São Luiz do Paraitinga: a reconstrução Professores da Universidade de São Paulo
ajudam a levantar a cidade. Sítio histórico está destruído.
Texto: Izabel Leão. Fotos: Felipe Abreu
A cidade de São Luiz do Paraitinga sofreu muitos prejuízos após a enchente avassaladora ocorrida durante os dias 1 e 2 de janeiro deste ano e terá de ser reestruturada na parte física, econômica, social e cultural, para voltar a reluzir como a “Ouro Preto” do café do Estado de São Paulo.
Situado na região do Vale do Paraíba, em 1982 o município foi tombado como patrimônio histórico e cultural pelo Estado de São Paulo. Neste ano, a cidade deveria receber o título de patrimônio nacional histórico e paisagístico. Atualmente, quase todo este patrimônio está destruído.
Com as fortes chuvas que caíram sob São Luiz do Paraitinga nos primeiros dias do ano, pelo menos 2 mil famílias ficaram desabrigadas e 200 desalojadas e a cidade foi submersa pelas águas.
Reunidos em missão voluntária, seis professores da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (Fau) e da Escola Politécnica (Poli), além de um pós-graduando de doutorado em arquitetura constituem a comissão interdisciplinar da Universidade de São Paulo (Usp) para contribuírem com o replanejamento urbano da cidade.
Centenas de edificações
históricas foram destruídas
pela força da enchente
do rio Paraitinga.
A equipe do “Jornal da Usp” em visita a cidade, no final de janeiro, a convite da comissão composta pelos professores Kokei Uehara, Sylvio Barros Sawaya, Witold Zmitrowicz, Antonio Claudio Pinto da Fonseca e Fellipe Abreu Lima, esteve presente na reunião de trabalho em conjunto com a equipe da Prefeitura quando foi dado início aos trabalhos de planejamento da cidade.
O rio Paraitinga invadiu as ruas históricas da cidade tombada pelo Condephaat a uma altura de cinco metros, derrubando ¼ do patrimônio histórico da cidade e causando grande destruição em arquivos, documentos da prefeitura, objetos pessoais de centenas de moradores. Foram 300 imóveis danificados, 40 deles tombados. A Igreja da Matriz, do século 19, e a da Nossa Senhora das Mercês, do século 18, ruíram. Quase cinco mil moradores, metade da população encontra-se desabrigada, gerando uma grande crise econômica e social no município.
Embora a população viva ainda de doações, aos poucos recupera a auto-estima. Muita sujeira das ruas foi limpa. Os casarões da praça da Matriz, que encontram-se em perigo já foram escorados. As igrejas Matriz e Mercês, totalmente desmoronadas, foram cercadas com faixas de interdição. Um plano diretor foi desenvolvido pelo professor da Unesp, José Xaides Sampaio, que desde 2005 auxilia, como pesquisador, cidades de pequeno porte a constituírem esse instrumento básico da política de desenvolvimento do Município. Um plano diretor, segundo Xaides, tem como principal finalidade orientar a atuação do poder público e da iniciativa privada na construção dos espaços urbano e rural na oferta dos serviços públicos essenciais, visando assegurar melhores condições de vida para a população.
A comissão composta por professores da USP estará ocupada com as questões de ordenamento urbano, organização da paisagem rural e planejamento hídrico. O diretor da Fau, professor Sylvio Barros Sawaya, deixa claro que cabe a Universidade assessorar a equipe da Prefeitura da cidade a desenvolver o planejamento. “A questão da preservação ficará a cargo do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), órgão do governo federal responsável por restauração do patrimônio histórico e cultural do País.”