passaram por aqui.

Na cidade paraguaia de Puerto Franco, a poucos minutos da Ponte da Amizade (ligação entre Foz do Iguaçu, Brasil, e Ciudad del Este, Paraguai), a casebre onde morou Moisés Bertoni, com a sua mulher e seus treze filhos, ainda resiste à amnésia histórica e cultural e à expansão capitalista no campo.

O local, chamado de “Museu Bertoni”, é uma reserva com cerca de cem hectares, reúne alguns objetos e utensílios que registram a vida de Bertoni na região. Além disso, a casa simples é o último vestígio da vivência do cientista suíço. Bertoni, ao embrenhar-se pela América, no século dezenove, trouxe consigo a vontade de criar um espaço de vida que fosse modelo para o mundo, marcado pela igualdade entre as pessoas.

(Guatá)


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